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domingo, outubro 09, 2011

She and Me voltam a estrada, do Ribatejo, pelo Alentejo até ao Algarve e volta em 72h.

(Estacionamento e pernoita a bom recato na zona de Vilamoura)

Ora que melhor pretexto para mais uma sortida de autocaravana que um período benigno de convalescença e de pausa de tratamentos? Dada a sugestão, e aceite por She, foi rearranjar compromissos que nos permitissem sair de Alenquer na sexta de manhã, ultimo dia do mês de Setembro. A passagem por Coruche por ocasião de mais uma concentração do meritório CAS e com inauguração de mais uma área de AC e de estação de serviço, não foi opção a considerar, pois o repouso e o sossego beneficiam mais a recuperação pretendida, do que o todos-ao-molho-e-fé-em-Deus.

Tudo então ok. Apenas um saco e o computador portátil, este mais como amuleto esconjurador de trabalho, do que como passaporte para ler, e responder a emails. De bagagem, só um saco de mudas do essencial, pois a semovente está sempre de barriga cheia e pronta a rolar.

E ai fomos nós pela AE de Sintra e A10 de São João ate Alenquer para se evitar o rush matinal para Lisboa. Depois foi sempre pelas nacionais sem pressas, a partir das 10.15h. O GPS bem nos dizia que o alvo estava a cerca de 2.15h de distância, o Xico de São Mansos. E acertou. Na realidade não havia pelo caminho nenhum motivo de interesse a anotar desta vez. Era mesmo o fito gastronómico que nos animava e com prévia informação telefónica de porta aberta.
(ensopado de borrego do Xico)

Pois o Xico lá estava em pessoa, e nos dizeres do restaurante, e mesa posta para dois à janela. Recomenda-se o percurso das escolhas: pão local, azeitonas e queijo de cabra de entrada e a seguir uma magnífica sobra de beldroegas para Me (uma estreia absoluta) e para She um ensopado de borrego, bem servido a dar para dois. Vinho da zona, agua de Moura, sericaia e ameixa de Elvas para o remate e Café a finalizar.
(sopa de beldrogas.nota 10/10)

A foto da sopa não diz tudo, mas revela o bastante: largo molho de beldroegas, salpicado de branco do ovo cozido e de fragmentos de meio queijo de cabra, pão e caldo, e claro uma cabeça de alho inteira e cozida até se desfazer. Por mim, nota máxima por três notas rosinhas.

Após repasto continuou a marcha motorizada para Vidigueira para as reuniões de trabalho agendadas junto a torre do Relógio, e com as peripécias de inversão de marcha no final, como não podia deixar de ser. Mas tudo bem, e sem stress. Seguiram-se em 20 minutos os KM até Pedrógão, e mais duas reuniões no local…será que o projecto inicial da charca poderá ter fácil seguimento? Lá aprovado está ele… e a estrada que serpenteia ate ao carvoeiro, será que a melhoria é praticável? E a conexão entre a parte das AC e o restante? Pois a ver vamos a seu tempo. Na altura o sol arrasava, e por isso o tempo foi o mínimo possível. Mas o pontapé de arranque para os estudos dos complementos ali ensaiados, a gestos largos, e visionados já há muito, e há alguns anos já debuxados na prancheta do arquitecto parecem críveis. A ver vamos indo, nos dizeres da terra.
(Guadiana,margem direita, a montante da ponte de Pedrógão)

Ora bem pelas quatro estava pronto para seguir viagem para alívio de She, estirada na sombra da semovente. E assim lá ficou colada no horizonte a albufeira de Pedrógão naquela vista soberba entre Ponte e Barragem do Guadiana e que já me começa a ser familiar. Pois então GPS a apontar para Galé, Algarve, e logo lai a virar a direita na EM 325, em direcção a Selmes.
(parque de Autocaravanas da Galé)

A viagem sempre a descer, sem paragens decorreu suave, parte pelas nacionais, e depois pela AE a fim de tentar chegar pelas 18h, o que se conseguiu, só que a miragem de um banho cálido no mar, foi-se pela ventania… Encontrar depois o parque das autocaravanas (entre Guia e Galé) foi mais difícil por ausência de sinalização e por amuo do GPS por não ter recebido as coordenadas correctas, e que são N 37º 05´34´´ e O 08º 18´42´´. Ah…e fica entre a pastelaria Boca Doce e o restaurante São Domingos, na rua do Barranco que mal se topa.
(ratinhos de chocolate da Boca Doce)

Ora lá chegámos ao grande quadrilátero de solo de tout venant semeado de sumidouros d e águas pluviais, e espigos de árvores promissoras. Clientes? Três, dois franceses arrumados em L, uma inglesa e uma Ac portuguesa, que veio a transfigurar-se em recepção, com o proprietário e companheiro Horta e a simpática mulher com quem logo se estabeleceu a uma extensa, animada e profunda troca de impressões sobre o processo de legalização daquele espaço ainda em curso. Então trocaram-se dados, portarias, e experiencias relativas ao projecto do Alqueva Campingcarpark. Veremos se me futuro próximo com o dinâmico interesse daquele casal (e membro da Tertúlia 1 AC e 1 ACFE do facebook) tudo se concretizará pelo melhor e que o parque da Galé venha ser um dos primeiros parques de campismo (privados) para autocaravanas portaria 1320/2008) em Portugal.
(sardinhas do Ti Manel com meias batatas assadas em alho)

Ora, jantar onde? Bem, em primeiro lugar foi-se a comprar o Expresso, e munições sobre o caso Duarte Lima, prisão de Isaltino Morais e escândalo do buraco da Madeira, e às leituras na esplanada da pastelaria já referida numa tarde impecável. Depois calmamente rumar a pé em direcção à Galé, para a Grelha do Ti Manel, velho local conhecido de um rodízio de peixe, hoje remodelado e com uma esplanada frequentada quase só, por ferozes mosquitos e estrangeiros.

Cansados e sem grande apetite não optámos pelo peixe a discrição (15€/pax) mas antes pelas doses individuais de sardinhas (Me) e uma dourada escalada (She) mais uma salada, vinho da casa etc. No total qualidade justa, serviço deficiente e preço razoável (três rosinhas). Depois a TV com a nova antena TNT, tipo barbatana de tubarão e ligada a 220, pois o parque tem de sobra, fichas eléctricas e ate torneiras de água…

Noite descansada. Ruído nenhum.

Sábado de manhã, acordados a prestações e à força de rabanadas de ventos. Primeiro pelas 6h, depois Às 7h, a seguir Às 8.30h. Enfim Às 9h estávamos rendidos à mesa, a comer umas torradas (desta fez feitas a electricidade) a rever títulos de jornais e semanários e a cotejá-los com o noticiário televisivo. Depois a ida a pé ao supermercado próximo à busca de pão (de Santana da Serra) e iogurte…e doce de compota para as torradas, para She.
Pena ter falhado a despedida ao casal Horta, mas depois das 10h arrancamos em direcção a um garden center para a compra de umas buganvílias e loendros brancos, e depois para a capital…Faro, mas para antes desviarmos para a Ilha. Objectivo? Pois confirmar o acesso das autocaravanas ao antigo parque de campismo, a frigideira. Quase antes de atravessar a ponte esquelética um aviso surpreende…proibida a circulação a AC…mas claro que é só para espantar incautos…
(ponte para a ilha de Faro)

De facto o parque de campismo (saídos da ponte vira-se a esquerda sem nenhuma sinalização, em direcção ao depósito de água) recebe expressamente autocaravanas, tem estação de serviço e cobra por noite 5 euros apela viatura e 1 euro por cada ocupante. Se ficássemos eram pois 7 euritos, valor decente, e que a Associação concessionaria do Camping Municipal arrecada com gosto. Ficam as fotos a documentar o local rodeado de esplanadas e restaurantes e com aparente vida turística.

(parque de campismo da Ilha de Faro, com P de Autocaravanas)

Não parámos por lá. Feito o reconhecimento, outros destinos chamavam por nós: Como estaria a situação na Quarteira, que aparecia confusa nos blogues e fóruns de autocaravanismo? Pois fomos investigar….antes, feito o pleno de gasóleo, (95 litros) na BP como cartão BP Plus o que permitiu facturar menos de 1,30€ o litro…ou seja low cost em companhia de bandeira, à entrada de Faro, e depois rumo a Fonte Santa. Nada de local de Autocaravanas, o parque de feiras estava fechado a cadeado e as obras rodoviárias não deixavam nesga para uma Autocaravana estacionar. Conclusão, Kaput!

 
E na praia do Forte Novo? Kaput também, nada de autocaravanas senão o tempo de almoçar ou de apanhar uns mergulhos. Mas com a ventania só nos restou a segunda hipótese, almoçar ali no restaurante esplanada do Forte Novo. Sardinhas a discrição e excelentes, salada de tomate, vinho e etc. e mais três rosinhas saltaram afoitas da carteira.

(galeria de São Lourenço de Tavares Teles)

A tarde foi passada lai, frente a praia dentro da AC em semi-repouso de leitura da imprensa, agora com mais elementos escabrosos com as desventuras do andrógino Castelo Branco e seu alter-ego, Madame Tussaud, perdão, Graftsein.

Concluído o ripanço veio à ideia um intermezzo cultural? Que tal uma visita ali ao lado à Galeria de São Lourenço agora gerida pelo Antonio Tavares Teles? Ai fomos nós e com valia…para alem de umas esculturas interessantes de ferro e mármore, em figuras femininas, valeu pela simpatia do António, pró um quadro do Carmo em exposição e acima de tudo pela Joana d´Arc, do João Cutileiro em madeira, ao que consta uma peça de coleccionador, uma das primeiras do artista e escultor de Évora.

Fins de tarde e jantar com primos, uns primos de She e outros primos do Me. Tudo em Vilamoura, numa tarde simpática e com a semovente estacionada no parque anexo ao Mac Donalds, e depois na zona das Cegonhas, sem problema e em quietude. Quando se viaja “a solo” são muitas as oportunidades de praticar um autêntico e compensador turismo de Autocaravana itinerante, com concentrações é tudo diferente.

Ora de registo, o jantar mercê uma nota positiva. Primo George aventou ir comer leitão assado à moda da Bairrada: -No Algarve? Pois que sim ali para os lados da Patã. Pois até têm forno de lenha… e web site em http://www.restauranteantiquariodosleitoes.com/  Que nome!?. O ambiente rural/rústico aceitável, e o dito bácoro também. Motivo para longas conversas em que não se falam de doenças, mas se distendem as preocupações do dia a dia em clima de convívio são. Quanto às notas finais, com o vinho e os etc. subiu acima das três rosinhas reforçadas por mais uma cinzentíssima e moedas. Depois ainda foi o gozar de parte de uma noite amena no jardim da morada com troca de revistas e jornais, até que à hora do João Pestana com uma lua de quarto minguante belíssima, se recolheu à semovente, ali ao lado, para sob bandeiras incluindo a de Angola, assumir um sono solto em segurança.

Domingo, fresco, claro, de sol penetrante, e cantante de melros e mais passarada nada assustada com os ventos do Outono. Após o clássico pequeno-almoço, volta pedestre ao empreendimento e arredores, com a Estalagem das Cegonhas fechada e desolada, e com as alfarrobeiras cheias de fruto no chão. A piscina límpida aquelas horas matinais sem clientes ainda posou virgem para a foto.

Era tempo de preparar o regresso, só aprazado para depois de almoço com os primos de She, e por isso rumo a praia da Falésia, mais concretamente a praia da Rocha Baixinha, imediatamente antes da marina de Vilamoura no sentido oeste-leste. Tudo muito adequado: parking pago e parking livre que no verão deve ser infernal.

(estacionamento de AC tolerado, junto a Lota)

Mais adiante foi procurar o local das autocaravanas na Quarteira e lá estava ele junto a prédios comuns de bairro suburbano, e a um canal de aguas paradas ?!?. Tudo junto as docas de pesca e ao antigo bairro de pescadores que foi arrasado. Pouco convincente….embora próximo da praia, e dos restaurantes e demais comércio. Mas nada de estação de serviço para autocaravanas, nem sinalização favorável, e tudo com indícios de mais ano menos ano, o espaço será assumido por novos prédios.

(o petit train cheio de turistas em Outubro)

Demos a volta de reconhecimento com as fotos de informação a partilhar, e então, de novo estacionados em Vilamoura junto à Marina, foi o sentar numa esplanada e mirar os passantes para comer um gelado, reler umas noticias e usufruir do dolce fare niente, com aclama própria do fora de estação alta. Nada senão relax dos stresses lisboetas. O que se recomenda.
(A nova esplanada do Figo/China na Marina)

A hora de almoço entretanto entrava pelo relógio adentro. E seguimos portanto para outra refeição que não imaginava comer no Algarve: um cozido de domingo, à portuguesa no restaurante Paisagem do Sr. Paulo, sportinguista, quase frente a urbanização de Vila Sol. Pois que dizer a convite dos primos de She, senão deglutir com prazer os enchidos, as couves, as carnes, os vegetais com o apreço que requeriam? Uma surpresa agradável nestas paragens!
(a paisagem do cozido da...Paisagem)

Como devíamos regressar a Alenquer e ainda daqui para os Estoris, ficámos a mesa ate a hora limite das 16h, e depois foi rota batida para norte, sempre por AE, sempre em rápido andamento, menos cansativo, ate chegar a penates.

O balanço demais esta sortida de quase 72h fica feito. Sim ao Algarve fora de época, sim aos tempos de convívio familiar, sim aos períodos de convalescença sem cozinhados na autocaravana, e com maior recurso a restaurantes, sim às viagens de touring pelo Portugal sempre a redescobrir, e a solo, sim às nacionais e aos restaurantes de cozinha e gastronomia locais, sim aos intervalos do stress lisboeta, e das troikas, sim à escolha de locais de estacionamento e pernoita adequados, sossegados e sem confusões. Enfim: - SIM à VIDA.

A ver quando será a próxima saída… mas será se tudo o permitir, mais uma vez directos ao Alentejo!


Semovente em repouso...e o autocaravanista e co-piloto, também

(aqui há leitão!)


(Joana D`Arc de João Cutileiro)

sábado, abril 07, 2007

Pascoa de 2007 e entrevista com Mr. Bogus




Pois é assim: Mr Bogus* questionou-me recentemente * (ver a final quem é)

- Então quando é a próxima viagem ?
- Pois não sei, esta última foi pela semana da Páscoa, disse eu. Depende sempre do tempo, ou mais para sul, ou mais para este ou mais para o norte, que isto de estar na ponta da Europa não permite ir mais para oeste...Olhe, vá lá vendo as fotos...Esta é a da Torre das Aguias, monumento nacional, em Brotas, entre Montemor e Mora... hoje, mais parece um pombal...

- De autocaravana, na Páscoa? questionou Bogus. Então não foram para um hotel? um apartamento? ou porque não uma viagem de avião para ares mais tropicais? as agências de viagem estão cheias de promoção a baixo preço!

-Ora bem. De autoca
ravana porque um semi reformado com autocaravana propria, ja tem o capital investido, e só o rentabiliza quantos mais deslocações fizer, e porque com tempo instável não se arrisca a ficar em situação incómoda de clima...mais uns km, e está-se fora de qualquer anti ciclone ou frente fria...e mais, porque com uma neta de companhia não é preciso mais um lugar de aviao, nem passaporte para cruzar fronteiras...

Mas Mr. Bogus torce o n
ariz e arremete...viajar com crianças...elas não se cansam com viagens longas? e a comida? e como é ir a restaurantes?

Foi tempo de ser eu a levantar o sobrolho...?qual o problema, quem já viajou com os pais, e com os filhos, nada mais natural que viajar com os netos...estes, desde que larguem as fraldas, palrem o suficiente, e andem por si sós, já são boa companhia, e neste caso uma neta, que desde os dois anos e meio ja viajou em 2004, até a Galiza, pois agora com seis anos, saiu também para sul...Olhe essa outra foto é do palácio consistorial de Medina Sidónia...e essas a seguir, mais abaixo, são de dois andores preparados para as procissões da semana santa, também em Medina Sidónia...

Bogus pergunta mais

-e para onde foram? não marcam lugares? ficam sempre em parques de campismo? e afinal quanto gasta a autocaravana? quanto gastam um casal e uma miúda por dia? é muito caro? custa a guiar? e o estacionamento? e onde fica a autocaravana todo o ano?

- Ora bem. Não ficamos empre nem em parques de campis
mo nem sempre fora. Desta vez foi assim...só saimos 3F ao fim da tarde de Alenquer, quase às 17.30h. Antes tive mesmo que trabalhar, mas a consorte foi à escola da neta busca-la, depois apanhar-me a mim, e finalmente rumo ao Alenquer Camping, buscar a semovente, (onde fica todo o ano, à média de 40 €/mês) deixar o carro, fazer o pleno de àgua (www.dosdin.pt/agirdin) e seguir via auto-estrada (1 euros) até Vila Franca de Xira, e depois via ponte ex- Marechal Carmona para sul....

Bogus interrope...então não vão sempre por auto-estrada?
-Pois que não, nem sempre por, nem s
empre em. A autocaravana permite isso mesmo, a liberdade de escolha mais permanente do que num automovel...neste caso só utilizo a auto-estrada para não atravessar o Carregado, e a Castanheira do Ribatejo...e evitar entrar em Vila Franca. Depois é pela nacional...mais em conta...a mesma velocidade de cruzeiro...mais hipóteses de encontrar bombas de combustivel Galp com desconto...Senão....pagava-se naquela data 1,035 por litro de gasóleo normal...ora em Espanha sem recorrer ao desconto da Repsol/ACP (são dois centimos) fiz um pleno a 0,934 e outro a 0,939 (na auto-estrada).

- Desconto! ? espanta-se Bogus.

Pois, pois. Para se andar em Portugal ao preço do gasóleo em Espanha, ou quase (em média menos 10 centimos) uso o sistema Continente/Galp, onde com um talão de compras Continente obtenho a redução de 5 cents no gasoleo, e depois por cada litro recebo um talão de 5 cents para desconto em novas compras nos supermercados Continente ou Modelo...Ora a autocaravana gasta...

- Muito? diz Bogus.
- Bem a autocaravana gasta em
função do modelo, da cilindrada e da velocidade. No meu caso é uma "capucine" (há quem diga capuchinho) por isso tem mais resistencia ao ar devido à cama por cima da cabine de condução...o motor é um 2,8JTD, com 127 cavalos...e quanto a velocidade, quanto mais pesado for o pé, mais pesada é a factura...desta vez e a título de exemplo em 3 atestados depósitos, as médias variaram entre 10,5l/100, até 12L/100 e 11,5l/100.

- Explico-me melhor...se não passar dos 80/90Km/h, e não ultrapassar as 2000 rotações, consigo os tais 10,5l/100, entre o
s 90 e os 100 e com as 2000 rotações ou pouco mais, já se gastam 11.5l/100, mas a mais dos 100 e com as rotações a cantarem, pelas 2200/2300 já são certos os 12l/100, e depois acima dos 110, já a entrar nos 2500 de rotações, upa, upa, aos 12.5l/100, e por cada mais dez Km de velocidade, mais 1 litro de consumo....como não se passa em média dos 130...também não se gasta mais dos 14/15l, a menos que seja em montanha...

- sempre dentro da lei...sorri Bogus...
- mais ou menos, nas estradas nacionais os 90Km/h são confortaveis, e na auto-estrada os 100/110 também.
.mas para cumprir a lei, a criança tem de ter um suporte de banco especial..e cinto apertado... embora se for a dormir se facilite ficar na cama deitada, e sem cinto.

- Então desta vez foram direitos ao Algarve?

- Sim, sim, saidos de Alenquer, seguiu-se Vila Franca, a ponte e depois directos à bomba da Galp de Grandola, para reabastecer...e logo a seguir rota batida até Vilamoura, na Via do Infante, sempre pelas nacionais como disse. Chegamos ao desvio de Vilamoura cerca das 21.15h e à Quateira, na Praia do Forte Novo, pelas 21.30h. Claro que a miúda dormiu a bom dormir durante parte importante da viagem, o que aligeirou o incomodo desta. Aqui estacionamos junto à praia ao pé de cerca de 30 autocaravanas a maioria estrangeira...todas na perpendicular à praia excepto aquelas duas...está a ver na foto? senão vê bem, clica-se para aumentar...

- bem agradavel, vista de mar, nada de prédios àa frente, mas como
é para tomar banho e cozinhar? e os sanitários? e o lixo? e os assaltos? Bogus e a sua matraca...
- Meu caro amigo, a vista de mar como repara, está estragada pelas duas autocaravanas ao fundo,
que estão estacionadas horizontalmente à praia...as únicas aliás...e sabe qual a nacionalidade deles? pois não sabe? são nacionais do chico espertismo, e neste caso, portugueses...pode acreditar que eram os únicos naquele despropósito egoista.

- Quanto ao resto...ora bem as autocaravanas vêm equip
adas com reservatórios de aguas limpas (cerca de 100L) e de aguas cinzentas, isto é de banho e de cozinha (outros 100L) e ainda com sanitarios e cassette de aguas negras (cerca de 20L) que dão em média para 3/5 dias de autonomia conforme as necessidades de higiene. Estes sistemas funcionam a gás (aquecimentos de agua de banho, cozinha e chauffage) e a autonomia é porporcional aos litros da botija, no nosso caso a BP gas light e transparente (11Kg). A electricidade é fornecida por uma bateria auxiliar que recarrega em movimento, o que para quem seja mais preocupado pode ser complementado com sistema de paineis solares, pilha de energia, ou mesmo gerador...o lixo...deposita-se em sacos de plástico, nos locais e contentores para o efeito. Nem vejo qual é o problema?

- Pois, e a segurança? não desarmou o Mr. Bogus.
- Ora até ao momento (e já vão já 50.000 km andados, sem mudar de pneus, sem um furo, nesta autocaravana, uma Knaus Eiffland em Fiat 2,8JTD matricula de Agosto de 2003) só houve um problema, em Espanha, por descuido. ficou um telemóvel no tablier, durante uma paragem para almoçar num restaurante em Cartaya (entre Ayamonte e Huel
va). Pois no regresso, vidro lateral partido, telemovel furtado e mais nada mexido...o mesmo teria acontecido num automovel em qualquer parte do mundo. Quanto ao mais, alguns cuidados são sempre tomados, uma tranca na porta lateral traseira, vidros e portas fechados, e por enquanto não há alarme instalado, mas sim um detector de gases, por causa da paranoia dos assaltos com gases soporificos..outro cuidado, está no estacionamento, preferencialmente ao pé de outros autocaravanistas, em parques com guarda. Mas nem sempre paro para dormir em parques de campismo...desta vez foi uma vez fora (praia do Forte Novo) e duas dentro...uma no camping Las Dunas em Puerto Sta MAria, custo 21,50€ a noite, com electricidade, e outra no Camping de Beja aqui por 4,25€ a noite, sem elecricidade....em ambos os casos com chuveiros no parque de àgua quente incluida no preço!

- Então, depois de chegados à Quarteira qual foi o programa?
- Ora bem
...primeiro que tudo jantar, e logo ali, a noite esfriava. Restaurante do Forte Novo do Sr. Rogério, onde acabamos de jantar as 22.40 diz a factura...(agora não é demais pedir as facturas) preço 41.30€ para três, com direito a uma grelhada de peixes, azeitonas e pão, café, àgua e jarro de e vinho, branco, à pressão, jarro pequeno...

- Ora remata Bogus, bem mais em conta do que em Espanha hem?
- nem por isso...meu caro amigo, veja bem...em Puerto Sta Maria, no Romerijo, comprando no Cocedero e na Freidura (ficam frente a frente na mesma rua Zarazaga) com langostinos, camarões, calamaritos, huevas, pescada, para as mesmas três bocas e ainda, maoinese, mousse de chocolate, flan, e meio litro de vinho Tierra Banca...ficou em 33 euros...mas mais, dia seguinte ao jantar da Quarteira, almoçamos em
Bollulos, antes de Sevilha, na Bodega Roldan...e aqui...meia dose de fritada de peixes mista, churrasco de cerdo, conquilhas (pedir por coquinas), e mais pão, fanta, cerveja, coca cola, e jarro de vinho da casa além de um flan e café...tudo 35,80€...só se acha que marisco e peixe é mais barato...

Bogus fica calado...?!?
-Pois olhe ainda mais esta c
omparação! Em Espanha, no Restaurante Venta de Sta Luisa, no sitio El Cuervo, no desvio para Lebrija a sul de Sevilla, com guardanapos de pano...as mesmas três bocas esfomeadas, e com chuletas de cordero lechal (de leite) ensalada de cogollos (na foto: especie de alface), revueltos com Bacalao (espécie de Bacalhau a Braz), mais pão e azeitonas, café, cerveja e agua foram-se 35,70€. Mas meu caro amigo, ainda lhe posso dar mais dois preços....em Mora, depois de visitarmos o Fluviário do parque ecológico do Gameiro, fomos almoçar ao famoso Afonso...Aqui houve uns extras, entradas de ovas, queijo da região, azeitonas...mas a 2 euros...e apenas duas doses para os três...um pombo bravo, e um ensopado de borrego tudo por mais de 44 euros....

- Então afinal, em Espanha come-se bem e por melhor preço que em
Portugal? Bogus mal queria acreditar...
- É mesmo, em certas ci
rcunstâncias...para já o IVA em Espanha é de metade do de Portugal nas refeições...6% contra 12%...e depois os produtos de supermercados sao também mais em conta, o gas, o gasoleo, e a produtividade é maior...Porém não se desconsole...em Beja, no Pipa jantamos os três por 29,40€...mas isso porque a minha neta so comeu um pires de arroz de pato...senão, lá estavamos no minimo ao nivel de uma conta espanhola...

- Console-se que o parque de campismo de Beja e o de Serpa, não têm igual em Espanha em
preço, e mesmo o renovado parque de autocaravanas do Camping do Parque do Gameiro, tem um preço muito abaixo dos de Espanha, apenas 6 euros...

- Então, qual foi o resto da volta? ainda não saí da Quarteira, mas pela conversa já fomos até Mora! impacientou-se o Bogus...
- Pois vou ser quase telegráfico...e as fotografias que lhe digam o resto...Ora, depois do pequeno almoço na autocaravana na Quarteira, e algumas compras num supermerca
do a entrada de Faro, o caminho foi retomar a via do Infante, cruzar o Guadiana e só parar em Bollullos para almoçar, como já referido, e depois tentar a travessia em Coria del Rio do Guadaira (braço do Gadalquivir) a sul de Sevilha, por barcaça....uma pequena aventura...ora veja lá as fotos! Preço da travessia 6 euros...Depois é que cometi um erro, em vez de virar à esquerda, e seguir para cima, para Sevilha, resolvi acreditar no meu Atlas de Carreteras, e segui para sul, e aí..perdi-me por estradões e pistas que relembraram bons tempos de 4X4...foram alguns km por areia, entre campos de lavoura, e ao longo de parte do Rio Guadalquivir, até que finalmente se pisou o alcatrão, depois de Isla Menor e de San Leandro, próximo de las Cabezas de San Juan...e ala que se fazia tarde, até Puerto de Sta Maria...directos ao Camping Las Dunas, já conhecido e outras sortidas. Deu para perceber que se não fosse necessario ligar electricidade, que se poderia ter ficado de borla, no parque junto a margem direita da foz do rio, ou pagando, no parking, logo no primeiro a esquerda, à entrada de Puerto de Sta Maria, quer num sítio, quer no outro, pernoitaram três autocaravanas...Como ainda havia luz...demos uma grande passeata, de bicicleta a niña, ao longo do paseo maritimo ate ao centro, jantar e regresso, também a pé, numa noite esfriada mas calma.

- Dia seguinte,
4F, saída de Las Dunas em direcção a Medina Sidónia, a partir de Chiclana de la Frontera...vale o passeio para ver a imponência de um local que foi fenício, romano, visigodo, arabe, cristão...estacionamento fácil, e no nosso caso a moedinha foi de 2 euros...Ocasião para visitar as igrejas em preparativos para as procissões da semana santa, e comprar bolinhos locais, famosos, e ver o castelo por fora.

- A seguir rumo a Sevilha, paragem em Cuervo para almoçar, e travessia de regresso da ponte do Guadiana, em Ayamonte, Castro Marim, em direc
ção a Mértola para uma paragem, visita ao Castelo, e cuscar das muralhas as autocaravanas paradas junto ao rio em local adequado para um dia (noite) pernoitar...ora Mr. Bogus veja lá as fotos do Castelo de Mértola, e as autocaravanas junto ao Rio, no cais.
Depois de Mértola subimos até Beja que tem um excelente parque municipal de campismo pelo preço, pela localização e pelo espaço e equipamentos.

- Não se pode exigir mais. Depois de estacionar a viatura ao lado de muitos estrangeiros...suiços, holandeses, alemães, espanhois, três amigos finlandeses de caravanas, e até portugueses! Janta no Pipa, e bem, passagem pela biblioteca municipal com curioso conjunto de esculturas de livros a pedir fotografia. Dia seguinte, voltas no camping de bicicleta da neta ciclista, depois do pequeno almoço de torradas e chocolate quente. Lá isso é sempre na autocaravana o mata bicho...

-Então e daí de Beja para casa, questiona, curioso, mas já cansado do relato o Mr. Bogus.
- Sim mas....quando se viaja com crianças é preciso sempre jogar com o factor novidade e entretenimento, e dai que o regresso não tenha sido directo a Alenquer, mas via Montemor até Mora, passando por Brotas, pela tal Torre das Águias, para ver o Fluviário instalado no parque ecológico do Gameiro. Preço do bilhete familiar 15 euros...se vale a pena? antecipo-me à questao do Bogus...pois vale, até pelo incentivo que isso significa à iniciativa, que segundo consta desde a inauguração na Primavera de 2007 até sexta feira santa, levou já 10.000 visitantes. Curiosamente sem nada combinado, encontro no local dois sócios do CPA, o Presidente Rui Figueiredo, e o Laurindo Correia, o Lau, do Forum do CPA- Clube Português de Autocaravanas (www.cpa-autocaravanas.com).

Fica a foto do moderno edificio, do exterior, e até um mni fil
me do interior com o mini Nemo......Ah! já me esquecia...claro que há cartazes a proibir fotografias...mas toda a gente filma, quer com máquinas de fotografar/filmar quer com telemóveis...e não há guardas à vista. Críticas? duas importantes: não há telheiro exterior, e quando as filas crescerem nos dias de chuva, ou de verão de sol forte...vai ser incómodo para os visitantes, e muitos terão crianças...e está mal...devia haver telheiro....e as saídas dos visitantes não deviam processar-se pela mesma porta das entradas, com alguma gente dá confusão, e quem sabe se não há quem entre sem bilhete...o controlo é muito frágil...



- Então para última pergunta diga lá quanto gastou em euros....
- Antes disso Mr. Bogus, vejamos...foram 4 dias de viagem, tres noites, tres pessoas, (esta minha neta come como um adulto), cerca de 1300Km, refeições sempre em restaurante...ora tudo ficou pelos 436.20€, ligeiramente acima da média de referência, dos 100€/dia para um casal...mas abaixo da capitação, ou seja, sendo tres pessoas, gastou-se 36 euros/pessoa/dia, quando em casal se gasta em média 50 euros/dia/pessoa...Menos se gastaria se nem todas as refeições fossem em restaurante, ou apenas de sandwiches... (recuso-me a escrever sandes!) e menos ainda se gastaria, se se percorressem menos Km, ficando por exemplo, mais estaticos numa praia, e ainda menos, se as pernoitas não fossem em camping....ou seja, cada caso é um caso...mas muito mais se gastaria, se outras fossem as opções... cerca de 1/3 foi-se em gasóleo...1/2 em restaurantes..cerca de 10% em campings, parkings e visitas...

* BOGUS...personagem inexistente, do imaginário onírico infantil, assim designada nos paises anglosaxónicos. No filme do mesmo nome esta personagem foi interpretada pelo actor francês Depardieu.