Mostrar mensagens com a etiqueta Mr Bogus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mr Bogus. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, março 21, 2008

I MESA REDONDA SOBRE AUTOCARAVANISMO

I mesa redonda da Newsletter AC & CC
sobre autocaravanismo



(Paris 12 e 13 de Março de 2008)

Nota de Ordem: A equipa de redacção da Newsletter do Blogspot tem recebido inúmeras sugestões e propostas de iniciativas, por parte do seus milhares de leitores comprovados. Apesar da boa vontade não é possível dar seguimento a todas essas ideias, e que incluem além de entrevistas, a realização de mesas redondas sobre a ética dos foruns e blogs, o caderno reivindicativo dos autocaravanistas, a estratégia de lobbying, a política de relações com a comunicação social e ainda,com mais insistência, a questão da estruturação institucional do autocaravanismo.

Por esse motivo, aproveitando um momento de lazer numa deslocação em reportagem num road test a Paris e Berlim, no dia 12 de Março e na cidade da luz, e numa autocaravana, estacionada no camping do Bois de Bologne, optou-se por levar a cabo a I mesa redonda da Newsletter, com a presença dos companheiros habituais de viagem, ou seja Decarvalho, Mr. Bogus e Herr Knauser, já conhecidos dos nosos leitores, e pela primeira vez, Lady Nokia, detentora do GPS 6110, que fez um estreia absoluta na viagem deste road test, (raid Alenquer, Paris, berlim, Alenquer) e verdade seja dita, com alguma satisfação pelo entendimento que foi possível estabelecer em geral, com a consorte co-piloto.

O tema escolhido foi pois o de maiores insistências recebidas: a questão da estruturação institucional do autocaravanismo em Portugal, e sem outras regras de jogo que não sejam as da auto-contenção dos intervenientes, para se dispensar o moderador.

Decarvalho. Boas vindas, os meus agradecimentos aos meus companheiros e convidados Mr. Bogus, Herr Knauser, e Lady Nokya, pela vossa disponibilidade. Ora bem, comecemos então. Ainda se tentou estabelecer um sistema de video conferência directa para o forum do CPA, e do CCP, ainda com uma extensão para Moncorvo, mas não foi possível, assegurar a qualidade nem do som nem da imagem, e onde simultaneamente mais de 100 autocaravanistas participavam na inauguração de mais uma AS. Também não foi possível estabelecer uma ligação ao Blog da Triganinha. Azares tecnológicos.. .

E já agora proponho um teste...não nos tratemos nempor tu, nem por você....e a ver vamos se a cordialidade e são convívio são ou não, passíveis de atingir os padrões elevados de elegância cívica e cortesia, que todos praticamos, e estamos habituados a usar naturalmente, (porque são intrínsecos, e não de mero verniz) e sem esforço nesta Newsletter!

Começam as senhoras...

Lady Nokia. Boa noite a todos os autocaravanistas e todas as autocaravanistas, Não suporto o machismo e o marialvismo de se falar só nos autocaravanistas, então as autocaravanistas? Ainda agora ao se falar na área de Moncorvo...fala-se em 100 autocaravanistas, e os co-pilotos, perdão as co-pilotos? Não são também autocaravanistas? Então devemos falar em 200...

Mr Bogus. Então, e no caso em que são mulheres que conduzem? Os co-pilotos também contam? E as crianças ou jovens da família que acompanham o condutor?

Lady Nokya. Não me interrompa...

Herr Knauser. A mim o que me parece é que se deve falar em automobilistas de autocaravana!

Lady Nokya. Já vi que faz falta aqui um moderador, já é a segunda vez que me interrompem! O que eu quero dizer, é que a estruturação para o autocaravanismo já está feita! Esta mesa redonda não tem qualquer utilidade, pois tudo já está em ordem. Há uma Federação que serve o campismo o montanhismo e o autocaravanismo. Pronto !

Nisto ouviram-se vozes de não apoiado vindas do Forum do CCP e algumas vozes de vaias e outras de muito bem, do Forum do CPA.

Lady Nokya....Como eu eu dizendo...além de uma federação que já existe, há clubes de campismo e caravanismo com sócios e sócias que também são autocaravanistas, e até há um clube só de autocaravanas, dois foruns, do CPA e do CCP, alguns blogs, para quê mais coisas? Só serve para atrapalhar!

Decarvalho. Ora quem fala assim não é gago, mas Lady Nokia falou muito menos durante a viagem! Quando era mais preciso, perdia o norte, mas paciência....e isto para não falar nas rotundas que desconhecia nas suas indicações de navegação! Eu entendo que neste momento o autocaravanismo já passou a fase das autocaravanas como objecto de uma política, e que se deve falar em clubes de autocaravanismo, em vez de clubes de autocaravanas, como não se fala já em clubes de tendas ou de caravanas. O importante são as pessoas, elas é que agem, e não as coisas.., e quando as pessoas se reduzem a coisas, coisificando-se as pessoas, então não há ideias. Digo mesmo mais, quando as pessoas se reduzem e se consomem nas suas coisas, quando acham que tendo uma autocaravana são autocaravanistas, ficam aquém da realidade!

Lady Nokya. Oh Decarvalho ! assim ninguém o percebe!, então com essa historia do ter e do ser? Isso é muita areia para a minha camionete, perdão, autocaravana. Eu quero é passeios, concentrações, fogo de campo, canções com refrões dos companheiros, e conhecer mais parques de campismo.

Herr Knauser. Eu tenho estado calado, mas uma coisa são autocaravanas, outra proprietários de autocaravanas, e outra ainda os autocaravanistas. Não é o hábito (indumentária) que faz o monge, mas sim o hábito (comportamento) que identifica o monge. Portanto, um stand de autocaravanas, ate momentaneamente, enquanto as não vende, é um proprietário de autocaravanas, mas não um autocaravanista. E além disso, um autocaravanista pode ser o co-piloto, ou a co-piloto de um condutor de autocaravanas, ou seja, um automobilista de autocaravana. Por outro lado reparem bem, até se pode ser autocaravanista, ou seja automobilista, sem ser proprietario de uma autocaravana, ou de um automóvel.

Lady Nokia....Pois é nunca tinha pensado nisso. Um autocaravanista até pode nem ter autocaravana!, pois pode aluga-la...ou pedi-la emprestada..boa !

Decarvalho. Ora vêm como a filosofia ajuda...eu acho que a pessoa é o centro de tudo, e a pessoa pode ser também autocaravanista, golfista, caçador etc, e só nessa media é que pode estar interessada em agregar-se com outras pessoas em associações, ou clubes...Por mim acho que não devemos reduzir tudo ao autocaravanista, como se pudesse haver autocaravanistas sem antes haver cidadãos...

Mr. Bogus.
E eu não falo? Com esse discorrer intelectual que não vai interessar a ninguém...já estou mesmo a ver a cara do sr. Das Silvas...ou do sr. Mau Rio a protestarem...Eu vou direito ao assunto: Para mim o CPA é que tem de assumir as rédeas do processo de institucionalização do sector, e estruturação, e tomar a liderança do autocaravanismo. Ou seja, o CPA e a sua direcção é que têm de meter mãos a obra. Tem que se assumir como um grande clube que são todos os seus 1500 membros, mais do que no estrangeiro os clubes de autocaravanismo têm como associados!

Lady Nokia. Pois, pois...1400 campistas se calhar, e 100 autocaravanistas!

Mr. Bogus. Para mim o CPA tem que criar é um Instituto Privado Para o Autocaravanismo Português, assim mesmo, o IPPAP...depois deve pedir um subsídio para efeitos de prevenção rodoviária e campanhas afins, ao Governo, claro, olhem que para o ano há eleições e os políticos querem ser eleitos outra vez...e esse Instituto, com dinheiro e pessoas contratadas devia estudar os assuntos... e depois propor ao CPA que as aprovasse e levasse por diante...essa ideia do observatório é pouco...

Lady Nokya. Um IPPAP...para papar o quê...isso cheira-me a poleiro...lá isso cheira, ou a pedestal para alguém? Algum general? Para mirar as coisa de cima, e não fazer nada?

Herr Knauser. Meu caro amigo Mr Bogus, essa ideia é um pouco ambiciosa...criar uma estrutura como um Instituto, ou mesmo uma Fundação, era boa, se o CPA fosse um clube com meios, com historia de intervenção institucional, e mecenas, e ate uma massa crítica numerosa....ora só muito recentemente, com a direcção anterior é que esse caminho começou a ser trilhado, e ainda por cima sem aceitação generalizada...Para mim o CPA não esta ainda preparado para dar esse passo... Já viram quantos ( e o que) escrevem para o Forum? e os erros ortográficos graves? assim ninguém nos leva a sério...E no CCP, já viram que poucos ou nenhuns se interessam por querer dispor de um instrumento juridico? até podia ser um cyber clube de autocaravanistas, virtual, para fazer número e não alterando em nada aquele portal...
O que eu acho, e até já deixei aqui essa ideia nas entrelinhas, o importante é o conceito de automobilista. Tem de ser a partir dessa realidade económica e social.... e a partir dela construir um conceito e uma metodologia ganhadora para o autocaravanismo...Não concordam que sem automobilistas não há mesmo autocaravanistas?

Lady Nokya. Olha-me para este...um é teórico, o outro economista, e esquecem-se todos que já há uma federação...e que ate já registou os símbolos todos que se usam em Espanha e por esse mundo fora, com o logotipo de autocaravanas só para ela...e já esta tudo, tudinho mesmo, no boletim oficial do registo de propriedade industrial! E vai ser dinheiro em caixa começar a cobrar até no estrangeiro, pelo uso dos sinais que a nossa Federação registou...Olá se vai! Estamos aqui é a perder tempo...

DeCarvalho. Lady Nokia..... Hello ! Acha mesmo que o Estado e as Câmaras Municipais para não falar nas entidades privadas, agora vão ter que pagar alguma coisa à federação, ou sequer ter que lhe pedir autorizações? Não pense nisso...um erro de registo, pode e dever ser sempre emendado, o CPA que se mexa, com a ajuda do Provedor de Justiça, e do próprio Ministério da Administração Interna...e se necessário que se recorra para a Comissão Europeia...

Herr Knauser. Ora vejam lá quem é que agora interrompe quem? Eu vou já concluir: Ora se o automobilista é o epicentro, para mim tem de se falar com clubes de automobilistas, muito mais do que com pessoas ligadas ao campismo ou ao caravanismo! Nem clubes de autocaravanas, nem clubes de autocaravanistas, mas sim autênticos clubes ou instituições do autocaravanismo, o tal automobilismo de autocaravana...esse é que é o cerne da questão!

Lady Nokia. Onde é que isso nos leva?

Herr Knauser. Pois leva à minha conclusão. O maior clube de automobilistas é o ACP. Logo há que ganhar para a causa do autocaravanismo o ACP...O Automóvel Clube de Portugal...o Decarvalho sempre defendeu essa aproximação e ideias, não é verdade? E se ganharmos o ACP, e este ganhar os seus associados para o autocaravanismo, já temos uma instituição forte e prestigiada para dialogar, e com quem cooperar, e já agora, também com um logotipo arejado e moderno...neste sector...o que faz falta ao autocaravanismo, é falar-se não só de autocaravanas e de autocaravanistas, como proprietários de autocaravanas. Deve-se insistir nos automobilistas...e assim acho que o ACP aliado ao CPA, e a outras vozes do autocaravanismo, como o CCP. Três vozes podem ser a base de uma Federação com maiúscula, e a sério...
Desde que o CCP se transforme em entidade juridicamente relevante...por exemplo como os condomínios, em ente equiparado a pessoa colectiva, isso já permitiria ao ACP reclamar-se do estatuto de federação do automobilismo, incluindo o autocaravanismo, e dentro dessa nova Federação teríamos o problema do autocaravanismo resolvido...

Mr Bogus. Herr Knauser...e acha que o ACP ia aceitar a minha ideia do Instituto? e que também pode ser uma Fundação, claro. Haja mecenas! Estava aqui a pensar se os empresarios da ACAP...

Lady Nokya. O que vocês querem é destruir a federação do montanhismo do campismo e dos símbolos do autocaravanismo!

Herr Knauser
...Lady Nokya....olhe que ninguem falou aqui contra a federação do campismo e caravanismo e montanhismo...o problema esta só no autocaravanismo, entendeu? Acho que o mais importante é termos uma reunião a alto nível e séria sobre isto. O Decarvalho ja falou várias vezes em se organizar um seminário, ou mesmo um congresso, eu acho bem, e se nesta mesa redonda se vir que ha várias correntes de opinião, várias alternativas, que mereçam essa inciativa, eu cá apoio...Oh Decarvalho, o meu amigo está muito calado...

Decarvalho. Que querem vocês...estou a tomar notas para depois as poder publicar na Newsletter, e assim poder divulgar, e partilhar as vossas ideias com mais leitores, não só do Blogspot,mas também dos foruns do CPA, do CCP, e ate com o ACP...
Mas não me furto a dar a minha ideia.
Em primeiro lugar convem desde ja dizer que uma reuniao a alto nivel tem de ser de estados maiores. Não é nada connosco, a nível de execução, mas sim com os dirigentes associativos do sector. Espero que eles estejam atentos e actuantes, e claro que compreendo que se já há contactos em curso, eles não venham para a praça pública antes de tempo...

A mim parece-me que temos que ser realista e Lady Nokia, não é realista...era mais bonito ser simpático com uma senhora, e ter uma frase mais diplomática, mas a cortesia não é sinónimo de cinismo. Eu estou em desacordo com a o acantonar do autocaravanismo no conjunto das actividades de campismo e similares, como é o caravanismo, porque se trata de uma realidade, por natureza diferente. Claro que se pode fazer campismo com um autocaravana...Pois não estamos todos aqui reunidos em Paris, numa autocaravana e dentro de um parque de campismo?
Mas também se pode fazer campismo, até com um (num) bungalow...mas é evidente que o autocaravanismo também se pode fazer fora dos parques de campismo, e para além dos parques de campismo tradicionais. Isto é, pode utilizar apenas os serviços dos parques de campismo, com ou sem pernoita....Esta é a realidade dos factos que os próprios governantes em Portugal ainda não compreenderam.... O autocaravanista é semovente e itinerante...não acampa, viaja!

Mr Bogus. Então concorda comigo...o CPA criar o tal Instituto...

Herr Knauser...Ora essa!

Decarvalho.
Vamos mais devagar...O Herr Knauser colocou umas objecções sérias a essa ideia, e ideias sem possibilidade de concretização são castelos no ar, ou castelos de areia...

Herr Knauser. Claro, o meu amigo então está do meu lado...apoia o ACP, para este criar uma federação com o o CPA e outras entidades como o CCP...ou o Clube de Autocaravanistas Naturistas...

Decarvalho. Também não tanto. A mim parece-me que neste actual momento do autocaravanismo ainda não pisamos terra firme...ainda não há entre os próprios proprietários de autocaravanas um pleno assumir da sua condição de autocaravanistas, que querem que o autocaravanismo seja um sector económico social de relevo. Ainda há muito egoísmo do género, paguei impostos, dou dinheiro a ganhar, logo posso parar a autocaravana onde quero, e me apetece...Há muito a fazer de pedagogia...
.
Lady Nokya. Boa, boa, aí estou de acordo consigo..claro que não podem parar onde querem...só em parques de campismo, e apoiados pela federação. Até acho que só se deve poder dormir nas autocaravanas usando um saco cama! Quando a minha federaçáo tiver os mesmos poderes que a ASAE vão ver...vai ser cada rusga...

Decarvalho. Ora deixem-me concluir...O que me parece é que há verdades nas sugestões do Mr Bogus, e outras nas opiniões de Herr Knauser, que devem ser aproveitadas, mas escalonadas no tempo, isto é integradas numa metodologia, e numa estratégia bem planeada...

Mr. Bogus, e Herr Knauser. Ou seja.....Nim ?

Decarvalho. Não, nada disso ! Ou seja... o que eu proponho, é que o CPA inicie imediatamente conversações a elevado nível com o CCP e o ACP... para criar um Observatório não Governamental para o Autocaravanismo (ONGA) com o objectivo de redigir em 6 meses um livro branco do autocaravanismo em Portugal...
Mas para chegar a essa situação, é necessário antes de tudo, que o CPA crie um grupo de trabalho rebuscando entre os seus associados mais qualificados, por exemplo entre membros das direcções anteriores, as colaborações necessárias...rejeitando as ofertas de quem se põe em bicos de pés...naturalmente, se nada tem para oferecer, senão isso mesmo...grandes cabeças do dedos grandes dos pés... E quanto a mim era bom ter desde logo alguém do CCP...

Lady Nokia. Mas que mal educado...que falta de diplomacia...

Mr Bogus e Herr knauser. Ora conclua lá Decarvalho....

Decarvalho
. Pois já estava mesmo no fim...esse grupo de trabalho..devia fazer uam listagem de reivindicações dos autocaravanistas, e relatar o que ja se faz lá fora por ex. em Espanha e França que interesse a Portugal, como modelo...depois, esse trabalho prévio devia ser completado com um inquérito, o mais alargado possível, como apoio do CCP e do ACP...e ainda de outras entidades a convidar, para o tal Observatório Não Governamental do Autocaravanismo, como a PSP e a GNR, a Associação de Municípios, as autoridades de viação e trânsito...etc...

Lady Nokya. Já estou a ver... isto é mesmo coisa, só para homens...e depois do Observatório, lá vinha a ideia do Instituto...e quando estivesse tudo maduro, coitadinha da minha federação, ficava só com os campistas, e se calhar sem os montanhistas...e cá o pessoal das autocaravanas lá se safava...ele era Observatório...ele era Instituto...e ate uma Federação de Automobilistas...e com autocaravanistas ao meio...o que vocês querem é poleiro...o abutre dos pântanos é que os topa! Olarila...

Decarvalho, Mr. Bogus e Herr Knauser..pois, pois....

Nota: nesta altura caiu a linha GPS, a linha satélite e de internet da vídeo conferência, e a mesa redonda acabou, por ter chegado aos fim do seu tempo de antena. Mas este e outros temas vieram para ficar, e a Newsletter com estes ou outros interlocutores, vai prosseguir a sua política imparcial e informativa de realizar outras entrevistas e mais mesas redondas sobre os temas que interessam ao autocaravanismo sério e responsável. Regista-se o patrocínio da Dosdin Sa, e do seu gabinete de estudos e investigação jurídica e administrativa sem o qual não seria possível o apoio às intervenções dos membros desta mesa redonda.




quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Entrevista com o leitor da Newsletter Mr. Bogus

Entrevista com Mr. Bogus.
Mr. Bogus é um dos leitores mais assíduos do Blog. relê textos, critica as fotos, emenda dislexias digitais, soletra sugestões, dá dicas, recomenda sites, transmite opiniões e até por vezes pede palpites. Nunca pergunta por respostas, mas pergunta por perguntas. Motivos mais do que suficientes para uma entrevista nesta época de balanço de dois anos da Newsletter.


Fica assim retribuida a entrevista que m etmpos fez ao autor deste Blog e Newsletter em:
http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2007/04/pascoa-de-2007-e-entrevista-com-mr.html

Aqui vão as 7 perguntas possíveis.

Newsletter P1) Amigo Bogus, porquê o seu interesse pelo autocaravanismo?
Mr. Bogus R: O autocaravanismo seduz pela mobilidade. É uma herança ancestral do homem caminheiro, nómada e livre, de há séculos, com a compatibilidade com os tempos modernos. A possibilidade de circulação auto suficiente, de transporte, alojamento e até de alimentação reflecte a carga genética da humanidade. A interacção protegida com o meio ambiente, a disponibilidade de um posto de observação seguro e itinerante, são os sinónimos mais evidentes do autocaravanismo. A autocaravana é o meio privilegiado de usufruir da técnica no lazer, na cultura, no turismo e na vivência social e humana em determinados momentos da nossa vida. Para a sua prática apenas se exige bom senso e bom gosto, enfim, saber estar.



P2) Então o autocaravanismo é solução para todas as idades?
R: Depende. O Homem é a medida de si próprio, e por isso cada caso é um caso. As soluções dependem do estatuto pessoal, e da bolsa de cada um. O autocaravanismo pode ser praticado por quem aprecie um certo estilo de vida descontraído, não sedentário. Exige uma postura dinâmica, e um gosto pela viagem, pelo desconhecido e pela sua descoberta, com abertura a novos horizontes, desafios, gentes, costumes e hábitos. E permite uma inter reacção construtiva com o Mundo em que vivemos. Por isso tanto pode ser a resposta para um jovem casal, como para um casal com filhos ou para seniores. Pressupõe todavia para mim, a noção de companhia. Isto não significa que o autocaravanismo solitário não seja adequado a quem esteja sózinho, ou, como muitas vezes acontece, viaje acompanhado de quatro patas.


P3) E como começou esse seu gosto? E como o teu desenvolvido? Que recomenda a quem se interesse pelo tema?
R: No meu caso, o início foram mesmo as viagens em família, dos tempos de criança. As deslocações de carro, os pic-nics, e as viagens de turismo de exploração quer em Moçambique, nos idos anos cinquenta, e em Portugal. Recordo-me até de uma experiência marcante, um naufrágio no Inharrime próximo antiga Vila de João Belo, e das viagens em jeep ou de pickup de caixa aberta com o meu pai, nas sua deslocações de engenheiro a obras públicas. O gosto de partir, e o prazer de regressar a casa, de ter coisas aprendidas e a contar, representam um fascínio de sempre. Muito mais tarde, como estudante, as idas de comboio até ao Algarve, as pousadas de juventude, e depois de carro, e o campismo, a primeira volta a Itália, e mais tarde ainda, já em actividade profissional as deslocações de avião por motivos profissionais. A fase seguinte, já com filhos, foi a do atrelado combi-camp, (igual à da foto) depois as caravanas, até que finalmente surgiu a autocaravana, primeiro alugada, e depois adquirida em segunda mão. No meu tempo, era mais difícil do que hoje o acesso a este último estágio. Claro que este percurso não serve de sugestão a ninguém. Todavia, não parece que o autocaravanismo deva ser olhado da mesma maneira que a compra de um apartamento em time-sharing, é mesmo seu oposto, pois em vez de criar raízes, significa navegar em terra. Cada um terá que averiguar se é semovente ou não.


P4) E como aconselha a preparação de viagens? Como se preparam itinerários, como se tira melhor partido da utilização da autocaravana?
R: Tenho para mim que um dos maiores prazeres da viagem é a preparação, ou o seu registo e relato, uma vez concluída. É a parte menos egoísta do autocaravanismo de lazer. A mais egoísta é mesmo o seu gozo,as outras fases pressupõe mais momentos de partilha, e de exercício gregário de expectativas.
A construção de uma viagem é sempre gratificante e apela ao estudo, à pesquisa e à aprendizagem, Hoje como auxílio indispensável da internet, mas sem esquecer os livros e guias, mapas de estradas, roteiros de turismo, incluindo o recurso as experiências vividas dos que nos antecederam. Muitas sugestões úteis encontram-se em blogs, web pages, newsgroups, foruns, e conversas com amigos. A escolha da época do ano também é relevante, e o período que em Portugal vai do equinócio da primavera ate ao equinócio do outono, é o mais privilegiado, sem prejuízo de outras ocasiões em que férias escolares, ou pontes são também propiciatórios de deslocações curtas. Há ainda que considerar que certas actividades profissionais permitem conciliar o útil, com o agradável. Por mim apenas não considero ajustado utilizar a autocaravana de forma sedentária, mais do que 48h no mesmo local é excepção.

P5) Então acampar de autocaravana, não é o seu estilo?
R: De facto não. Com crianças, ainda admito a estadia de alguns dias acampado num parque de campismo, mas para elas puderem usufruir de equipamentos como piscinas, parques infantis, programas de animação, praias etc., mas para isso para quê a autocaravana? quer em tenda, caravana ou bungalow, consegue-se esse objectivo mais adequadamente. Pessoalmente, em autocaravana estaciono em parques de campismo em situações bem precisas: no inverno por razões de segurança, e em viagem quando em cidades sem facilidades de parkings para autocaravanas, ou ainda quando é necessário pernoitar com infraestruturas para fazer abastecimentos de agua ou electricidade. Fora isso recorro as áreas de serviço e pernoita para autocaravanas, cada vez mais frequentes quer gratuitas, quer pagas. Pelo contrario, no tempo das caravanas usava sistematicamente parques de campismo, embora nunca mais do que 5 noites consecutivas no mesmo local.



P6) E qual os destinos que prefere? E viaja sozinho ou acompanhado com outros autocaravanistas?
R: Claramente o estrangeiro. O País de eleição para mim é a França, e para a percorrer são-me indispensáveis os guias e Mapas Michelin, o guia dos Routiers, etc. Porém A Espanha esta cada vez mais convidativa para os autocaravanistas, e a Itália é igualmente sempre sedutora. Em quarto lugar colocaria a Alemanha, a Suissa, a Áustria ex aequo, e mais distantes em preferência,a Holanda a Bélgica e os países nórdicos. Claro, trata-se de gostos pessoais, mas a distância de Portugal na periferia da Europa, condiciona concerteza muitas opções. Portugal tem por natureza da proximidade mais oportunidades de visita, mas por outros meios que não o autocaravanismo. Mas, para quem receie aventurar-se além fronteiras, é a solução, bem como para viagens temáticas e bem definidas, por ex. A rota das amendoeiras em flor, dos castelos, das lagoas, das praias, das barragens, dos mosteiros, dos parques naturais etc.
Normalmente viajo a dois, em casal. Mais raro, com amigos autocaravanistas no máximo com três autocaravanas, evitando sempre as grandes concentrações, e as colunas em estrada que não me motivam.

P7) E que acha da política do sector? Da sua representação e estrutura? Porque não aparece nos foruns?
R: Quanto a política oficial, parece-me inexistente, sem visão de conjunto, quer para consumo interno, quer para artigo de exportação. Não vejo que o Governo ou a Assembleia da República, nem sequer a Associação dos Municípios, e os seus políticos preocuparem-se com o sector, e assumirem posições estratégicas. Em Espanha a situação é diferente, há uma senadora de referência a Sra Chacon, há clubes de autocaravanistas actuantes e com capacidade de resposta por parte das autoridades, incluindo as policiais, como se sabe com resultados positivos obtidos recentemente. Em Portugal, falta um interlocutor privado a nível federativo, falta um membro do governo no turismo que se interesse, e faltam também políticos locais ou nacionais que se assumam no estudo e propostas de dignificação, e promoção desta actividade, de evidente interesse económico, pela contribuição de correcção da sazonalidade e de apetência pelo turismo de interior que a caracteriza, nas suas valências de cultura, artesanato, folclore, gastronomia e shopping tradicional, incluindo comercio local, feiras etc.
Quanto aos foruns...há mais mirones do que participantes, e muitas vezes há um certo distanciamento de participação nas temáticas estratégicas, e dificilmente a situação poderá inverter-se. Existe um alheamento natural de tudo quanto seja mais profundo, sério e complexo, pois os aspectos lúdicos ou utilitários, sobrepõem-se aos demais, e por vezes com o resvalar em afrontas pessoais rasteiras. Pode ser que a adopção de códigos de ética, etiqueta e boas práticas melhore o nível, e ate atraia novos intervenientes. Mas nada substitui o trabalho e o estudo, isto é a a elaboração de teses e comunicações, e a sua discussão em seminários, mesas redondas ou mesmo num congresso. Mas quem está para isso? Quantas pessoas se manifestaram sobre a proposta de um Observatório não governamental para o autocaravanismo, como proposto por ai? E se calhar, era mesmo esse o caminho, para se fazer caminho, caminhando...