quarta-feira, novembro 10, 2010

Carol and Me: Aljubarrota, Mosteiro Batalha e Pia do Urso - parque eco sensorial

(estandarte de D.Nuno Alvares Pereira)

Desta vez, o relato de viagem é sobre Carol and Me, ou seja de um pequeno périplo com minha neta Carolina, que tocou nos quatro cantos de um quadrilátero irregular formado por Aljubarrota (campo de Batalha) Mosteiro da Batalha, Pia do Urso e a referência da saída e reentrada da auto-estrada, em Fátima. Facto indiciador que esta viagem com forte componente turístico cultural pode ser partilhada com jovens estudantes, pelo menos a partir dos 8/10 anos, e por quaisquer adultos que além disso prezem também a gastronomia.

Meio utilizado uma viatura de todos os dias. Tempo da viagem desde as 8.15h até as 19.15h.

Partiu-se de Lisboa pelas 8.15h, boa hora para o encontro em Santarém, não na scalabitana urbe do Tejo, mas na prosaica estação de combustíveis da auto-estrada, para encontro com outros amigos com quem estava aprazada esta expedição.

Tempo? Excelente típico de um verão de São Martinho, que pelo calendário só chega a 11 de Novembro, mas que antecipou a vinda para sábado dia 6 do mesmo mês. Céu desanuviado, Sol sério e desimpedido. Temperatura azulada e soalheira, portanto. Ventos e chuvas ausentes. A perfect day, diria Lou Reed.

A visita de estudo guiada começou verdadeiramente no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, da Fundação Aljubarrota (www.fundacao-aljubarrota.pt) de que foi grande impulsionador o Dr. Alexandre Patrício Gouveia.

Primeiro a explicação sobre o fosso defensivo escavado e incluído sob a telha do Centro e logo de seguida o espectáculo multimédia no anfiteatro. Pela segunda visto, e pela segunda vez é interessante e recomenda-se. Tem relevo o desempenho dos autores e actores. E do lado português anota-se pelo paradigma que revela e hoje actual, em muitos campos de actividade…que até os irmãos de Nuno Alvares Pereira estavam divididos entre Portugal e Castela, bem como outros nobres, e que do lado português foi decisivo o apoio dos besteiros ingleses, não esquecendo claro, que Dª Isabel de Lancaster, mulher de D.João I, era inglesa. Realismo na Batalha filmada e nos sons gravados QB.


Aquele dia de 14 de Agosto de 1385, durante uma simples hora ao entardecer determinou uma página de independência conseguida, pela força, mas acima de tudo pela estratégia, pelo planeamento e pela inteligência na preparação e ocupação do terreno. Belos exemplos ainda hoje para qualquer intervenção social mesmo que não guerreira, por exemplo, em favor do Autocaravanismo itinerante. Toda a Batalha ressuma estudo, e não atitudes de ferrabraz petulante. Vitória pois outra vez, de David sobre Golias, pois os portugueses seriam pelo menos cinco vezes menos que os espanhóis. Vitória da minoria qualificada sobre a maioria quantificada, porque mesmo antes de hoje, a ditadura da maioria deve conter-se perante o respeito pelas minorias.

Percorrer depois do filme as salas museológicas constitui um valor acrescentado para o visitante, que pode sopesar uma espada, remirar uma cota de malha e seu elmo, e ate segurar nas mãos uma besta. E ver pequenos filmes de reconstrução de um crânio perfurado por uma seta, e fotos e mapas.

Saídos para o exterior foi o percorrera guiado pelo campo de Batalha. Da retaguarda lusa até ao quadrado defensivo, passando pelas alas dos archeiros e besteiros ingleses e pela Ala dos Namorados. Identificação das covas do lobo, e das trincheiras e fossos para derrube de cavaleiros, dissimuladas que estariam, e também para tropeço da infantaria, igualmente travadas por estacas de madeira e abatizes de troncos pontiagudos. Vislumbre externo da capela mandada erigir ex-voto por Nuno, feito Condestável, no exacto local da sua posição no teatro de guerra, e hoje fechada para obras de reparação.

E por fim ida até ao limite do terreno onde estariam as confiantes hordas inimigas, sob o comando de outro D.João I, este de Castela e Aragão. E doente.


Por fim o almoço, no Restaurante da Casa da Maricotas, nome da governanta Maria, nazarena, de Eça de Queirós que deixou descendência de cozinheiras que a honram. O papa de labeças (farinha de milho ou trigo com couve portuguesa) migas da mesma esgalgada couve e broa esfarelada, e franguinho do campo grelhado mais carne no carvão com morcela de arroz. Nem se diz mais, bastam as fotos e como diz um amigo destas andanças, uma foto, mil palavras.



Esmoeu-se pelo percurso inverso até ao parque de estacionamento para se seguir para a Batalha, para o Mosteiro, melhor dito ainda, para o Mosteiro de Sta. Maria da Vitória. Entradas gratuitas para crianças até aos 14 anos e com redução de 50% para os seniores.


Visita eita de circuito… a capela funerária real lateral, com os túmulos reais de D. João I e mulher e ao fundo a dos seus descendentes… incluindo D. Fernando falecido em Marrocos, depois de aprisionado em Alcácer Quibir, D. Duarte, D. Pedro, e D. Henrique o navegador… o altar, o transepto, e depois a sala do capítulo, onde hoje esta o túmulo ao soldado desconhecido, e o refeitório, hoje sala de exposição de memorabila militar, a seguir o claustro principal com a sua extraordinária fonte branca, o claustro menor, a saída para a rua, e a reentrada nas capelas imperfeitas, e por isso mesmo a céu aberto. Explicações à Carol, língua de perguntador insaciável, as possíveis, mas sempre a estimular mais perguntas por perguntas e não apenas perguntas por respostas.

Para ver mais ver no Web site do Igespar: http://www.igespar.pt/pt/monuments/38


(fonte do claustro Maior)

Finda a visita, começava o entardecer, a humidade e friagem escura da neblina cadente. Rumo então rápido para a Pia do Urso algures na Serra de Aire, em S. Mamede. Quem quer ver mais siga o link do youtube:


http://www.youtube.com/watch?v=9R7ObcInxXM&feature=player_embedded#!

Lá percorremos os caminhos deste único parque eco sensorial europeu, na hora com o restaurante fechado, mas com o bar aberto e varias lojas de artesanato, incluindo a recepção.

Curioso o empedrado dos caminhos, a recuperação desta aldeia e os toros de madeira, as vedações, as casas de pedra bem conservadas, os vários tópicos de interesse ao ar livre, como por exemplo: a estação do planetário. A estação do ciclo da água, a estação jurássica, a estação lúdica e a musical, a zona das pais e finalmente a pia do urso. Caia já uma neblina molhadiça, e escurecia, por isso a foto é a posive e não permite distinguir do outro lado d ápia um urso corpulento e realista em boneco de cimento, pintado de modo a dissimulá-lo na folhagem, contribuindo para o seu realismo. De dia voltaremos, em outra jornada, se calhar Autocaravanista, se calhar com outra neta, para rever melhor o que não foi agora bem visto.

(pia do urso ao entardecer, com este dissimulado na folhagem)
- NOTA:

Quem viage de autocaravana pode estacionar e pernoitar em:
- Parque de estacionamento do centro de interpretação de Aljubarrota
- Parque de estacionamento do Santuário de Fátima

- Área e estação de serviço de Autocaravanas da Batalha

1 comentário:

Figas disse...

Sim Senhor!
Preciso, conciso e de fazer crescer a vontade de efectuar passeio semelhante.
Excelente relato, com enfoque naquilo que deve ser visto e revisto, sempre
Obrigado pela entrega

Arnaldo Figueiras