terça-feira, abril 10, 2012

II viagem com Inesita Neta ao Monte Selvagem, ao Fluviário e ainda...ao Alqueva Camping Car Park de Pedrógão do Alentejo.

Um dos icones deste relato de viagem em AC

Na busca dos animais do Monte Selvagem ao ar livre, e dos animais debaixo de telha no Fluviario: Inesita, Jony boy and Me.

Na 5F santa de Páscoa não foi possível começar o fim-de-semana por causa de uma conferência debate no Café dos Direitos da Livraria Almedina em Lisboa. Portanto a partida de autocaravana agendada para a circunstância, foi adiada para dia seguinte. Desta vez a equipagem de companhia foi a Inês neta e o Júnior, seu pai João. Inesita e Jony boy and Me. Três personagens à busca de um itinerário!

O destino que chegou a estar norteado para a Coimbra do Portugal dos Pequenitos, e mais abaixo ao Parque Ecológico de Miranda do Corvo, numa reviravolta ditada por um mix de compromissos em Pedrógão, e de um boletim meteorológico farrusco acima do Tejo, passou a ser a sul, com dois polos de atração para quem tem 5 anos curiosos e irrequietos: O Monte Selvagem e o Fluviário de Mora.


Animais de quinta doMonte Selvagem
Sexta
A partida acabou por ser as 11.30h de Alenquer após retoma da semovente, Ficar o João como co-piloto, e a Inês no seu cockpit amarrada ao cinto do banco de trás, e de ligar o GPS, que desta vez foi cognominado pela Inesita, atendendo as perspectivas da viagem ao mundo dos animais, para Zebra!
Então, com uma Zebra falante dentro da autocaravana, esta lá foi dando as suas indicações. Às vezes quase adormecendo, outras, até parecendo que respondia às questões de…para onde é agora? Já chegámos? Outras vezes, depois das insistentes ordens de comando, de…- na rotunda tome a primeira saída à direita, a Inesita refilava…
-Já ouvimos!
O primeiro destino tinha sido debatido de véspera e com a ajuda da Tia Joana e das pesquisas sobre os descontos do programa VisitAlentejo foi logicamente o Monte Selvagem, no Lavre (entre Coruche e Montemor) com chegada em bom tempo para a hora de almoço ser já em pic-nic, nas instalações do próprio Parque Temático,
Foi um alvoroço quando finalmente a Zebra grunhiu um:
- Chegou ao seu destino! E a Inês bradou:
- Chegámos!

-Chegámos!

Comprados bilhetes, obtidos os descontos, e mal dados alguns passos em roda do cercado dos animais de quinta, caiu uma chuvada que vinha ameaçando, e com uma saraivada de granizo no ar frio de bolas de berlinde geladas. Excelente pretexto para abancar debaixo de telha e ir ao termo saco preparado com os sumos, as empadas, as bananas, e o mais que houvera.
Lamas e Zebras em semi-liberdade

Entretanto apareceu uma cegonha esvoaçante, de pequeno porte e de bico a fazer bec-bec que tentou disputar pão, e tudo o mais que parecia comestível. Tal foi agressiva a ponto de a Inês se sentir melhor refugiada entre as mãos seguras do pai.

Levantado o Sol, derrotadas as nuvens cinzentonas, lá fomos a volta do parque ate seguindo os tratadores para não perder por exemplo, a hora de alimentação dos macacos de rabo de porco… espreitar o camelo de duas bossas, o burro, os crocodilos -parecem de pedra, comentou a Inesita face ao seu imobilismo ao sol. E mais as cabras, os borregos, os galos e galinhas, as galinholas, os saguins, os lémures, cangurus, javalis, pássaros diversos, etc etc.

Antes da partida, a Inês, aos pulos no balão de ar (um trampolim) e a volta aos animais fora de cercados pequenos, mas dentro dos muros da Quinta, em tractor a puxar dois atrelados com bancos sob um toldo protector de qualquer chuva que não apareceu, como não apareceu também nenhum Sol inclemente.

O motorista foi dando as explicações ad hoc possíveis, e desfilamos para os animais ruminantes nos verem além de algumas emas e avestruzes, alem de inevitáveis zebras…estas mudas! . Cumprimos pois a nossa missão com devoção com a Inês muito compenetrada.
Regresso a autocaravana, e com o GPS Zebra palrar seguiu-se para sul, para Montemor, e daqui seguiu-se para Évora, depois Portel, Vidigueira e finalmente Pedrógão, e no portão do Camping-Car Park (EN nº258,Km 38,5) com a chave do autocaravanista, abriu-se o respectivo cadeado sem necessidade de telefonar para o Guarda Miguel. Note-se que a pernoita ficou a zeros escudos, pois a compra da chave do autocravanista (por 50€) dá direito a utilizaçao ilimitada deste parque de autocaravanas durante um ano

Tomámos então o lugar de honra na primeira fila, de chapa para a albufeira do Guadiana da barragem de Pedrógão. Bancos dianteiros voltados e o panorama gozava-se em pleno na mesa agora convertida em prancheta de desenhos. De facto havia que avaliar o desempenho da Inesita como turista…

Lá foi, submetida a interrogatório, superando a prova: que animal gostaste mais? Como se desenha uma ovelha? Um galo? Um macaco? Um cavalo? E pelo método ancestral do 1-2-3 de bolas a zonarem as partes principais da cabeça, tronco e membros dos ditos, e lá foram saindo disformes, dos lápis para o papel quadriculado do caderno. Depois as cores completaram a vocação surrealista.

Resto da tarde em semi-trabalho relativo a execução do projecto da ciclovia, e em conversas com Vizinhos da vizinha Alcaria que nos forma visitar à Semovente. E depois jantar com Me transformado em Mestre Cook de abre latas…atum, milho, ovo cozido, massinha, uvas pão, agua, iogurte, ali, na própria autocaravana.

Uma janela deAC sobre o Guadiana
Depois de jantar, arrumar a mesa, lixo no lixo,  curto passeio pelo terreiro com vista para a iluminação de Pedrógão, acompanhar uma Lua ascendente e Cheia, ou quase, fecho do portão, e depois conversata a três sobre o dia, com  a televisão desligada, para a noite se encerrar numa iniciação ao poker de dados, uma primeira estreia da Inês a fazer Reis, Damas e Valetes, com grande sucesso, antes de entrarmos no Reino dos Sonhos. Por mim, ainda tive a rabiscar umas notas mo Moleskine, versão paperbanks.
Reis, Damas ou Valetes ao poker?
Sábado

Amanheceu com luz, mas enovelada de neblina sobre o Guadiana, como algodão doce, mas menos esbranquiçado. Depois foi-se esfumando até libertar o espelho de água aos nossos olhos, bonito de se contemplar.
Pelas 8.30h estávamos os três viajantes de pé para logo de seguida realizar a operação transformer: base da cama passa a tampo de mesa, colchões de espuma reconvertem-se em coxins e almofadas de sofás, sacos e cadeira de viagem da Inesita transferem-se para cima da cama permanente, e levantados os tampos da bancada de cozinha revelam-se os bicos d Egas e a cuba de lavra a loiça onde dormitaram durante a noite a chapa das torradas, e os talheres lavados! Estou a ficar especialista destas tarefas que dantes era She que assegurava com superior mestria.

Seguiu-se com ritmo o ritual: toalha na mesa, baixela de pratos de plástico, talher a condizer, mini pacote de leite, mini pacote de manteiga, mini frascos de doce tudo tipo buffet de hotel, púcaro ao lume para o café com água (engarrafada, claro), pão fatiado previamente nas chapas de torradas, iogurtes, fiambre e queijo em fatias, e ninguém passa fome. Inesita, mais renitente porém quis comer andando, no prometido passeio a pé.

Seguimos até à extrema da vedação a poente. Saltamos pela porta/escada de caçador, uma descoberta para a Inês e tomamos o caminho de vereda entre propriedades agrícolas que também serve de ciclovia até Pedrógão, uma escassas centenas de metros.

Caminho rural para Pedrógão
O caminho que é agradável e verde, acompanha em parte uma linha de água e as suas travessias pelos caminhos das pedras, enquanto se vislumbram ovelhas lanzudas brancas e castanhas, e outras, já tosquiadas (- foram ao cabeleireiro nota a Inês), cães, cavalos, cabras, e espanto da mais jovem da companhia, galos, galinhas e pastos à solta em pleno caminho de liberdade e… com ovos espalhados pelo mato, num inesperado happenning só superado pelo Presidente Obama na Casa Branca, com a tradicional corrida aos ovos da Pascoa oferecida a população de Washington!



Enfim, um autêntico safari rural, em plena natureza agro-pastoril, com olival e vinha também, a suplantar quase a experiência da Quinta do Monte Selvagem, pelo menos no preço…

Após o regresso pelo mesmo caminho voltou-se à mesa prancheta para mais uma sessão de desenho naif. E a seguir uma nova caminhada, neste caso, agora para nascente percorrendo o caminho já em preparação final para a pista ciclável e pedestre da Avó Vera, cruzando a linha de água da propriedade, e aproveitando o solos calcados pelos grandes rodados das maquinas pesadas, que implantaram o canal de rega de Selmes construído pela EDIA.
 
O regresso foi feito depois do reconhecimento do poço do hidrante, cruzando novamente a húmida linha de água, já a meia encosta por entre azinheiras e chaparros, oliveiras silvestres e exuberantes maciços amarelos de giestas, e até de lavandas selvagens, para dar uma vista de olhos aos fornos tradicionais de carvão vegetal.

Animais desta vez topados pela Inesita só melros, rolas, uma joaninha e uma borboleta. Duas bolas secantes, com um grosso risco ao meio em desenho, deram para representar a borboleta, enquanto uma bola preenchida a vermelho, passou a ser a notação da joaninha no bloco da Inês neta.

Quase preenchida a manhã, foi tempo de levantar ferro (o travão de mão) religar o GPS dito Zebra por Jony boy, e aproá-lo a Monsaraz. Porém, na Aldeia da Luz decidi-me por uma finta. Virei para a esquerda e com os repetidos avisos da Zebra a zurrar – quando puder faça inversão de marcha, segui directo ao Museu, mesmo antes de este fechar.

Foi mais uma hipótese de um flash cultural para a Inesita, por condescendência simpática da recepção, que autorizou um minuto de visita para se detectar o barco de pesca fluvial, e alguns artefactos de agricultura ancestral de madeirame e ferro.

Afinco do desenho dos animais do campo
 
E daqui, dado passar entretanto das 13h, a hora determinou o local de almoço, precisamente no espaço para autocaravanas da Aldeia, onde pairavam mais três casais de Autocaravanistas, ingleses, espanhóis e holandeses, uns em banhos de sol, outros a mudar águas, e outro ainda em recolhimento sonolento. Nós, dentro da AC, a comer…carne assada, legumes, incluindo grelos, batata doce e cenouras, ovo cozido, aguas , sumos, cerveja sem álcool, tarte e café. Tudo a funcionar bem…frigorifico, fogão, e apetite Q.B.

Chegada altura feito o deménage consequente, com mais lixo no lixo, lá demos a satisfação merecida à zebra para seguir para Monsaraz, sem detença em Mourão, cujo castelo foi apontado a dedo para pontuar a promessa, de que para a próxima vez o iríamos tomar de assalto, para mirar do seu alto as terras de Espanha ali ao lado.

O mesmo critério do dedo apontado foi adoptado na subida para Monsaraz. Ali ficou a promessa de vista ao Castelo, para a próxima incursão ao Alentejo. A opção foi desta vez visitar o cais fluvial de Monsaraz…e lá estava um barco turístico, e mais 3 autocaravanas a gozar a beleza da paisagem mais umas tantas famílias em pic-nic de sábado de Páscoa. Nós aproveitamos para mais um passeio pedestre ribeirinho a fazer tempo d e digestão do almoço, que deu para vislumbrar uns saltos de peixes (achigãs) nas águas mansas.

Cais fluvial do Alqueva em Monsaraz
 
E prosseguimos viagem, novamente com a Zebra a comandar as opções estradistas. Direcção final, Cabeção, Mora no Fluviário e Parque Ecológico do Gameiro, com travessias de campos imensos e agricultados de Trigo ou de olival e vinha, com rebanhos de vacas, ovelhas, cabras incontáveis pois eram tantas, tantas e mais tantas, que somadas deram…o resultado esperado: -eram tantas!

Chegados ao local como já conhecia a atracção (excepto as três lontras televisivas recém-nascidas) optei por ira a descoberta da ponte de madeira que vai até ao açude o Gameiro e que parte do estacionamento do Fluviário, para deixar pai e filha descobrirem juntos os peixes, os camarões, caranguejos, lontras, rãs e similares, e o que mais que impressionou a Inesita foi a Raia, o peixe faca, o peixe gato, e a Moreia…a cobra d égua, de que ganhou um exemplar em peluche a utilizar como um cachecol!

Umas quatro autocaravanas foram ao Fluviário...
Estava feita Festa!

Decidiu-se passar a noite em Coruche no parque da feira mensal (próxima a 26 de Abril, quando não é possível a sua utilização) onde foi criada uma área gratuita de AC, e respectiva estação de serviço. Pena apenas, que não haja alguns lugares dimensionados para o gabarito das nossas viaturas.

Como o Lidl supermercado, fica ao lado, algumas compras adicionais completaram o nosso jantar: cogumelos laminados, com macedónia de legumes e salsichas e frango desfiado em arroz pré-cozinhado com ketchup para quem quis. Faltou açafrão e uma casca de amêijoa para o alcunhar de paella! Sobremesa de queijo dito picante, mais a agua, o sumo e a cerveja sem álcool e o café no final para mim.

A digestão fez-se pelo passeio ribeirinho bem conseguido para a requalificação da urbe com os seus espaços ajardinados e estacionamentos, para além do parque infantil. Bonito por de sol a legendar o fim do dia. Porém, deserto total de turistas e de autocaravanas.

Antes da deita fomos à batota, deste vez o poker de dados mais completo e lançados num copo de plástico os 5 dados lá giraram sucessivamente as suas rodadas para fazer ases, reis, damas, valetes, 10 pintas e nove pintas. Quem ganhou não sei, mas que a partida foi animada foi…ate que Inesita assumiu: - Tenho sono!

Foi o sinal para o processo de metamorfose já rotineiro, e mal tempo me deu para o recall de memorias a registar.

Praia fluvial e paredão ribeirinho de Coruche
Domingo de Páscoa, 2012

Get up ás 8.30h.Sol invasivo e brilhante, Bom tempo. Pequeno- Almoço como de hábito, e higiene com o boiler renitente em produzir água quente. Depois tentativa frustrada para dar pão seco aos patos de véspera, que porém estavam agora ausentes em parte incerta, e por isso a partida de Coruche, seguiu-se de imediato direitos a Alenquer para por a semovente no seu pousio habitual, a mais que tempo, para depois de passar Vila Franca de Xira no automóvel ir almoçar aos Estoris com mais família.

Mais uma missão cumprida. Outras se seguirão com o ânimo e animação possível. A próxima viagem será provavelmente para a inauguraçao da Ciclovia e trilho pedestre em Homenagem à Avó Vera. E tributo de Me para She.

A curva do Chaparro da ciclovia e trilho pedestre
da Avó Vera

 

2 comentários:

Tribo das AC's Clássicas disse...

Parabéns, vejo que foi uma Páscoa 5 estrelas.

João Sá disse...

Uma viagem interessante só pode ser pelo Alentejo :)
Cumprimentos