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domingo, agosto 05, 2012

Just Me, em solitario de autocaravana ate EVORA, PEDROGÃO e BARRAGEM DO ALVITO


pequeno almoço alentejano em Evora, na AC

Está escrito no Moleskine.
Aos dias 20 de Julho com a familia dispersa e em debandada de fim de semna, casas vazias tambem de amigos, em pré férias ou mesmo ja em férias, vem um repente, ao fim de uma reunião de assembeia-geral de fim de tarde de 6F em Lisboa.... e se partisse também?

Pois foi rapido o caminho ate ao Alenuer Camping onde fica recolhida a Semovente, e rapido tambem o arranque depois da permuta da viatura. Opção foi rumar pelas nacionais, ate Vila Franca de Xira para cruzar o Tejo pela ponte Marechal Carmona...praticamente com a minha idade, em viagem suave, por nao mais de 2000 rpm nem mais de 90KM/hora, quase sempre em sexta velocidade, com um consumo económico decerto por volta dos 9L/100...deslizando para sul.


Pelas 20.30h estava ja às portas de Evora, e por isso a horas de comer qualquer coisa, que isto de ser Just Me, tem efeitos reducionistas nas refeições. Estacionamento no Rossio, sem outros AC de companhia numa noite calma e relativamente temperada.
duas velhotas

Promissora pois, a voltinha a pé pelo exterior do Mercado, pelo terreiro da Igreja e com uma pausa numa esplanada de espanhois, para uma imperial e seus tremoços de companhia, e no final um gelado "feast" de chocolate. Tempo de descanso e relax.
No regresso a autocaravana para a deita, a surpresa ao passar pelos jardins de um espetaculo ad hoc, teatralizadao com dois casais em andas e cajados, numa mimica e coreografia do amor na terceira idade. Pausa pois, para a cultura em que a pé  entre canteiros dos jardins uam pequena multidão seguia a evolução dos atores mudos, mas impressivamente gesticulantes. Tempo de interessamento e de curiosidade que valeu a pena e as fotos.
dois velhotes

Noite bem dormida.
Manhã bem acordada. Com as conversas dos feirantes entretanto chegados e estacionados em volta da autocaravana.
Eram 7h. Tempo de mordiscar o pequeno almoço. volta de ronda matutina ao longo das muralhas de Évora, e patrulhamento calmo de vielas interiores, em imaginária missão medieval de reconhecimento dos lugares.

artesanato de cortiça no Rossio

Missão dada por cumprida junto ao mercado, pois havia feira no exterior em bancas alinhadas com produtos da terra. Fomos a elas a mercas...
- 1 saco de cenouras a granel com quse 2 Kg, por um euro,
- 1 ramo de molhos de oregãos frescos de são Mansos, por euro e meio,

E, ja dentro do mercado coberto:
- 1/2 pão de pão alentejano fatiado por 0,85
- 1 queijo de ovelha "cachopa" por um euro.
(ao fundo o Guadiana visto da placa doa ciclovia do Parque de Autocaravanas)
Passo seguinte arrancar com a AC diretos a Agriloja, que abre portas as 9h,  para comprar uns acessorios a testar no Alqueva Camping-Car Park de Pedrógão...em especial, uma escova para os burros Crazy e Jessy...
Mais uns 70Km andados sobre rodas e chegamos ao destino. Com o sol, a limpidez do ceu e a ausencia de vento foi só escolher posição paralela á albufeira do Guadiana formada pela barragem de Pedrógão, abrir o toldo, tirar mesas e cadeiras, ligar o computador portatil com a pen activa....e relax!
(Jessy de lenço rosa e Crazy de lenço amarelo na nova cerca)
Depois mais pela tarde entretanto arrefecida, passeio pedestre para dar as cenouras aos burros, mas doseadamente… umas festas a cabra Xoné e ao cabrito Boné, que não precisam de cenouras porque são autênticas máquinas de cortar relva, mato, capim e rebentos de tudo quanto pareça verde ou palha…
( Cabra Xoné e Chibo Boné à espera de pão seco...)
Depois foi a oportunidade de acompanhar o guarda do parque, sr. Miguel na caixa aberta até as margens do Guadiana para colher agua para os depósitos de rega… as arrecuas até meio da roda traseira, com o tubo legado ao gerador e la foram mais 1000L para depois se regaram a força de baldes a linha de demarcação dos loendros brancos que a co-piloto She, em tempos escolheu e ajudou a plantar… Nas margens do Guadiana de água apetecível em fundo de calhau rolados, sem lodo, la estiveram também a dar abeberamento a um rebanho de ovelhas, e sentados na água dois jovens, a banhos, em animada conversa…
(aguas mansas, sem lodo, correntes ou remoinhos na albufeira de Pedrógão)
Tempo pois para um exsudação vigorosa sob um sol ainda bronzeador energia gasta e compensada quer na rega das plantas, quer no enchimento dos recipientes dos animais da nascente Quinta Pedagógica, depois frente a um copo de gin aguado e com gelo, (fica o gesto perdido de uma saúde… à nossa!) e com uma cigarrilha açoreana, na esplanada da semovente num exercício de gozo de autocaravana a 100%...como convém neste local!
( autocaravanismo a 100% de toldo aberto para os burros mirandeses)
Tempo ainda para folhear uns guias de França e de mapas para sonhar com uma possível volta de autocaravana por uns doze dias por terras de gauleses…quem sabe se será possível…. até ao Marais Pointevin…e a zona Vulcânica dos Puits… e mais umas voltas e reviravoltas… projetos adiados do passado e que talvez seja tempo de concretizar…

O tempo foi escorrendo, entre emails, e nuvens escassas, e o periplo do Sol a caminhar para poente.  Combina-se com o Sr.Miguel,  jantar na Orada, na Cantina da Mina da Orada da Dona Barbara, com espaço para autocaravanas embora a viagem fosse na caixa aberta.  Prato do dia carne assada de refogado, a fartazana e excelente, com batatas fritas, salada, vinho, pão azeitonas da casa  a sustentar conversas sobre preços de ovelhas, e demais bicharada de campo.
(Cruzamento de sinais...memorial da Avó Vera e parque de merendas)
No fim, saida para a esplanada de fora da Cantina e ali ao chaparro escurecido pelo atraso da  Lua ao encontro de longinquas estrelas, fomo-nos indo atras de um cafe, e de um   gelado...em conversas mansas osbre preços de ovelhas e mais bicharada campestre, que agora no Alentejo ja incluem cisnes, avestruzes, gamos e veados, muflões, poneis e mais estrangeiros de pelo,  pena e patas.
(Rebanho de ovelhas em abeberamento junto a ponte do Guadiana em Pedrógão)
Noite calma e acordar com as patadas dos burros do lado de la da cerca, frente a autocaravana a exigirem mais cenouras de pequeno-almoço. Eram as sete matinais. Boa hora para receber o sol nascente sobre as aguas Guadianas, e avançar para o fogão, as torradas, o café e a "planta" de barrar. O Grande Arquitecto do Universo e Maestro desenvolvia a sua banda musical de fundo com o arrulhar de rolas e trinados de passaros voantes mas invisiveis. Um dia criador, em suma.
(nascer do Sol a oriente visto do Trono de Salomão no Miradouro do Grão Mestre)
Ca fora, debaixo do toldo e frente à mesa desdobravel...os mapas, e a marcador o sublinhar do traçado na prancha de regresso. Por aqui (Portel) e por ali (Oriola e Barragem do Alvito) e seguir por lá (Alcaçovas) e depois Montemor o Velho,Vendas Novas, Vila Franca de Xira e finalmente Alenquer...Velocidade a deslizante nas mesmas mensod e 2000rpm, e com o ponteiro a beijar os 90Km/hora a pequenos goles de gasoleo.
(Cadeiras de pedra à sombra para preparar viagens e itinerarios de AC)
Ora em Oriola a barragem de Alvito corta a estrada velha em duas partes... e fica submersa, em bonita paisagem de margens verdes e de torres tambem semi aguadas, sem perderem o pé...sera que da para ver nas fotos? e do lado de lá...uma concentraçao piscatoria animava quem munido de canas e camaroeiros tentava a sorte...
(Aguas da barragem do Alvito com Oriola ao fundo)
Paisagens simpaticas para uma pausa autocravanista, ou mesmo para os mais afeoites optarem por uma pernoita livre. Escala seguinte Acaçóvas, na mira da Feira do Chocalho...pois estava lá no sítio, mas deserta, pois chegámos as 12h e minutos e a Feira so abre as 19h......passeata de cahpéu na tola pois estava Sol e furisoso, uma ceri aberto- o tal do livro das aflições, não homologado pela ASAE, uma espreitadela num Surf Bar com areia da praia (fluvial?) a fazer decor, e ala adiante!
(Surf bar de Alcçaovas...)
Rumamos pois sem GPS ate Montemor pela encosta sul que permite vistas interessantes osbre os pansod e muralha inexpugnaveis, senão pela erosão dos tempos, e depois ainda hesitamos na bifurcação...por Coruche ou por Vendas Novas? a segunda laternatiave  pouco depois num espaço sombreado, paragem, abertura da escotilha de tecto, e da janela do fogão para arejar...e um preparar almoço, só para um,  almoço para um a  la minute, com lata de atum, milho doce de lata tambem, pão alentejano, queijo idem, agua, fruta nem cheiro...mas de mesa de toalha posta , pratos e talheres...e depois da pausa segue-se caminho, pelas nacionais. Sem pressa, que ninguém nos espera.

Fica o registo rabiscado no moleskine das notas sinteticas a passar para o Blog e das fotos nop chip da maquina fotografica, para as devolver a luz virtual quando houver tempo.
(mesa de pic-nic dos autocaravanistas em Alenquer Camping)

E nada mais. Em Alenquer a troca outravez de viatura, para a citadina, e regresso a de Lisboa, outro dia se voltará à estrada, de semovente....e aqui para partilha das impressões de viagem. É capaz de haver mais solitários (as) por ai, que fiquem estimulados a partirem para a suas pequenas/grandes e desafiantes viagens.

Proxima saida, talvez no 2º fim de semana  de Agosto para as festas de Pedrógão do Alentejo, e para verficar se o charco dos patos do parque de autocaravanas (www.dosdin.pt/camping/Alqueva) ja tem novos residentes entre sapos do Guadiana!

(Gansolindo e Gansalinda)


sábado, março 24, 2012

Saida com a neta Inês (Inesita and Me) ao Alambre e a Pedrógão do Alentejo

Mesa de pic-nic dos autocaravanistas do Alenquer Camping


Primeira saída de autocaravana com a Inês Neta…Inesita and Me…
9-11 de Março 2012.

Em rigor não foi a primeira viagem de semovente com a Inesita. A anterior tinha sido também com o meu filho João e com a She and Me a Aljubarrota, para uma reunião do CAB- Círculo de Autocaravanistas da Blogo esfera que se mantém activo como se poderá confirmar em http://www.cab-circulo.blogspot.com/  


Mas esta saída a 9 de Março de 2012, 6F teve o maior relevo, pois foi a primeira após o espirito de She nos ter deixado no dia 1 de Março, vencido corpo por um maligno cancro, que a todos nos derrotou também. Em conselho de família ponderou-se que importava tentar facilitar a integração daneta amis nova, Inesita (5 anos) na nova situação, evitando um fim-de-semana em que a casa de família estava desoladoramente vazia da presença da sua avó Vera.


(Parque do Alambre)


Assim foi então acordado: sairmos 4…Avô ao volante, Inês neta na cadeira própria e alem do pai da miúda a irmã deste a Tia Joana da Inesita. Sexta- feira partimos da AC do Estoril, ao fim de tarde, já depois das 18h, que entretanto foi levantada do Alenquer Camping, e partimos rumo ao Sul.

Quem viaja com crianças tem quase sempre a preocupação de não fazer etapas muito longas nem demasiado tempo depois de anoitecer. Assim, foi logo acordado não ultrapassar em muito o por do sol o que significou optar pelo Parque do Alambre, explorado pela YMCA/ACM, quer para jantar, quer para pernoita, em pleno Parque Natural da Arrábida.
(Tia Joana na cama da mesa, e Inesita na cama dos bancos da frente)




A rota nada teve de especial…A5, ponte sobre o Tejo, AE e depois saída em Setúbal. Chegados ao local (já referenciado em outras crónicas este blogue), foi escolher livremente pois éramos a única AC, um posicionamento frontal aos sanitários do parque e caminhar para o restaurante.

Mais duas mesas estavam ocupadas e sem ter de esperar fomos aos que interessava…bitoque com ovo estrelado, arroz e batata frita que a Inesita devorou, um pica-pau de molho a pedir pão, bem condimentado e abundante para o João e para o autor destas linhas, enquanto a Joana atacou as amêijoas com proveito, e um jarrinho de branco. A rematar, o descafeinado, a mousse da jovem companhia… tudo por junto, cerca d e 17,50€

Noite estrelada com céu limpo, abluções nocturnas nos sanitários e dormida de seguida com cobertores suficientes a prever noite fresca. Cmas feitas sobre a mesa rebatida, e tudo em paz e tranquilidade como se desejara.
(Portinho da Arrábida)


A noite decorreu sem história, e sábado de manhã, o sol irrompeu luminoso para um despertar simpático e energético, à mesa recuperada da versão de cama nocturna…Fomo-nos ao trivial, mas a miúda ao iogurte com morangos, mais pão, mais queijo, mais leite achocolatado… para depois espairecer pelo bosque contíguo aos bungalows do parque do Alambre apanhar pinhas…

Palas 9 e pouco despedimo-nos do guarda (Sr. Albino) e lá seguimos pelo caminho da Serra e do convento por cima do Portinho da Arrábida, fabrica de cimento, vistas de Tróia, ate Setúbal, com a criança interessada pela novidade das paisagens e das vistas diversificadas. Apanhámos parte da AE, mas com saída para a nacional em Venda Nova, para seguidamente atravessar Montemor-o-Novo, devagar, sem pressas, contornando Évora, e depois ate à Vidigueira…explicando pelo caminho o que eram muralhas… oliveiras, vinha, ovelhas, cabras, etc. que parecia ser a primeira vez estarem a ser avistadas tão de perto pela Inesita.

Uma paragem técnica na Vidigueira permitiu comprar pão e bolachas, e sem demoras em breve estávamos, mais uma vez sós, no Alqueva Camping-Car Park em Pedrógão, e com a chave do autocaravanista, foi só abrir o cadeado do porão de entrada, e estacionar com vista para a albufeira do Guadiana formada pela Barragem de Pedrógão.
( Ao fundo o Guadiana e em primeiro plano o barbecue)


O almoço foi numa das duas mesas de pedra debaixo de um Chaparro de onde também se avista o Guadiana…temperatura amena, céu limpo, sol brilhante, apetite devorador…. Depois, aberto o toldo (sim, é possível e legal faze-lo num parque de autocaravanas) colocada no exterior cadeiras e mesa (sim, também é legal e permitido) criou-se um espaço sombreado para os desenhos da Inesita.




Tarde repousante e calma…na apanha de lírios do campo, ecolocaçao nuamjarra improvisada no banco de She and Me, na passeata até à rede do vizinho para ver as ovelhas de perto, cães, pastores e os cavalos, ate mesmo um passeio ate ao Rio e à ponte… Mas tarde e antes de entardecer uma deslocação de AC ate Pedrógão… a consulta de mails, a leitura de jornais, revistas e das páginas de um livro, e descanso físico e mental. Ainda a propósito o acompanhamento das obras em curso de nivelamento do terreno em curso, contíguo ao Parque onde se vai inserir a Ciclo via em memória de She, a Avó Vera

(Flores do campo para She)

Jantar na Semovente, após o sol-posto, e com entretenimento garantido de douradinhos para a miúda, mais massa mais arroz, e para os adultos carne assada, tomate, macedónia de legumes, sumos, pão, uvas, café…um banquete variado, e aquecido no barbecue do parque, com as suas chamas de fogo a dar um toque mágico à noite. Depois entretenimento adicional com pinturas nos livros de desenhos da Inês, e passeio a pé, já noite, sob um céu estreladíssimo, mas de lanterna em riste para se fechar novamente com a chave do autocaravanista os portões a cadeado, para evitar incomodar o guarda (Sr. Miguel tel. 934 722 436).

Noite serena e descansativa como a anterior a proporcionar um repouso pacífico, tendo só muito ao longe latidos de cães, cantares de galo e repicar do sino da Igreja de Pedrógão.

Domingo 11 de Março, a surpresa do denso nevoeiro ao acordar a tapar toda a linha do horizonte e a cobrir completamente o nascer do sol e o leito da albufeira do Guadiana. Tempo fresco. Deste modo não se justificava mais detença depois do pequeno-almoço. Desfazer camas, arrumar sacos de viagem, mata-bicho para todos, lavar louça, higiene, arrumar cadeiras e mesa exterior, e baixar o travão demão. Outra vez a chave do autocaravanista serviu para abrir e voltar a fechar o cadeado do portão…e rumo ao Alqueva…

Inês já ficar  com uma ideia da barragem de Pedrógão…mas depois de ver a Barragem do Alqueva (seguimos de Pedrógão para Marmelar e daqui para o Alqueva). O dia entretanto estava límpido e o sol reinava no azul celeste sem sombra de nuvens! A Inês ficou impressionada com a altura do muro da barragem e da imensidão de água…a lembrar o Mar.

Sorte tivemos todos, pois como factor de entretenimento (utilíssimo quando se viaja com miúdos) da margem esquerda da barragem estava prestes a partir um grande grupo de pescadores desportivos nos seus outboards para um campeonato de pesca … Lá aguardámos pelas 10h, e assistiu-se assim ao sinal de partida a conta gotas dos barcos dos participantes, nume espectáculo inédito de cor, movimento, e ruídos que para a Inesita constituíram também um primeira experiência!
(Marina da Amieira)


Do Alqueva foi um pequeno salto para a Marina da Amieira. O Sol continuava radiante e para a Inês neta, mais uma experiencia da vista para os barcos enquanto se tomou um gelado na esplanada fronteira à Marina e depois se espaireceram as vistas pelos arredores. Quanto ao passeio de barco…fica para mais idade…

(Velharias em Évora)

O tempo passou sem espaços mortos, e por isso agendou-se a deslocação a Évora, para um passeio pedestre a Praça do Giraldo o e suas arcadas. Fácil foi estacionar a semovente fora de muralhas, do lado da Igreja de São Francisco, nos seus amplos terreiros, onde estavam mais duas autocaravanas…e penetrar no burgo…com tanta sorte que estava a decorrer uma feira de velharias e antiguidades ao lado do mercado, nada interessante para uma miúda de 5 anos, mas todavia foi mais um pretexto para ver coisas diferentes do seu dia-a-dia.

Almoço no Cruz, na esplanada cá fora sob um toldo ali ao lado da Igreja de São Francisco e da sua Capela dos Ossos que nem pensar em ir visitar. Foi um excelente almoço! Com um dia primaveril! Entre outras coisas, marchou uma sopa de cação excelente…azeitonas, rissóis de camarão, bebidas, a tal mousse repetitiva para a Inesita e tudo por pouco mais de uma azulinha. Aceitável, para os 4 viajantes…
(Igreja de São Francisco)


Depois de almoço…programação simples do regresso a penates… sempre pelas nacionais…sempre em direcção a Vila Franca de Xira, sem trânsito, sem pressas, para cruzarmos o Tejo pela velha ponte Marechal Carmona, rumar a Alenquer, trocar a viatura semovente pela de todos os dias, e regressar no final aos Estoris. Missão cumprida! O primeiro fim-de-semana sem a Avó Vera estava conseguido sem traumas, sem perguntas inquietas ou inquietantes, sem a busca de respostas angustiadas. A Avó Vera está no Céu…diz a Inês, e vê-se bem de noite,

- Estás a ver Avô, é aquela estrela grande a brilhar, ali (e aponta o dedo)

- Sim, estou a ver Inês…

- E olha Inês, ela está também a ver-nos. Todas as noites.

(Que assim seja)

(Prontos para outra viagem?)








Nota: Foi detectado um cancro do pâncreas a She a 20 de Maio de 2011, e em Dezembro de 2011 parecia estar debelado. Porém, a viagem de  29 de Dezembro de 2011 foi insuspeitadamente a ultima antes de partir a 1 de Março de 2012, como se relata em:
 http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2011/12/e-de-repente-numa-curva-autocaravana.html
Fica a mensagem para quem padecer do mesmo mal: que ele não permita que se perca o gosto e o interesse pela vida como aconteceu com a Vera.

sábado, dezembro 31, 2011

E de repente numa curva, a autocaravana estacou: A frente, entre Serpa e Brinches, um rebanho de cabras atravessava a estrada acolitado pelo pastor e pelos cães. Adeus 2011! - o elo mais fraco.


(cão vigilante do rebanho de cabras)

E de repente numa curva, a autocaravana estacou: A frente, entre Serpa e Brinches, um rebanho de cabras atravessava a estrada acolitado pelo pastor e pelos cães.

E mais adiante a cena repete-se com um rebanho de ovelhas.

Uma imagem entre outras que ficaram de dois dias, entre Natal e Fim do ano de 2011,numa ultima viagem de voltas e reviravoltas pelo Alentejo com partida do Ribatejo. Para recarregar baterias dum um ano maioritariamente “madastro”.


(Barragem de Serpa)

Tudo começou a 28/12 na 4F de manhã. “She and Me” e a semovente, novamente “back to the road, again”. A “meteo” aconselhava Sul e Sol, e menos km do que uma ida ao Algarve, donde…pretexto ideal para retornar a Pedrógão do Alentejo e arredores.

Eram as 10.30h quando o transbordo de malas se fez no Alenquer Camping, para despertar a bela adormecida da semovente, com a chave na ignição. Sempre pelas nacionais, o primeiro “stop” foi só em Montemor-o-Novo para comprar o Público. Sem trânsito pesado e sem pressas. A gozar a paisagem, a vida, o “relax”, comum dos objectivos em mente: Arraiolos, a Aldeia da Terra.
(caarvanismo e autocaravanismo- 2 bonecos da Aldeia)



Quem quer saber mais? Pois aqui fica a partilha do web: www.aldeiadaterra.pt de Tiago Cabeça, na estrada das Hortas, defronte de Arraiolos, muito premiado pelo seu projecto que esta em pleno desenvolvimento. Segundo se lê no “flyer” ´é a aldeia mais caricata de Portugal, composta por milhares de peças de olaria criativa e contemporânea que recriam ambientes alentejanos rurais e semi-urbanos. Temáticas mais para adultos com humor, embora as crianças possam ver despertados sentimentos pedagógicos na observação daqueles microcosmos. Se vale a pena? -Pelo acesso sim, pela oportunidade lúdica também, pelo preço ficam reticências, pois o bilhete normal custa 5 euros, os seniores pagam 3,50€ e as crianças 2€.

(Ruinas de São Cucufate)



A autocaravana tem espaço comedido para estacionar, se…não houver mais visitantes (havia só mais um, pai com duas crianças na altura). Ficaram fotos feitas de que já divulgamos no facebook em partilha com outros “amigos” da rede social. Resta saber o futuro desta iniciativa a que parece demasiado delimitado para o seu potencial de expansão.


Ora depois, (meia hora é mais do que suficiente) era tempo de afagar estômagos. Assim, pouco depois da Uma, estávamos a desembarcar no Bolas na Azaruja, bem estacionados no amplo parque que rodeia a praça de touros, cumprindo uma sugestão e recomendação do amigo Capitão Haddock destas lides!



Atendidos pelo patrão com a mulher na cozinha, e alguns clientes espalhados pelas mesas. Prato recomendado o do dia. - Ossos! Mesmo ossos que visto no prato do lado desvaneceram as duvidas…era uma sopa, ou ensopado de carne ossada, em caldo de grão com batata, nabo e mais ervas aromáticas. Uma dose a 9.50€ dava para os dois seniores, o que com as entradas, de queijo eco e azeitonas, o melão de sobremesa, aguas e café assomou menos que uma euro-azulinha. Conclusão recomenda-se pela limpeza, pelo acesso, pelos sabores e pelo apuro da cozinheira. Quem quiser lá ir e saber do menu do dia ou marcar mesa aqui fica o número 266977338.

Paragem seguinte na zona industrial de Azaruja para visitar a fábrica local de peças de cortiça em chapéus, vasos, cintos, malas e mais objectos decorativos. Interessante e os preços, de fábrica!


(frescos do tecto de São Cucufate)

A itinerância prosseguiu como delineado…mais para sul…para São Cucufate, quase ao lado de Vila de Frades, ancestral capital do concelho da Vidigueira de que foi donatário Vasco da Gama. Bom estacionamento, bom acesso e sinalização, recepcionistas simpáticas, bilhetes seniores com preço de IVA pré troika, ainda a 1,20€ com direito (ainda) a brochura gratuita. Conclusão: valeu a pena e recomenda-se. E fica uma foto emblemática que faz relembrar em menor escala as mansões de Conímbriga.
(portões abertos do Camping-Car Park de Pedrógão do Alentejo)




O dia estava a chegar ao fim. Mais uma vintena de KM, e chegamos ao Camping-car Park de Pedrógão ao km 38,5 da EM 258 (Estrada Vidigueira-Moura). Por do sol e portões fechados…mas com a chave do autocaravanista foi fácil! (que qualquer um AC pode adquirir) abriu-se o cadeado e os portões abriram-se de par em par, para escolhermos sozinhos, um dos lugares preferidos mesmo de frente para o nascente com a superfície da albufeira do Guadiana formada pela represa das águas da barragem de Pedrógão, em frente.

Pausa técnica antes de jantar. Para ver dissipar no horizonte a poente o halo róseo do sol submerso num horizonte de casario de Pedrógão entalado em montes redondos de chaparros, zambujeiros e azinheiras, que também iam imergindo na escuridão, com uma lua mentirosa minguada, mas em quarto crescente mal iluminava. A natureza no seu esplendor diário pacífico, despoluída de nuvens cinzentas, com uma aragem suave não ventosa, e com uma friagem própria dos tempos, não agressiva.

E depois a decisão, ate Pedrógão…mas de autocaravana, ainda se tentou a Azenha da Aldeia, mas a cozinheira estava doente, e nada para ninguém, e assim a paragem seguinte, no Charrua foi a escolhida. Lá estavam as duas Rosas a mãe e a filha, para nos aconselharem na janta. A opção certa era mesmo o prato do dia - carne de porco à alentejana. Sopa de legumes do panelão fumegante, águas etc…e nem digo o preço Digo? Pois tive que esmolar a minha consorte uma moeda para juntar a minha euro-rosinha…

(Ossos do Restaurante Bolas da Azaruja)

Regresso calmo ao parque de autocaravanas e cumprir o dever de quem tem a chave do autocaravanista, ou seja fechar os portões e recolocar o cadeado na corrente. Depois espreitar a televisão (que tem bom sinal no local, mesmo sem levantar a antena), passar os olhos pela imprensa, fazer um percurso pedestre pelo perímetro vedado do parque, e depois confiramo-nos a Morfeu!

5F amanheceu com a neblina forte, cerrada e densa de nevoeiro vindo do rio, mais a fumaça enrolada do forno de carvão vegetal do Sr. Miguel, com um cheiro a azinho agradável. E às 8h com 8º graus de temperatura hora de alvorada, pequeno-almoço de torradas e café com leite mais os “smarties” dos comprimidos. Depois abrir o cadeado do portão, ida à padaria do Joao Engrola em Pedrógão, passagem pelo mercado e rumo a Orada e depois a Brinches na margem esquerda do Guadiana na procura de uma padaria tradicional, de que havia referência oral.

(Oleiro)


Frustração. Junto ao marcado (espaço amplo de estacionamento) há de facto uma pastelaria padaria, mas só com papos-secos e quanto a padarias há duas, mas têm um pacto fecham as duas 3F e 5F, e assim à data nenhuma estava aberta. Ainda demos uma volta pela igreja e o largo dos cafés, mas a solução só estava em Serpa…e onde? Pois no “Intermarché” que tem pão de duas padarias alentejanas.

Lá nos semovemos direitos a Serpa, direito ao “Intermarché”, fácil de localizar pois basta seguir a sinalização de camping sempre pela circular exterior. E lá comprámos o pão e mais isto, e daquilo. Mais voltas não eram necessárias, e por isso, rumo de regresso a Pedrógão pelo mesmo caminho, mas com passagem pela barragem de Serpa. Nova, elegante, de dimensão humana mas com única companhia de mais um estaleiro da EDIA. Mais umas fotos…

Votamos pois à estrada depois do curto desvio, e foi pouco adiante, logo a seguir a fantasmagórica estação de comboios desactivada, que topámos o primeiro rebanho trasumante. De cabras variegadas de cores, e com chibinhos aos saltos, á ilharga com um cão tipo Serra de Aires a controlar fugas e mais um canito expectante no meio da estrada a policiar o trânsito. O pastor, cajado pelo ar á cacetada nas pragas que não se percebiam, mas que revelavam preocupação com as bichezas. Bonito de se ver, genuíno espectáculo rural.

Pouco depois a cena repete-se, outro pastor, outros animais, ovelhas e borreguinhos, mais homogéneos de cor, com menos saltos mas a mesma aflição de se manterem agrupados, com os cães vigilantes e o pastor de atalaia ao cruzamento da estrada, sem movimento. Nós éramos os únicos estacionados numa imaginária passagem de nível, frente ao trilho dos peludos caprinos e ovinos em movimento. Valeu a pena pausa. E seguimos adiante.

Tínhamos fixado como objectivo seguinte, ir ate S.Pedro do Corval. E pelo GPS e pelos mapas havia duas hipóteses…ou por Marmelar e Alqueva povoação e depois, rasando a Marina da Amieira até Reguengos, ou por Moura, e depois pelo paredão da Barragem do Alqueva, seguindo então para Reguengos.

(mesa de pic-nic dos autocaravanistas do Alenquer Camping)

Em boa hora chegamos ao destino escolhido para almoçar. No restaurante O Aloendro na Estrada para Évora, nº 3B, com bons estacionamentos ao longo da EN. Sala ampla de tipo rústico com bom aspecto. Mesas amplas e com lugares vagos junto à janela. Abancamos e logo o funcionário que tem nome que merece ser fixado pela eficiência e cortesia (Sr. Paulo Grilo) trouxe duas iguarias: queijo de cabra fresco, azeitonas verdes novas retalhadas além do pão a contento. E que escolher? O prato do dia Sopa da panela! E dá para dois seniores uma dose? – pois até sobra, esclareceu o simpático Grilo falante…e de beber? - Pois também um jarrinho do da casa…que venha! E que foi tudo bem almoçado.

No final a sericaia com ameixa como é devido, para “She”, tendo o descafeinado sido a sobremesa para o “Me”, com mais um pedacito do queijo de cabra sobrante. E a conta. Pouco trepou da nota de euro-azulinha. Fica o número de telefone (266502109) para quem se interesse em fazer reserva de mesa.

Após almoço ida e volta a S. Pedro do Corval para dar uma vista de olhos nas olarias, que são de facto, porta sim, porta sim e onde sempre se acaba por comprar uma recordação, desta feita, um imã para a porta do frigorífico.

O regresso estava a ser desenhado para dormida da segunda noite desta escapadinha autocaravanista. Coruche? Samouco? Mora, junto ao fluviário? Ou mesmo na Companhia das lezírias no parque do Restaurante? No inverno, com os dias curtos, mas a crescer, She tem preferência, que eu subscrevo, por uma de três soluções: 1) em “campings”, 2) em “parkings” de AC nos centros urbanos, ou 3) onde quer que seja adequado com mais companhia.

(Plataforma de autocaravanas do Alenquer Camping)

Íamos ver pelo andamento. E desandamos desde logo para Évora, e aqui para uma paragem na Agriloja recentemente inaugurada na zona industrial mesmo por detrás do centro de inspecção de automóveis Controlauto. As mercas foram poucas mas eficientes, uma roseira de trepar, pesticida anti-caracol, e mais dois etc. Para quem tenha varanda, jardim, ou horta uma vista se passar por estas paragens é bem justificada, em preço, qualidade e variedade.

Ora então a partir de Évora ainda havia mais um objectivo a preencher, a visita das Grutas do Escoural. Sem problema com a “lady” do GPS a sussurrar o itinerário lá chegamos. Autocaravana bem estacionada no parque ao lado de viaturas de outros visitantes (ou caçadores?). Porém puro desengano! Portões fechados a corrente e cadeado (aqui nem a chave do autocaravanista entra) e no placard informativo a informação clara: Vistas só com marcação prévia.

(sopa da panela do Aloendro em Reguengos)


Ficou datada a hora do regresso desta viagem…rumo pois, não a Coruche, as referências colhidas são no sentido do local recentemente inaugurado ser afastado do centro urbano e isolado, mas ao Samouco. Chegados, já anoitecia com empenho, e o local afigurou-se ermo e até lúgubre. E a tasca frente ao mini ancoradouro, pouco motivadora. Por isso, sem hesitações seguiu-se à paragem seguinte Alcochete coma intenção de ficarmos a noite voltados para a frente iluminada da Expo. Porem na falta de dados GPS, não se encontrou o local desejado próximo da ponte embarcadouro.

(Moinho de Serpa)




E então? Pois então, naquele sitio e aquela hora, a solução apareceu como incontornável…seguir margem esquerda do Tejo acima, até à ponte de Vila Franca de Xira, jantar no Carregado e depois aportar e dormir na plataforma de autocaravanas do Alenquer Camping.
(Igreja de Serpa)



Assim se fez. Jantar então antes, na ponte da Couraça do Carregado no absurdo nome de Restaurante a Selva de Salsa, nas bombas da BP, cervejaria com balcão e mesas para “routiers” com menus de preço fixo ao almoço e jantar pelos 8€, tudo incluído. Da sopa ao café, com pão azeitonas, com vinho e prato principal. A escolha era variada, mas sem grande imaginação optou-se por dois menus de sopa de ervilhas e entrecosto de vitela. Esta devia ser alcunha de um touro reformado e nevrótico, pois dos dois pedaços de cada dose só um foi desafiar o dente. Abundante, mas…

(Igreja de Brinches)

Chegamos ao final com um saldo positivo de dois dias bem aproveitados. Total de cerca de 670Km,media a “olhómetro” de 11L/100,com preço de gasóleo a 1,309 nas bombas “low cost” do Pingo Doce de Alenquer. Total da factura pouco menos de 100 euros por dia, tudo incluído.
(Escoural...a visita as grutas só com marcação prévia)


(fumaça do carvão vegetal de azinho a sair do forno artesanal)

A noite em Alenquer ligados à electricidade da plataforma das AC permitiu a continuação das leituras da imprensa e a actualização das informações televisivas. E depois o sono. Sexta-feira, dia seguinte havia calendário a cumprir de regresso a pentes, sem porem antes fazer a toilette completa à semovente, com renovação de águas limpas e despejos de sujas. Há que deixar 2011 com vontade de em 2012 haver mais oportunidades de sortidas, de voltas e reviravoltas, pelo menos cá dentro, pelo menos no eixo do Ribatejo ao Alentejo. Que assim seja, porque se assim for, já não será nada mau.
E adeus 2011, que não deixa saudades, a não ser que o Dezembro de 2012 venha a corroborar o ditado…atrás de mim virá, quem de mim bom fará!

Mas assim não foi.
A 1 de Março de 2012 She foi vitimada por um cancro que a ceifou aos 61 anos de idade, deixando-me na memoria 38 anos de vida conjunta, 4 filhos e a ultima viagem autocaravanista, como co-piloto nos ultimos 10 anos de bem mais de 130.00 km, para além da partilha de inúmeros projectos, ideias, e sonhos, realizados e por cumprir.

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