Mostrar mensagens com a etiqueta alenquer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta alenquer. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Relato de uma viagem de autocaravanismo itinerante no final do ano de 2008


Reportagem de viagem de fim do ano.
Alenquer, Burgos, Biarritz, Lourdes, St Bertrand de Cominges, Gruta do Mas d´Azil, Ax les Thermes, Bourg Madame, Llivia, Saragoça, Caceres e Alenquer
.


Sinopse:
Estilo e natureza da viagem: autocaravanismo itinerante
total Km: 2.770, média 10L/100km
6 pernoitas:
3 em parques de estacionamento (Burgos, Lourdes e Saragoça)
1 em parque de campismo municipal (Ax les Thermes)
1 em zona de serviço de AC em parque de campismo (Alenquer)
1 em parque vedado para serviços e pernoita de autocaravanas (Caceres)
refeições:
sempre na autocaravana, excepto um almoço (Fuentes de Onoro)

Nota:
Seguindo o precedente inovador desta Newslleter, de ter deslocado deforma pioneira um reporter ao Algarve por ocasiao da discussao pública do relatório da CCDR do Algarve sobre autocaravanismo, também agora afigurou-se util realizar também com esse propósito de estudo uma deslocação a Espanha e França para in locu se registarem as praticas legislativas e regulamentares em aplicação, sobre autocaravanismo itinerante.





O autor da Newslleter que iniciou também o uso do nick name semovente, assina agora, como autocaravanista militante, e não como tribuno de bancada, este apontamento descomprometido, que bem poderá ser util à reflexão de muitos mais autocaravanistas desejosos de se deslocarem ao estrangeiro, e de aí se poderem considerar como praticantes de autocaravanismo itinerante e livre, isto é, usufruindo da liberdade de estacionarem ou pernoitarem nos locais adequados, ou de fazerem campismo nos parques de campismo conforme sua escolha.

*******

Ora bem, os dados de referência são os do prosaico grupo da canasta, de que já aqui nesta Newsletter existe um relato da viagem em AC realizada no início de 2008. Agora, no final do mesmo ano fechou-se o ciclo.
Um ponto interessa referir, em espcial em período de crise: os custos da viagem ! Em quanto ficou a viagem? Ora façam as contas...
-menos de 270 euros de gasoleo
-menos de 17,50 euros de campings e estacionamentos
-menos de 15,00 euros ( o casal) de refeições fora
-menos de 40,00 euros de portagens
-menos de 130, 00 euros de cafés, snacks e supermercado
ou seja...menos de 500 euros, dos quais cerca de 420 foram para cada casal, a quota parte da caixa da canasta (sim, confessa-se o grave pecado, joga-se a dinheiro, embora baixo, e quem perde, o que perde vai para o mealheiro das viagens, o que ao longo de pouco menos de um ano rendeu um total, por casal, de quase o custo da viagem)

Ora vamos de viagem...

dia 0

Foi ainda dia 26, à noite, despois de jantar, os nossos parceiros de viagem sugerem o arranque dos Estoris para Alenquer...ganhar uma noite, uns km e uma hora sobre a manhã de dia seguinte...

Ok, la fomos pela A5 e Crel e A10. Registam-se as primeiras despesas, portagens e um copo no Bar dop Além.

dia 1,
Saída de Alenquer na manhã de dia 27 de Dezembro, depois de uma prévia pernoita de véspera na área reservada a autocaravanas do Alenquer Camping ao preço acordado com o CPA. Alvoarda as 7h, compras de ultima hora, pão e legumes no mercado da vila. Pequeno almoço, e arranque para abastecimento na Galp, onde o preço por litro ficou a menos custo do que em Espanha, com o recurso ao desconto de 5C com base nos pontos Galp Fast, e de mais 5C com talão Continente, e ainda com mais 5C centimos de voucher de compras para o mesmo Supermercado. Total menos 15C, e assim o preço por litro de 0.969 ficou a 0.819. Ora em Espanha fica o gasóleo em cerca de 83 euros....

Apenas há anotar mais dois pormenores, este desconto combinado só é valido em Portugal atè ao limite de 60 litros. E em Espanha nas bombas Galp, o cartão Fast pdoe ser acrregado com pontos que atingidos o numero de 200, permite e só em Portugal beneficiar do desconto de 5C por litro...

A rota foi a simples. Média horária de cerca de 115Km/hora. Neve a cair na zona de Alpedrinha e Guarda, com os limpa neves em acção, e assim pelas 13, 15h paragem logo após a fronteira, no complexo GILDO, para almoçar – refeição completa por pessoa de 7,50€, e abastecer de combustível. Pormenor importante, esta bomba aceita o cartão de crédito do ACP da SOLRED (Repsol, Campsa e Petronor) e assim o litro em vez dos 0.83 fica por 0.81 e a pagar apenas dentro de um mês.
O seguimento não teve historia, bom tempo, boas estradas (autopistas) e gratuitas até Burgos. Aqui chegados fomos direitos, sem necessidade de GPS ao local previamente eleito em anteriores viagens: o parque de estacionamento junto ao Centro de e Saude e Igreja de Sta Clara, não muito longe das ruas de peões que convergem para a Catedral. Coordenadas GPS:
42º 20´ 25,99´´ N
03º 41´ 35,16´´ O





Jantar na AC com um festim de iguarias idas de casa. Tapenade (patè de azeitonas) queijo Manchego, pão de Alenquer, carne de porco assada fria, mini pasteis de nata,vinho português, café...depois volta pedestre pelas ruelas de Burgos e volta a Catedral. Muita animação nas ruas, frio e tempo claro e seco. Seguiu-se o sono dos justos.

Nota: não houve incómodo por parte das autoridades, as autocaravanas ficaram bem estacionadas em locais delimitados no solo no sentido do comprimento, mas não no sentido do terminus, ou seja, respeitou-se a regra de não exceder a demarcação do solo. Não foi utilizado o parquímetro pois às horas utilizadas não havia pagamento a fazer. Não se fez campismo, nem acampada, pois não se ultrapassou o uso do lugar de estacionamento e os veiculos só tinham as rodas em contacto com o solo. Nem se despejaram águas para a rua !

2º dia,
Acordar pelas 8h com 1 grau de temperatura.
Saida às 9h de Burgos pela auto-estrada paga até à bifurcação para Vitoria, pois a partir daí até quase a fronteira é gratuita. Niebla intensa...ou seja nevoeiro (e não, neve) cerrada....quase ate Vitória, mas depois sol, céu azul, tempo luminoso. Chegada a Biarritz pelas 13h, e almoço na AC na zona da praia da Costa dos Bascos. Frente ao mar, com inúmeros surfistas. Um espectaculo!



Nota: No inverno, em Biarritz, a polícia é tolerante e o Município também. O estacionamento é gratuito (ao contrário do verão) e a polícia tolera o estacionamento de autocaravanas por pouco tempo (1 hora para almoçar) onde na época alta é proibido...Ou seja, funciona a regra do bom senso e do bom gosto, de parte a parte. Nem há abuso de autoridade, nem comportamentos abusivos dos autocaravanistas.

Depois do almoço seguimos a auto-estrada paga para Pau, e depois na saida 11 inflectimos para Lourdes. A alternativa teria sido a saída 10, e fazer a aproximação ao longo do Rio (Gave). Estacionamos onde uma francesa, autocaravanista também, nos indicou, em alternativa ao local pré indicado nos guias (supermercados Leclerc). O local, na margem esquerda do Rio fica relativamente próximo do centro, e num antigo estacionamento de autocarros de turismo, onde já estavam muitas autocaravanas, e aliás muitas mais chegaram atá ao anoitecer. Está sinalizado, é gartuito, e não tem área de serviço. (ver fotos)
coordenadas GPS:
43º 05´ 20, 81´´ N
00º 13´ 13, 88´´ O





O tempo foi aproveitado como cada um entendeu. Mas a vista á gruta, a Igreja, à cripta, e as lojas de recordações foi incontornável. Note-se porém que a cidade morre com a noite caída, Nesta data nem um restaurante aberto, nem vivalma nas ruas frias.

O Jantar foi na AC - vinho Dão, queijos, pão, espargos, camarão frito no alho (Ajillo) e a conversa prolongou-se até o sono abrir as portas dos sonhos.

Nota: Os lugares de estacionamento delimitados no solo eram adequados ao gabarito de autocaravanas, as areas de circulação também, e havia sinalizaçao vertical indicando a natureza do parque. Não se viu ninguém a fazer campismo.

3º dia
Saída do estacionamento e pernoita em direcção ao supermercado Leclerc, na direcção Tarbes, para compra de alguns frescos e reconhecimento da rea de estacionamento e serviço de AC. Ai estavam estacionadas algumas autocaravanas numa solução que outros supermercados em França e alguns em Portugal já começaram a praticar tambem, embora timidamente. Existe uma torre de serviço de água (2 euros) e electricidade (avariada) e area de despejos. Ver fotos. Coordenadas GPS:
43º 06´ 38, 78´´ N
00º 02´ 18, 52´´ O


Esta solução ao lado do supermercado e de uma cafetaria pode ser uma alternativa de viagem, mas não para visitar Lourdes em que a localização utilizada é preferível. A viagem seguiu para St Bertrand de Cominges, mas encontramos a Catedral fechada. O acesso é fácil depois de Montrejeau, e a imponência do edifício e a paisagem merecem o desvio.

Retomou-se o caminho por estradas secundárias em direcção ao segundo grande objectivo do dia as grutas de Mas d´Azil. Seguimos para próximo de St Gaudens e depois para St Girons, com almoço em Mane, na autocaravana, mais uma vez, (magret de canard, baguette, queijo, crepes com chocolate, café, vinho local) nas margens do rio sob chuva fina e companhia de uma autocaravana Mercedes, pesada alemã. Ficam as coordenadas do local de almoço pois o estacionamento pode no verão dar um local para pernoita bem agradável.
GPS:
43º 04´ 38, 78´´ N
00º 57´ 02, 61´´ O



A aproximação as Grutas é excepcional. Neste caso as fotos não reflectem minimamnte a imagem grandiosa do local. O sítio merece uma vista de forma inquestionável e não fora razões de tempo ter-se-ia feito a visita completa. Note-se que é a única gruta em tempos habitavel, que pode ser atravessada pro automovel e em estrada de duas faixas de rodagem. Curiosamente este local aparece descrito no Guia Michelin Verde, mas é completamente desconhecido na edição que temos do guia de França da American Express.



O estacionamento poderá também ser vir de local de eventual pernoita.
Entretanto anoiteceia e assim passamos de seguida por Foix sem nos determos e pela via rápida ultrapassamos Tarascon ate chegar ao Camping Muncipal de Ax les Thermes num chão branco de neve.

E porquê um Camping? E porque não um Cmaping? se se trata de autocaravanismo itinerante e livre (especialmente de preconceitos)
Pura e simplesmente porque os Campings são locais adequados ao estacionamento e uso pelas autocaravanas mesmo que não se queira acampar. E foi o caso. Por razões de segurança, e temer-se um nevão não queriamos ficar bloqueados em qualquer estacionamento. Por outro lado, era necessário reabastecer as baterias com electricidade. Foi assim a oportunidade de tomar um longo banho de chuveiro e água quente sem estar a contar os litros ou a capacidade da bilha de gás da autocaravana. Ainda adicionalmente a questão do gelo aconselhava a prudência nocturna reforçada.

Nota: o preço praticado de cerca de 10.00 centimos com electricidade parece correcto, apesar de se tratar de um parque de campismo municipal e sem outros serviços que não os sanitários- não tem serviços para AC.
coordenadas GPS do Camping (supermercado em frente)
42º 43´ 47, 12´´ N
01º 48´ 40, 18´´ O

4º dia
Afinal não nevou na noite fria. Só se formou gelo. 1º acordar as 7h com o sino da igreja, e 2º acordar pelas 8.20h. Dia azul, sem nuvens e pleno de sol! Autêntica paisagem de postal e calendário de Natal de paises nórdicos.

Retomado assim o destino pré figurado desde Lisboa: Vamos então ao enclave de Llivia (espanhol) e não vamos a Andorra. Subimos pois aos Pirineus depois de tarvessar Ax les Thermes, sempre com neve crescente nas margens da estrada e nas montanhas, sempre em velocidade reduzida pela indicações de pavimento glissante...e assim chegamos ao tunel de Puymorens, novo, extenso e pago (11,60 €)

Café bebido em Bourg Madame – Puygcerda separadas pelo Rio, uma Francesa e a outra Espanhola, e mais adiante o enclave espanhol de Llivia numa situção que em tudo poderia ser similar a Olivença se as voltas do destino tivessem sido diferentes. De Llivia fica a visão incaracteristica, de uma povoação num vale, com um brazão pretensioso, mas dos arredores em montanha, St Louis, (o seu forte de Vauban o forno solar) e Font Romeu ficam as melhores recordações de povoações com raça, de montanha e embelezadas pelos nevões anteriores.



Acabamos aliás por almoçar no estacionamento do supermercado Super U, em Egat, logo a seguir na descida de Font Romeu. Varias autocaravanas convergiam tambem para esse local por ter uma estação de serviço Eurorelais. Paisagem de neve soberba ! Para a hipotese de uma pernoita qui ficam as coordenadas GPS:
42º 29´ 51,08´´ N
02º 00´ 46,80´´ O

O caminho seguinte foi ao longo do Rio Segre em direcção a Seo de Urgel. Bonitas paisagens de montanha,Rio, e Barragem, dia transperente, sol a condizer, trânsito pouco..até quase Leida (Lérida) para antes se encontarraa A2, e por ai seguir em autopista gratuita ate Saragoça, em longos Km.

Já noite, entramos na cidade pelas 20h, e como tinhamos lá estado ainda em Agosto deste ano por causa da Expo, fomos direitos ao estacionamento entre predios residenciais, e desta vez havia lugar. Ficamos pois no parque de estacionamento terreo, do garden center La Regadera, perto da nova primeira ponte pedestre do Ebro, que descreve um arco. Para simplificar aqui ficam as coordenadas GPS:
41º 39´ 59,88´´ N
00º 53´ 34,77´´ O

Desta vez o jantar foram mexilhões (bouchons) com natas, vinho Muscat (o nosso moscatel) e ainda camarões cozidos, queijo manchego, pão etc. Para desmoer um passeio a pé pelas avenidas das cercanias com algum movimento. A noite decorreu pacífica.

Nota: este estacionamento e pernoita não causou nenhum problema. Não dispunha de lugares demarcados (chão em terra batida) e com muito espaço, não colocava nem problemas de manobra nem de espaço para estacionar. Como é natural não fomos importunados por nenhuma autoridade.

5º dia
Acordar pelas 8h, sem esforço e siada do local após pequenos almoços tomados pelas 9h. Retoma da A2, e pouco depois do segundo desvio para o aeroporto, saida para a zona comercial onde esta o centro comercial Eroski... objectivo entre outros, a compra de enchidos com pinhões típicos desta região de Aragão.

Retomou-se a A2 e depois um desvio para ao Monastério de Piedra, Mosteiro Cistercense construido sobre uma fortificação moura, espécie de mosteiro da Batalha encavalitado em Sintra. Hoje o espaço está muito comercial ...só se visitam os jardins e quedas de água com bilhete, o Mosteiro esta transformado num Hotel muito estrelado e a parte do claustro, da sala do Capítulo da Igreja e de algumas salas dos fardes ficam registadas em foto. Registe-se a curiosidade da pintura mural que relata a preparação de chocolate, pela primeira vez na Europa com os frutos do cacau vindo de além mar.



Regressámos a A2 pela estrada que contorna o embalse (barragem) da Tranquera com paisagens dignas de uma vista, para almoçar num estacionamento de mais um supermercado Eroski ao Km 45, antes de Madrid. Desta vez a refeição foi de atum, ovos cozidos, salsichas, espargos, queijo português Castelões, café, vinho. O bom tempo manteve-se a noite foi cainado e deslizamos depois da M 40 de contorno de Madrid, para Trujillo, e mesmo antes, já com acesso a nova autopista gratuita para Cáceres (quase completada) seguimos sempre debaixo de chuva insistente, até a entrada para o Albergue Municipal, parque Vahondo, junto a Igreja de San Blas, onde aliás tinhamos passado a noite de 2007 para 2008.
Trata-se de um complexo de alojamento turistico social inserido num amplo complexo desportivo que tem uma area de estacionamento e serviços próprios para autocaravanas, devidamente sinalizado. Os lugares etsão devidamente assinalados no solo, e alguns deles (4) têm acesso a ficha electrica, tudo gratuito. A segurança está garantida com portões que se fecham de noite proibindo portanto o acesso de novas viaturas a partir das 23h. Este ano estavam além das duas autocravanas portuguesas, mais duas alemãs (uma de regresso de 4 meses de férias no Algarve) uma espanhola e uma francesa.
As coordenadas aqui ficam:
39º 28´ 49.11´´ N
06º 21´ 59,80´´ O

O Jantar foi, mais uma vez na autocaravana. De quando em onde ouviam-se estalar de petardos. Pela televisão iamos acompanhando as noticias de fim de ano, entre a chegadas das mensagens de bom ano que vinham inundando os telemoveis. No final, saida já com rara chuva para o casco velho de Caceres, relativamente proximo do estacionamento. Ao passar pela Igreja de Santiago uma série de petardos assustou as cegonhas que ficaram a esvoaçar e a estalar o bicos ate se acalmarem e regressarem aos ninhos.
Na praça principal uma enorme tenda de plástico branco esperava pelos foliões as 23h, para a despedida da Noite Vieja aprazada para as 24h. Mas havia muito pouco povo nas ruas. E muito frio. Os restaurantes estavam na sua maioria fechados, e assim pouco depois das 23.15h depois dos ensaios do som da tenda voltamos ao parque das autocaravanas, entrtenato a espera da meia noite espanhola, uma hora mais cedo que a portuguesa, para contra as passas, encher as taças de espumante ucraniamo (um presente de Natal) e aguardar pelas badaladas...e lá entrou mais um ano de parto dificil....
Nota: Não houve o menor incómodo em pernoitar neste parque de Caceres e em momento algum houve o sentimento de estar a ser sequestrado contra vontade, ou de algum modo violentado na consciência de autocaravanista itinerante. A solução oferecida aos turistas de autocaravana é inteligente, é gratuita, é cómoda e uma excelente alternativa a deixar a viatuara em qualquer outro lugar desprotegiada e quiçá em plano inclindao, sem água, sem saneamento, sem electricidade. Claro que nem sequer se coloca o problema de as autoridades incomodarem os autocaravanistas!

6º dia
Amanhecer com calma quase às 8.30h ! temperatura em alta, pequeno almoço a ouvir noticais...sobre o Hamas, a paz dificil no medio oriente, a crise económica em esapnha as expectativas negativas da taxa de desemprego...

Aproveitamento das facilidades do local para despejo da cassette, já que quanto ao resto estavamos bem, tendo refeito o nivel de água limpa numa bomba de combustiveis que em Espanha, como em Portugal, disponibilizam agua graciosamente ( em França é bem mais dificil).

Entretanto, são horas e pouco antes das 10h vamos à estrada Cáceres Badajoz...sempre a descer, sem trânsito de dia 1 de Janeiro...até retomar a parte final da autopista A5 (Madrid Badajoz) para finalmente parar na bomba Galp antes da fronteira. Fazer o pleno, receber pontos no cartão Fast Galp, e entrar em Portugal pela Auto-estrada. Depois saida em Elvas e de seguida sempre pelas nacionais,quase sem transito a rota por Estremoz, Arraiolos, Montemor, Venda Nova, Pegões, Vila Franca de Xira e Alenquer. Chegamos ao Camping pelas 13h, foi o tempo de mudar sacos de viagem de viatura, desligar conexões electricas, esvaziar frigorifico, e regressar a Lisboa, e depois ao Estoril.
Notas:
1)Os parques de campismo também servem para parquear autocaravanas....a menos que venha aí alguma APA (associação portuguesa anti parques).
2) Resta esperar que a promoção do turismo itinerante em autocaravana fique mais forte e dignificada com comentarios pedagógicos e relatos de viagem informativos, positivos e construtivos do que repetições de alarmes e receios injustificados que á imagem da lenda do Pedro e do Lobo....quanto mais se clama em vão, menos se lhe dá razão !

segunda-feira, janeiro 07, 2008

RELATORIO DO BIENIO 2006/ 2007 do CPA

Relatório sintético da actividade

da Direcção do CPA- Clube Portugues de Autocaravanas em 2006 e 2007


Sem desprimor para o trabalho feito por outros, qualquer observador atento reconhecerá que em matéria de afirmação institucional do CPA, de visibilidade pública do autocaravanismo e de dignificação da imagem social dos autocaravanistas, se fez mais nestes dois anos do que nos restantes quinze. O mesmo se pode dizer no que se refere à promoção de áreas de serviço para autocaravanas ou no que concerne à luta contra as proibições de estacionamento. As condições do Protocolo de Seguros que assinámos falam por si. Cerca de 3 centenas e meia de novos sócios nestes dois anos são bem o testemunho da correcção do rumo que seguimos. Recordemos as principais realizações da responsabilidade desta Direcção.

1. Mantivemos a tradição do Clube organizando 12 eventos de confraternização dos sócios (o dobro da média anual dos últimos anos):• Em 2006: Encontro do Cartaxo, Encontro de Castanheira de Pêra e Encontro da Murtosa, Passeio pelo Alto Tejo;• Em 2007: Encontro do 16º Aniversário-Alenquer; Encontro da Nauticampo-Lisboa; Encontro de Abrantes; Acampamento da Ericeira; Passeio pela Serra de Montemuro; Inauguração da Área de Serviço da Batalha, de Abrantes e de Pedrógão;

2. Iniciámos o processo de reorganização interna do Clube, acertando o passo com a sociedade informatizada do nosso tempo(uma nota de reconhecimento para o esforço que a Amélia Reis fez para se adaptar às exigências da informática e da Internet)• Actualizámos (pela 1ª vez) o ficheiro de sócios e reformulámos a ficha de sócio. Alteramos os procedimentos de gestão do ficheiro de sócios, acabando com o ficheiro em papel;• Redefinimos os procedimentos contabilísticos, passando a contabilidade a fazer-se integralmente em suporte informático;• Passámos a comunicar regularmente com os sócios através de e-mail;• Registámos em nome do Clube um domínio na Internet, criámos e mantivemos nós mesmos uma página do CPA na Internet, qual janela do Clube aberta ao Mundo;• Criámos uma Base de Dados sobre Áreas de Serviço e locais de pernoita acessível aos sócios via Internet;• Criámos uma aplicação informática que permite a qualquer um fazer-se sócio do Clube através da Internet (mais de uma centena apenas em 6 meses);• Criámos o Fórum-Autocaravanismo que passou a ser instrumento privilegiado de comunicação com os sócios e com os autocaravanistas em geral. Este fórum é actualmente uma espécie de ponto de encontro obrigatório dos autocaravanistas, registando entre 50 e 60 mil visitas mensais.

3. Abrimos o Clube ao Mundo e começámos a construir o prestígio institucional necessário para que o CPA seja visto como uma referência pela generalidade dos autocaravanistas e como um parceiro credível na defesa dos interesses dos autocaravanistas por parte das autoridades oficiais• Durante este mandato foram enviadas às mais diversas entidades e à comunicação social cerca de uma centena de documentos com Comunicados de Imprensa, tomadas de posição institucional, esclarecimentos técnicos, propostas de parceria, etc. Há 391 Autarquias e 413 jornalistas que passaram a receber regularmente informação sobre as actividades do CPA.•

O Boletim oficial do CPA sofreu uma profunda reestruturação tanto do ponto de vista gráfico como do seu conteúdo e dimensão, adquirindo uma dignidade que lhe faltava, com o que se conquistou para o Clube uma nova imagem institucional e se aumentou o potencial de obtenção de patrocínios publicitários.• Os protocolos assinados com a ExpoBatalha, a Exponor-Natura e com a FIL-Nauticampo permitiram ao CPA passar a dispor de um stand próprio digno e gratuito em todas as grandes feiras-exposições de autocaravanismo em Portugal, aí se dando a conhecer e aí acolhendo os sócios. A Expo-Natura ostentou o símbolo do CPA nos seus cartazes de promoção. Imaginam qual é o valor comercial destes protocolos?•

Criámos a CARTA de AUTOCARAVANISTA, com tudo o que ela encerra de simbólico.• Colaborámos com a revista espanhola El Camping y su Mundo na elaboração de um Guia de Áreas de Serviço na Península Ibérica, que contribuirá não só para divulgar o CPA além fronteiras como para promover o autocaravanismo em Portugal.• Contribuímos activamente para que se tenha falado mais de autocaravanismo na sociedade portuguesa durante este dois anos do que em todos os 25 anos anteriores juntos. As quase 7 mil mensagens no Fórum, as reportagens do jornal Público e a entrevista dada à rádio TSF são apenas os exemplos mais marcantes onde o CPA e o autocaravanismo mereceram um destaque nacional sem precedentes.

4. Contribuímos decisivamente para a abertura de uma nova página nas condições em que se pratica o autocaravanismo em Portugal. Por força do trabalho de credibilização institucional do CPA, não só passámos a ser escutados enquanto representantes dos interesses dos autocaravanistas, como passámos a ser reconhecidos enquanto parceiro estratégico. Isso permitiu que as condições para se praticar o autocaravanismo em Portugal tenham conhecido um sério e decisivo impulso, ao mesmo tempo que reforçámos as vantagens materiais oferecidas pelo Clube aos sócios. São disso exemplo:• O acordo negociado com a Allianz e a Castela&Veludo que veio revolucionar o mercado português de seguros de autocaravanas. Muitos sócios passam a poupar num só ano mais do que aquilo que pagaram de cotas ao CPA em toda a sua existência (isto caso tenham sido sócios fundadores). Por isso este acordo é também uma garantia de financiamento permanente do Clube, pelos novos sócios que irá trazer ao CPA. É a garantia de viabilidade financeira do Clube. Mas não é só o Clube que ganha, mesmo os nossos detractores ficam a ganhar. Não fosse o nosso trabalho e todos os autocaravanistas continuariam a pagar o dobro do que pagamos agora pelo seguro da autocaravana. • Quando iniciámos funções havia em Portugal 2 áreas de serviço para autocaravanas de acesso não condicionado. Hoje existem 15 (sem contar com os espaços fechados dos campings).

Por força dos protocolos que criámos passámos a ter em Portugal áreas de serviço em campings que estão abertas aos autocaravanistas sem necessidade de pernoitarem no parque, o que é uma inovação. Inovação é também o azulejo de certificação, que além do mais é uma montra de publicidade ao CPA. Agora até se diz que é fácil criar uma área de serviço, até parece que elas nascem como os cogumelos. Então porque não surgiram elas nos últimos 15 anos? Alguém acha que seria tão fácil como o é agora criar uma área de serviço se não fosse o projecto técnico que elaborámos, a apresentação que dele fizemos a quase 4 centenas de Autarquias Locais, a forma como gerimos a imagem pública do CPA e das inaugurações entretanto realizadas? Há mais de 10 anos que no CPA e na Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal se tentava definir um Projecto de Área de Serviço. Nós fizêmo-lo e encontrámos parceiros para o concretizarem. Poder-se-ia ter ido mais longe, mas infelizmente houve que “deixar cair” quase 2 dezenas de processos de negociação em curso para a criação de outras tantas áreas de serviço. Apesar disso, nos próximos meses seremos chamados a estar presentes na inauguração da área de serviço de Moncorvo (a 15 e 16 de Março de 2008) na de Nelas e na de Coimbra (sim, leu bem: Coimbra, na margem do Mondego).• Os primeiros passos no dossier legal foram dados com as diligências junto da GNR da PSP da DGV e do Provedor de Justiça. Tais diligências, no sentido de esclarecer as condições jurídicas da prática do autocaravanismo em Portugal, foram a partir de certa altura interrompidas por falta de condições internas para prosseguir o rumo definido. Mafra é uma boa ilustração: apesar do apelo feito, quantos foram os sócios que transmitiram à Câmara o seu apoio à proposta que a Direcção do Clube colocou à consideração da Câmara e da Assembleia Municipal? Nenhum!À luz da experiência vivida pela Direcção que hoje cessa funções, cabe agora aos sócios reflectir seriamente sobre o rumo que querem para o Clube.

Em particular impõe-se avaliar se o movimento autocaravanista português, e o CPA em particular, estão preparados para enfrentar a batalha da institucionalização jurídica do autocaravanismo em Portugal.


A Direcção do CPA

Ruy Figueiredo, presidente, Raul Lopes, vice-presidente, Emidio Campos, tesoureiro, Abílio Mira, Nuno Ribeiro,Vitor Santos

terça-feira, julho 17, 2007

Quinta do Coelho, na Labrugeira, Alenquer


Casamentos refeções e festas...com parque onde cabem autocaravanas...
com capela propria
tels
938067900 e 939 429 672
alojamento possivel nos bungalows do alenquer camping em www.dosdin.pt/agirdin

sábado, março 24, 2007

Preços especiais para recolha de autocaravanas


para os leitores deste Blog....


Preços especiais para recolha de autocaravanas no Alenquer Camping, EN 9 Km 94 www.dosdin.pt/agirdin e também em www.roteiro-campista.pt


Preço ao mês 50 euros, incluindo o direito ao uso de um fim de semana gratuito com piscina e electricidade. Area de serviço de utilizaçao gratuita para quem tiver contrato de recolha. Para passeios, pode deixar a viatura no camping, sair com a autocaravana e no regresso retomar a viatura...


Preço ao semestre pagamento antecipado 200 euros (sai a 33 euros mes)...sempre com IVA e recibo...
tel 21 3552070, fax 21 3548540 mail camping@dosdin.pt

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Alenquer, castelo do Rei Wamba, Alenquer


Ida e volta ao Castelo do rei Wamba, com saída do Alenquer Camping .

Ora bem, imagine-se um domingo incaracterístico de Fevereiro, uma autocaravana que ainda não percorreu um Km neste ano de 2007, e mais um pretexto para um jantar no Alentejo com uns amigos...que mais faltava para ir até ao castelo do Rei Wamba e fazer uns 600 km, e duas dormidas na capucine da autocaravana.

Quanto aos dados estatísticos arrumam-se já:

Percurso de cerca de 600 km...média de 10.8litros/100km
(Knaus 2,8JTD, capucine de 2003)

Partida de Alenquer, depois de almoço de domingo dia 25, saída do camping depois de pleno de agua limpa na recém inaugurada area de serviço pelo CPA, e o atestar de combustivel na Galp de Alenquer (preço 1.013, com o desconto de 0,05 com talao de compras do Continente) e paragem e dormida num monte na zona de Lavre, Ciborro, via Vila Franca de Xira e Coruche.

Jantar na bomba do Martins (verde e com o logotipo da Galp) na estrada para Montemor. Jantar a 4, com queijinhos, pão, azeitonas, vinho local, e duas doses de secretos de porco preto, mais sobremesas, tudo pelos 19 euros o casal.. e para rebater, na casa do monte alentejano, um jogo de cartas até às tantas...

Dia seguinte, 2F, dia 26/02, compra de pão no Lavre e progressão lenta, para gem em Aviz, (foto dentro da muralhas em amarelo) e depois somaram-se os Km até Urra (almoço) . Que almoço, no Restaurante D. Alvaro, mesmo a 2Km de Portalegre (tel 382283).








Torresmos de entremeada de cinco estrelas, e linguiça e farinheira frita de entrada, cabrito assado no forno de eleição, a dose para dois a 9.50€, ( na foto ve-se bem que não se passou fome) o que significa uma conta final de 19.65 euros....


Depois na Portagem, em Marvão incursão a Espanha (rebastecimento de gazoleo a 0.89.9 na Campsa e ainda menos 0,02 centimos com o cartão do ACP/Solred a pagar dentro de um mês). O fito era em Valencia de Alcantara comprar um produto farmaceutico de encomenda familiar...mas, desatenção fatal, a siesta aqui termina as 17h, por isso tudo fechado, e meia volta, ate trepar ao alto de Marvão.



Parque de estacionamento obrigatório para não residentes, funcionarios da CM ou clientes da Pousada. A acrescentar à imposição, obras esventradoras nas ruas de Marvão recomendam mesmo o estacionamento ante portas. E além de tudo isso, é evidente que AC não entra em portas medievais como aquelas.

Lá se deu a pé, a volta possivel ate as ameias do Castelo, a visita sacramental ao posto de turismo e depois a entrada na Pousada, a recordar os idos tempos em que esta se resumia a 6 quartos...pois agora tem bem mais, mantem e aumentada a casa de jantar, e dispõe de mais um miradouro para beber café e sala de leitura. Impecavel, a justificar, e não só pela vista, os 2,50€ pela bica.

Passo seguinte, rumo a Nisa pelas estradas secundárias a descobrir açudes e e pequenas barragens à busca do Tejo, Vila Velha de Ródão...e depois, a tal senda para o Castelo do Rei Wamba. E quem era o rei Wamba, e tinha um Castelo?





Mas o que interessa, o dito Rei Wamba não era lendário. Foi mesmo Rei Godo de 672 a 680 e velou pela defesa da cristandade com epicentro em Toledo. Teria nascido em Penamancor? Teria tido um Castelo ali à ilharga escarpada das portas do Rodão? teria sido ele a fiscalizar o trafego fluvial desde Toledo para a depois Egitânia e Lusitãnia? Claro...antes da ponte...

O que se conta por aqueles lados é a lenda, pois o Wamba tinha como mulher Barbara...de nome? de origem moura? O certo é que a dita se enamorou a ponto de o atraiçoar com um Rei mouro, a sul do Tejo, um tal Yussul...que, como consta de uma das versões da lenda, escavara um tunel sobre o Tejo...e surpreendido, ve o Rei Wamba ofertar-lhe a mulher cobiçada...só que, amarrada a uma mó que rolou escarpa abaixo...e a lenda diz que nunca mais nada renasceu por onde o rolar da mó e da mulher passaram!

A fotografia ao castelo (Torre) do Rei Wamba aqui fica, e a declaração de que está a ser reconstruida, e que a vista que se alcança sobre o rio, vale a pena a viagem ja que pela ermida do castelo, porta fechada, não se alcança outra motivação.

Subido ao Castelo, fotografado o Rio e aquele, ruma-se a AC diligente ao entrocamento da auto estrada gratuita, ate ao entrocamento com a A1, e depois já noite caída, seguem-se 2,65€ de Brisa, até à saída para Batalha/Fátima.


E depois empre para a Batalha em estrada curvilinea. Lá chegados, cadê a area de serviço recem inaugurada pelo CPA? Basta perguntar pelo Campo da Bola, pelo Campo da Feira, pelas piscinas Munipais, ou pelo pavilhão multiusos...lá se chega, lá estavam quatro AC, duas espanholas, uma francesa e uma inglesa. A francesa já depois de jantar rumou da zona das AC para um passeio fronteiro onde havia um poste com ficha electrica...e ali mesmo ligou-se como qualquer feirante....aí está a foto...






Horas de jantar...e onde? Pelo Retiro dos Caçadores nada feito...a cozinheira faltara nesse dia...e nos outros resataurantes a vida anímica estava abaixo de zero clientes. Então sozinhos por sozinhos, antes uma marisqueira. Foi a do Paulo e Rui Lda...(tel 2440123). Serviço correcto, camarão cozido, e ameijoas....à Batalha, que de Bulhão Pato não tinham nada.


Mas entre vislumbres televisivos de Futebol e de Noticiário sobre o escândalo da Universidade Independente, lá se passou a fome a troco de uns 30 euros, com factura e tudo.

Sono dos justos na nova area de serviço da Batalha. Acordar no dia 27, 3F, em etapes, na medida que os camions TI (antigos TIR) iam roncando e pegando ao serviço.



Pelas 8.30h higiene e pequeno almoço de pão alentejano em torradas, e café com leite, e a pé, os poucos metros que separam da vila e do Mosteiro, à busca de jornal, e de informações sobre a abertura do Monumento. O GNR de serviço não sabia...o posto de Turismo estava fechado (abriu as 10h), mas lá pelas 9.30h abriram portas do Mosteiro. Italianos a monte, de guia Michelin em punho lá estavam também.



Entramos e como a idade já permite, com meio bilhete, ou seja duas pessoas pagam 4,50€ ao IPPAR para ver a nave central da catedral, a capela dos túmulos reais, os claustros, os jardins, o museu ao soldado desconhecido e a chama ardente, as peças substituidas de arte corroidas pelo tempo, e as capelas imperfeitas com entrada pelo exterior, e por isso visitaveis gratuitamente. Fotos em anexo, inclusive de uma gárgula em forma de mulher...seria inspirada na Barbara do rei Wamba?


Concluida a vista cultural, foi o recuperar da AC, e o regresso a Alenquer via Caldas da Rainha, com paragem e compra no mercado de legumes, e com passeio pelas raus de peões, seguiu-se o Cercal, sempre pelas nacionais. A chegada à zona da Abrigada a horas de larica, deu para ir a Adega do Tomás, quase junto a Nacional. (tel 263 799164).

Se se recomenda o D. Alvaro na Urra, a Adega do Tomás vale um hip hip Urra! Serviço de sete estrelas... preço idem (duas pessoas 13,50€) com direito a entradas...de salsicha fresca, morcela de arroz, entremeada frita, azeitonas e pão, cozido à portuguesa que era prato do dia, agua e vinho, e ainda uma sobremesa, tarte de gila e café...por menos, e melhor não há....

Almoço feito, autocaravana depositada no Alenquer Camping, troca de carro, e rumo a penates pela CREL. Estava feita uma pausa de 48h no dia a dia. E cada dia, só adia a próxima pausa...

terça-feira, janeiro 30, 2007

MARROCOS em Todo o Terreno

Viajar até Marrocos em 4x4
V Raid ATTA (2002)

Fazer turismo rodoviário, ou touring, constitui uma oportunidade interessante seja em viatura própria, seja alugada no regime de rent-a-car, e utilizando-a conjuntamente com um pacote de viagem aérea, e alojamento combinado. Mas, com um grupo de amigos, todos em jeep, em viagem com troços todo o terreno, com percursos de deserto, areia, pistas e estradões, constitui uma solução ainda mais interessante no caso de Marrocos.

No caso concreto, integrados no V Raid da ATTA, Amigos do todo o terreno de Alenquer, com o alto patrocínio do ACP, e do Circulo de Amizade Portugal Marrocos (integrado no Instituto Luso Árabe para a Cooperação), a nossa viagem a Marrocos em 2002, por ocasião das férais da Páscoa, constituiu uma experiência positiva, que se recomenda.

Note-se que se tratou de um Raid, ou seja de um passeio, e não de uma prova desportiva competitiva, por isso não interessava ter dotes de navegador, de acelera, ou estar super equipado com uma máquina artilhada. Claro que no grupo de 11 viaturas havia quatro com GPS e ajudas radio, e duas viaturas com guincho, equipamento que se mostrou útil, e até necessário para quem era responsável pela organização.

Para o comum dos participantes, como era o nosso caso, bastou ter alguma prática de todo o terreno, uma viatura adequada, no caso um Jeep Korando, para ajuizar das ocasiões de entrada das mudanças curtas ou longas, nos casos em que o piso o tornava indispensável, e conduzir a ambas as mãos, e á velocidade adequada, não para perder de vista o primeiro da coluna, mas sim para não deixar de perder de contacto o veículo que nos seguia.

Assim, o grupo que testou a sua homogeneidade e coesão num chuvoso e lamacento sábado no paúl da Ota, em Alenquer, e nos corta fogos que circundam a A1 em Alenquer, manteve-se sempre em boa ordem de marcha e sem grandes contratempos. Os pequenos problemas que sempre surgem, foram resolvidos pela equipa, ou em garagem, por mecânicos marroquinos polivalentes e experimentados no desenrascanço, como aconteceu em Marrakech para soldar um ponderal de direcção partido, e reparar um alternador que teimava não querer carregar a bateria.

Este ano, o circuito do Raid levou-nos a atravessar o alto Atlas, o Baixo Atlas e até a percorrer parte do anti Atlas, ou seja percursos montanhosos, e também os areais das dunas a sul de Erfourt, até ao deserto circundante de Merzouga, e obviamente alcatrão, e até autoestradas, em especial a partir de Casablanca, ou entre Tanger e Midelt.
Quanto ao alojamento e refeições, o sistema adoptado mostrou-se adequado a um mix de conforto e de aventura. Para além dos hotéis de quatro estrelas, normalmente com piscina, onde por regra se tomaram os pequenos almoços e os jantares, também houve noites mais espartanas, em especial o campismo livre num oásis, junto ao posto militar fronteiriço com a Argélia, em Azkham, e a pernoita no acampamento berbere turístico de Merzouga. Por outro lado, os almoços em pic nic resultaram em cheio devido aos abastecimentos trazidos de Portugal, desde enlatados a vinho, ou cerveja e refrigerantes.

Merece referência o cuidado posto na preparação da viagem. Todos tinham um road book, com os percursos diários em croquis, com as indicações kilométricas, e demais informação indispensável, como por exemplo as moradas e telefones dos hotéis, e os contactos com todos os membros do grupo, pois o recurso ao telemóvel, para quem não dispunha de rádio mostrou-se útil, e o roaming funciona para todos os operadores portugueses.

Individualmente, os equipamentos levados também se mostraram adequados em função do check lis oportunamente distribuído...mas acrescentamos como sugestão para quem queira repetir esta experiência...que deva levar também uma loção solar, um baton de cieiro, e um termos ou um cantil isotérmico, para ter sempre à mão, conforme gosto ou café quente, ou agua fresca.

Para além disto, levámos no nosso jeep uma geleira eléctrica ou ”arca frigorífica”, e um fogão camping gaz, e uma inútil caixa de ferramentas, e um cabo de aço (porque o carro vassoura e outros mais equipados duplicavam em qualidade e quantidade o que tínhamos).

Mais útil revelou-se o kit farmacêutico com máscara para pó, e diversos adesivos, comprimidos e solutos para prevenir conjuntivites, ou inconvenientes de digestão, bem como a documentação turística:
- o mapa das estradas de Marrocos da Turinta/Halwag, o Guia Neos de Marrocos, o Guia Michelin verde, O Guia Essencial Marrocos da Abril Controljornal, e ainda, mais histórico e cultural, o Maroc Guide et Histoire de Nina Banon. Finalmente, para os que se querem preparar mais a sério...podem ler o Manual de Viagens para Amantes da Natureza, de Dominique Le Brun e François Le Guern, editado pelas Publicações Europa América.

Assim preparados, foi maior o rendimento desta viagem que decorreu desde as margens do Rio de Alenquer, na madrugada de dia 20 sábado, de Abril, até á noite de terça feira dia 30 do mesmo mês, no mesmo local, depois de um périplo que nos levou através do Alentejo (Beja e Serpa) e Andaluzia (Sevilha e Tarifa) até ao porto de Algeciras, e depois da travessia de ferry boat do estreito de Gibraltar, a partir de Tanger para Alcácer –Quibir, Meknes apenas circundada, Azrou, Midelt, Erfoud, Merzouga, Tinerghir, Ourazate, Marrakech, Casablanca, Rabat e novamente Tanger.

Não houve problemas de abastecimento de combustível, pois a rede marroquina é suficiente em todo o percurso, embora a regra seja a ter sempre o deposito atestado, tanto quanto e quando possível; também não houve problema de câmbio de moeda, porque o multibanco funciona, e os euros valem como “oros”, em especial nos centros urbanos, e ainda, porque finalmente ao gosto árabe, é sempre possível negociar kif kif, ou seja por troca, ao menos parcial...e foi assim que trouxemos uma Tajine (pote de barro vidrado para cozinhar a vapor carne e legumes) por permuta de um par luvas de trabalho em carneira.

De resto, as pessoas, as paisagens e até a fauna, só podem ser consideradas como gratificantes, pela beleza que a Natureza não poluída proporciona, e que quantas vezes relembra cenários de filmes, ou descrições bíblicas e medievais. A temperatura ambiente, máximo 27º, e a altitude fresca, máximo registado 2 600 metros, com neve à vista, ficam na pele, e não se gravam em imagens, nem em palavras, tal como a poeira da areia dourada e finíssima das dunas.

São fascinantes as medinas, os bazares, os souks (mercados), os ksar (fortificações) ou os Kasbah (povoações muradas), os oueds (rios temporários) os oásis, os camelos, os rebanhos de cabras e de ovelhas e seus pastores, os burricos sobrecarregados de carga ou de cavaleiros, os miúdos com as suas saudações de beira de estrada, e os vestuários desde os kaftans, ás djilabas e aos boubous, para não falar nos turbantes multicolores e de múltiplas formas de os armar. São também interessantes, as especiarias e os animais á venda, vivos...o lagarto uromix comestível, camaleões, tartarugas, esquilos, ouriços cacheiros, cobras e até, no meio das dunas, apareceu quem quisesse vender uma raposa branca do deserto, bem jovem.

As rosas olorosas, e tudo que com elas se faz desde sabão a perfumes, as pedras fosseis, as cerâmicas com a sua decoração geométrica, os tapetes, as cestas e vimes, os barros, as peças de vestuário, as babuchas (chinelos), a marroquinaria desde chapéus a coletes, cintos, carteiras, os metais de cobre, de prata marroquina, os punhais, jóias, braceletes, pulseiras, e colares de contas e filigranas, candeeiros de vidros coloridos, até os azulejos, as jarras, as esculturas e objectos de osso de camelo, e as peças de madeira artesanal como portas, e janelas trabalhadas, são tentações de shopping constantes.

Fomos resistindo QB. Mas sempre regressámos a pretexto de recordações para os amigos, com algumas cruzes do sul (que há quem sustente que dão sorte e servem de astrolábio terrestre para orientação), um prato especial porque figurativo, com peixes dispostos geometricamente, diversos fosseis, para pisa papeis, e um inevitável turbante típico dos chamados homens azuis. Mais não veio, porque já em outras ocasiões tínhamos estado em Marrocos e já tínhamos dessas vezes comprado o chapéu estilo Indiana Jones, em pele de camelo, um ferro de engomar em latão, um albornoz, um porta moedas em pele de cabra, e sei lá que mais...

A solução é mesmo registar em vídeo e fotografia aquilo que os olhos vêm, embora, os cheiros e odores, a luz do sol nascente nas dunas, a música marroquina, os falares para nós algarviados, os sabores e a ambiência não tenham tradução possível senão na memória de cada um, e por isso mesmo são de difícil descrição. É mesmo indispensável ir ao local para se perceber a magia e encantamento de Marrocos.

Ficam pois as sugestões...ir ver com os próprios olhos, ir viajar a Marrocos em “quatre quatre”, ou seja em TT, em grupo, com amigos conhecedores já do território, e com alguns dirhams ou euros no bolso, e não perder:

- O Túnel do Legionário dito de Foum Zaabal
- A mesquita de Hassan II em Cásá (Casablanca)
- A Praça de Jmaa El Fna em Marrakech (a partir do entardecer)
- O nascer do sol nas dunas de Merzouga
- O desfiladeiro das gargantas do Todra
- Um Oásis, ou pelo menos um vale verdejante com palmeiras
- O campo de batalha de Ksar el Kebir (Alcacer-Quibir)
- Um souk de beira de estrada de cerâmicas
- A travessia de um oued (ribeiro intermitente)
- Uma loja de mobiliário e decoração (medina de Tanger)




Viajar até MArrocos II
VI raid ATTA (2003) 4X4



De repente uma tenda de venda de tapetes no deserto !


A imensidão das areias finas e douradas, contrastam em dois tons com um céu azul, límpido e sem nuvens.

Nada no horizonte do mar de areia. Nada a voar ou flutuar no espaço, e só o ruído da caravana todo o terreno, a deixar atrás de si rolos de poeira de nuvens leves que logo se acamam, e aquietam, num solo onde fica o tracejado dos pneus.

De repente surge um ponto saliente à nossa frente, umas ruínas da cor do solo, feitas de tijolos de adobe amassado em bosta de animais, e cimentados por escassa água de chuvas raras.

Depois a pouco e pouco, divisa-se um ponto mais escuro que ao avanço dos jeeps vai tomando a forma de uma pirâmide irregular.

Mais próximo ainda, apercebemo-nos: É uma tenda berbere de serapilheira grossa, cor de alcatrão ou de óleo usado. Na frente, um berbere entre tapetes, uma cadeira de plástico vermelha, um bidon de água também em plástico, um fogareiro camping gás para o bule de chá, de hortelã pimenta.

Depois apercebemo-nos de outras tendas, de outros berberes comerciantes do deserto. É tempo de uma paragem!

Os cinco jeeps do VI Raid Alenquer Marrocos, alinham em paralelo, e todos saltamos fora da trepidação, para uma pausa dos km de pista já rodados.

Claro que tanto são motivo de atracção e curiosidade para nós, as tendas berberes, como são para estes os jeeps portugueses, que são cercados para satisfazer a curiosidade... o quê, portugueses? Pois então são dos “nossos” e isto, em pleno deserto significa futebol: Figo, Sérgio Conceição, Pauleta, têm ali admiradores!

Acresce a curiosidade pelo UMM, raro naquelas paragens, e pelo emblema do ACP com as quinas que continuam a ser o brasão da cidade de CEUTA, enfim pelo autocolante do Circulo de Amizade Portugal Marrocos escrito em português e em árabe, e com os emblemas verde rubro (comuns a Marrocos e a Portugal) um da estrela de cinco pontas, o outro, o das quinas.

Aumenta a curiosidade com a chegada de miúdos aparecidos como que do nada, e a pedinchar ... dirham (uma moeda) bonbon (um rebuçado) ou stylo (esferográfica) ou pura e simples a papaguearem sem fim, merci, merci, como antecipando o agradecimento por alguma oferta mais valiosa, e por isso mais ambicionada, por exemplo uma “casquete”... ou seja um boné.

O grupo dos Amigos Todo o Terreno de Alenquer, participantes neste raid de 18 a 30 de Abril, de 2003, por terras de Marrocos, de Tanger a Zagora, desta vez resistiu às compras de tapetes, de bijuteria e de tambores (tan-tans).

Foi mesmo uma pausa ligeira. O caminho esperava, e pouco depois todos rumamos areias afora no sentido Merzouga - Zagora pela pista militar, junto à fronteira da Argélia.

Nada do que vimos naquele deserto lembrava Tanger, o campo de batalha de Alcácer Quibir ou Ifrane. Nada do que vimos naquelas areias tinha algo em comum com os portos e praias de Mogador (Essaouira) ou Mazagão (El Jadida) que iríamos visitar no regresso.

Nada? Talvez afinal tudo tivesse a ver, a natureza, a presença humana resistente, a imensidão do universo afinal, é a mesma!

Decarvalho
Maio de 2003



DICIONÁRIO E VOCABULÁRIO PARA MARROCOS

Os participantes do V Raid TT Alenquer Marrocos organizado pela ATTA, não tiveram dificuldades de comunicação, a não ser os anglófonos ou os afónicos.
De facto, a linguagem gestual resolve muitas situações, logo de seguida acompanhada pela linguagem gutural – por exemplo, para encomendar carne, basta emitir os sons de méé – para significar borrego, ou múú – para identificar a carne de vaca!
Para além disso é conveniente usar palavras portuguesas de origem árabe, e que têm por isso mesmo o mesmo significado nas duas línguas. Assim por exemplo: Sopa é sopa ou chorba, batata é batata, fruta é frouta, salada é chalada, e farinha é farina.
Quanto ao espanhol, ou “portinhol” tem alguma utilidade em Tanger, como por exemplo os “oros” para euros. No resto do país convém recordar algumas palavras em francês tais como:
Bonjour – bom dia (e em geral serve de cumprimento como olá),
Merci, que tanto pode significar obrigado (agradecimento) como por favor (pedido).
Monsieur, (messieu) para senhor,
Bonbon e caramel para rebuçado,
Vetements para tudo, desde tee shirts, sapatos, bonés,
Casquette para boné,
Stylo – caneta, esferográfica e por extensão caderno.
Cadeau – presente,
Change – troca,
Cigarette – cigarro,
Gazelle – rapariga bonita,
El froumage – queijo,
Finalmente em árabe convém fixar,
Dirham – dinheiro,
Salam – olá, bom dia,
Choucrane – obrigado,
Kif – kif – troca, permuta,
Naam – sim,
La – não,
Maa assalama – Adeus,
Méziane – bom,
Kebir – grande,
Seghir – pequeno,
Araft – compreendido,
Chhal – quanto?
Ghadda – amanhã, mais tarde,
Sidi – senhor,
Lalla – senhora,
Nous – metade (pronuncia-se nousse, e é ideal para negociar, oferecendo-se portanto metade do preço, ou melhor ainda toulout (um terço) ou até, se o preço pedido for muito alto logo no início, é oferecer um quarto – roubou ou robb – como quem diz... isso é um roubo!



segunda-feira, setembro 04, 2006

Verao 2006, meia volta a França.




Meia volta a França em auto caravana, Verão 2006.
Preâmbulo
Por definição da sua natureza o preâmbulo é escrito no final dos textos que antecede, e o epílogo que aparece no final normalmente é pré escrito…Para começar diga-se pois que a viagem Volta a meia França, ou Meia volta a França, tem implícita a ideia do tour de France não dos ciclistas, mas dos compagnons du devoir, ou da compagnonage- http://www.compagnonnage.org . Foi desenvolvida em papel, com recurso a uma pequena biblioteca turística, que depois nos acompanhou no desenvolvimento do itinerário, e de buscas da Internet, gravadas em “pen”, mas que a bordo do semovente não veio a ser consultada.
não esquecer:
Guide des Relais Routiers 2006 (édition France)
Des bons restaurants pas chers et pour tous. Le Guide des Relais Routiers continue avec détermination la route qu’il trace depuis 1934. Il vous conduira le long des nationales et autres départements de la France profonde, là où l’on mange bien, où l’on boit de bons petits vins régionaux à prix sympa. Grâce à ses adresses de restaurants classées par département, par région, par qualité de réception et, bien entendu, par niveau de restauration avec ses fameux Relais Casserole, vous pourrez faire des haltes régionales gastronomiques. 404 pages Ref . : Guid2006 format : 15 X 22 X 2 cm public : 13,00 €



Ainda não foi este ano que me rendi a levart de companhia um cão de guarda, (mas toda a França está prperada para o apoio aos canídeos. ver foto do Dog´s Bar) nem o GPS, nem mesmo à internet Hi Fi, para utilizar em viagem, nem à câmara de recuo para as manobras de marcha atrás…o sistema utilizado continua a ser o três em um…co-piloto, GPS, e câmara, da marca V.E.R.A. Quanto a mapas, indispensável para a França, o Michelin 792 (em material quase indestrutível) para a na escala 1cm: 10 km, e o atlas Michelin (amarelo) na escala 1cm: 2km.

Note-se que a viagem teve quatro tempos, num total de cerca de 5.000Km em 14 dias, a partir de um domingo, dia 20 de Agosto de 2006.

A ida e volta directas Alenquer Biarritz e a volta, cada segmento cerca de 1050 Km, feitos numa só étape, de um só dia, de cerca de 10.30h, quase “non stop”, para vencer a distância.
A visita a locais pré determinados, e que constituíram na sua generalidade o objectivo e terminus, de uma étape diária: Palmyre, Fromentine, Yeu, St. Michel, Berck, Lago Der, Vichy, Rodez, Condom, Biarritz.

O percurso em passeio, por vilas, localidades e outros pontos de interesse, caso de Puy de Dome (falhado), Dijon, Condom, Villefranche de Roergue, Auvillar, etc., como em abaixo se fará menção e ilustrará com fotografias...incluindo as do pão, das feiras, e da gastronomia...
A praia, de mar, areia e sol, para banho e bronze, caso de Biarritz, um dia à ida, e mais dois dias no regresso.
Quanto a custos e outros detalhes…vêm no final, o tal epílogo, o “quod era demonstrandum”…ficam mais em conta duas semanas de férias a viajar em AC, para 2 pessoas, do que…numa ida ao Brasil, ou mesmo …no Algarve!
Todos os verões, desde há exactamente 25 anos, que faço uma peregrinação passando por Espanha e França, com uma única excepção: no ano de 1982, fiquei-me por Espanha. E peregrinação, porque é mais uma viagem interior, do que apenas uma romaria exterior. Quem sabe de simbolismo esotérico que me entenda, e que os demais me percebam.


1º dia, a 20 de Agosto.
Este ano, a partida foi ao domingo, vinte de Agosto, depois de um jantar irrecusável para 19, sábado, na Gôndola, em Lisboa. Saída as 7h da manhã do Alenquer Camping, www.dosdin.pt/agirdin directos a Vilar Formoso para nos abalançarmos a Biarritz, à praia Milady em Ilbarritz. E chegámos, às 7h da tarde, fuso de Lisboa GMT (greenwich meridian time). Do trajecto, a anotar apenas a compra de pão de centeio, ao deixar a fronteira imaginária portuguesa, depois, Salamanca, Valladolid, Burgos e a opção pelo desvio para Vitória, e depois ainda, seguindo sempre, em auto pista a indicação Francia, sem portagens. Quase no final, o susto do indicador da bateria no vermelho...mais o sinal de aviso de uma outra AC de que se estava a perder água!
Nem parar, nem sequer pensar em desligar o motor, rumo sim, e directo à saída nº 4 da auto-estrada francesa, Biarritz, e logo após as portagens, no posto de turismo o pedido de localização (ao domingo) de um depanneur 24h. Pelo telefone vamos até ele, e... a verdade é que logo se dissiparam 90% das apreensões: o alternador carregava, e a 2ª bateria estava com mais de 11,5 de tensão. Isto é, a do motor, e a da capucine...também. Mais explicações só numa empresa de camping cars.
Ok, a caminho de Bayonne, lá fomos, e ao domingo como esperado, a casa estava fechada, e pior indicação, à porta, painel de fechada, também segunda-feira. Telefonema para Lisboa para o Sr. Manel da Marcampo. Com os diagnósticos feitos, só uma terapêutica, bateria morta, bateria posta.
O excelente dia estava a acabar, passeio pelo porto, foto ao veleiro BELEM, e depois? voltar atrás para Biarritz, não valia a pena, a área de estacionamento de camping cars transbordava, ficar então na zona da foz do Adour foi a solução. Não no imenso aire de camping cars, apesar de haver ainda espaço, mas antes no novo estacionamento frente ao farol da torre de “pilotage” do Adour, junto à foz, na margem esquerda. Já lá estavam mais umas tantas auto caravanas, também portuguesas, francesas e alemãs.
Nada de barreiras de 1,90 a impedir a passagem, nada de proibição, ou sinais anti AC, mas, durante a noite um PV foi afixado pelos gendarmes sorrateiros, no para brisas de quantos confiaram na calmaria, isto é um pv (procés verbal), mudo e por escrito, com uma multa de 11 euros, por violar a portaria municipal de Anglet nº qualquer. Ao lado um francês, recém-chegado, e bem impressionado de Portugal, zona de Coimbra, Penacova e norte, explicava que cá (em França) as Câmaras comportavam-se como a DGV (direcção geral de viação) em Portugal, mais uma repartição de finanças para cobranças. Pois a mim ninguém me cobra, diria o Manuel Alegre, e aqui em França, eu estou com ele.
Positivo foi o jantar no Poisson a voile (peixe à vela), frente ao Adour, e a uma pequena marina fluvial com o sol no poente. Bom preço, boa confecção, boa quantidade para duas pessoas comedidas (nada de vinho, nada de entradas, nada de sobremesa) por 33.50 euros! (ver foto da pratada de mexilhões, camarão e lulas) .E isso, por um excelente prato de mexilhões, e misto de camarão e lulas fritas, em alho bem à vontade (bem ao ponto para quem gosta de alhadas) e picante, com os pimentos vermelhos da Espelette, do país basco. Imperiais em copo grande a 1,50 euros, café também, e o tal prato principal a 29 euros. Pão incluído e sem taxas ou sobretaxas, quantas vezes mais em conta do que em Lisboa? Ou no Algarve?


2º dia, a 21 de Agosto
Acordados sem pressas, torradas e café, fotos dos arredores, e busca de garagem com venda de baterias, e com electricistas. Primeira, nada feito, nada de baterias, na segunda havia baterias, mas não as adequadas, na terceira, o mesmo. Só num centro de venda de auto caravanas, em Tarnos, Robert Agest, mesmo na RN 10, é que sim senhor. Havia bateria de descarga lenta, para interior da viatura, aliás mais potente que a actual que se finou ao fim de três anos. Mas...há sempre um mas, precisava de ser carregada durante 24h antes da colocação. Pois que seja, amanhã, pelas 9h, voltamos cá a buscá-la, fica em nome de Carvalho. E na altura será montada (é preciso desmontar o banco do condutor para a colocar debaixo, nesse prático local) e feitas as verificações de conformidade.

Então ”bora” lá, de volta a Biarritz, ao Camping Pavillon Royal****, conhecido de há anos. Lugar? sim, acabou de sair uma auto caravana, e lá estacionamos frente ao mar, lugar nº 3, a dois alvéolos de distância das ondas. Um luxo, com o parque cheio. Dia de sol, dia de Biarritz, logo dia de praia e de ondas, com temperatura exterior de 25º, e de água de 22º. Nem no Algarve! Preço? Muitas moedas...42 euros, muito dinheiro para pagar o luxo do equipamento do parque, e da localização, do acesso privativo à praia, a piscina, à electricidade, ao bar, mercearia, aos chuveiros impecáveis, etc.
Nus, há nos dois extremos da praia. "Têxteis" como nós, ao centro, e com epicentro nos 4/5 nadadores salvadores de serviço. Toda a manhã, até pelas 13.30h, estive (mos) no passeio, na água, ou na areia. Depois o banho de dessalinização nos chuveiros do camping, e um almoço frugal de atum, macedónia de legumes, camembert, (francês) sardinhas de conserva (eram marroquinas), vinho fresco rosado (era espanhol). E pão...excelente e português, e depois, a sesta.
Mais ao fim da tarde, passeio até Biarritz (foto da paria grande junto ao casino, e das casas bascas de portadas vermelhas e pintura em trompe l´oeil) e para variar através dos transportes públicos, no autocarro local, quase sem ninguém, nem a ida nem a vinda já a hora de jantar. Na auto caravana a refeição da noite, depois passeio pelo camping, onde só estava mais um conjunto português, e cama.


3º dia, a 22 de Agosto.
Ritual matinal cumprido, pagamento feito, e saída em direcção a Tarnos, pouco depois de Bayonne, ao stand de auto caravanas a buscar, esperar a colocação e pagar uma bateria da capucine de descarga lenta. Tudo incluído, IVA e colocação na hora, 163 euros, menos do que em Portugal.
Resolvido este problema e contratempo sem demora rumo a Palmyre, a “anse” na costa. Rota pela E 70, direcção Bordéus, com aponta final em auto-estrada gratuita, A 63, e depois pela N 137, direcção Royan. (ver foto das cabanas de pescadores da costa de Royan) Almoço excepcional no Le Relais de Roubisque, em St. Aubin de Blaye, um restaurante “Routier” (não confundir com Routard) ao preço de 11 euros o menu completo, que incluía, por pessoa, entradas diversas, incluindo mexilhões do Forte Bayard, sopa, pão e manteiga, prato principal de carne, vinho, sobremesa, queijo e café. Uma boa surpresa para quem viaja e com orçamentos curtos.
A má surpresa veio a seguir, já em Plamyre, na costa da Pointe de la Courbe, a bomba de água da capucine (que alimenta as torneiras da casa de banho e da cozinha) morreu. Desmontada a bomba de refluxo da mesma nada. Gemer gemia, mas não falava, isto é não se explicava em água, por perda do poder de sucção, e bomba que não bombeia, só substituída disse-me do lá de lá do telemóvel, mais uma vez o fiel, e sempre disponível Sr. Manel da Marcampo de Lisboa.
Pois que seja, consultado o catálogo de peças da Agest, ficou para o dia seguinte em Rochefort a busca da compra da bomba, e para não estragar o dia, parados no aire de Palmyre dos Corsaire, próprio para as AC (preço por 24h, 6 euros), decidiu-se pelo footing à volta da vila, incluindo a praia e marina, e umas compras para jantar de “moules”, mexilhões de Fort Bayard, queijo, pão, azeitonas, vinho. Depois para esmoer, antes da deita, um café e um Baileys no restaurante esplanada da VVF (villages de vacances en famille) a versão Inatel/Fnat local.


4º dia , 23 de Agosto.
Saída do parking dos Corsários, das AC, direitinhos à Garagem e Stand Ypocamp de Rochefort. Fácil de encontrar, fácil também comprar a bomba Fiamma adequada, e depois foi só esperar que pudessem colocar o dito aparelho, porque “nous même”, a fazer bricolage de água e electricidade, sem jeito, nem material, era mais do que certa a inundação, e quem sabe, o curto circuito da bomba, ou do sistema eléctrico. Faziam na hora, e fizeram, e pagou-se por isso, tudo 122 euros. Quando chegar a Lisboa vou ver se sim ou não sairia mais em conta, embora aqui, era pegar ou largar, e sem bomba de água, não há auto caravanismo itinerante que resista.
Seguiu o passeio em calma, pela N 137, la Rochelle, arredores, D 105, D 25, D 746, D 105, Sables–d´Olonne, e depois D 38, Saint Jean de Monts, Vendeia, entretanto, almoço na AC a bordo das margens de um rio, tudo sem stress, e com calma (ver foto da representação de mortos nas estradas para elucidação dos condutores), até Fromentine. Porquê aqui? Pois no dia seguinte havia aprazada uma visita à Ile de Dieu (ile d´yeu) a casa de António e Marianne, um dever antigo de irmandade e de amizade luso francesa parisiense. Telefonicamente demos fim ao prazo, dia 24, 5F.
Jantamos no pequeno porto de Fromentine, no Restaurante L´Avocette, por 27,40€, frente a Ilha de Noirmoutier conhecida de anteriores viagens. E ficámos, depois de confirmar com o gendarme local que sim, que se podia pernoitar no parking La Chapelle, e que no dia seguinte aí podia ficar a AC, enquanto íamos à Ilha de Yeu, pagando o forfait de um dia de parking, 4 euros. Negócio fechado. Aliás estávamos auto-suficientes quer com a bateria nova quer com a bomba de água substituída...banhos, cozinha, leituras à noite, não há problemas, nem de água nem de energia, e problemas de segurança ou tranquilidade, nenhuns. Os dois bilhetes foram comprados na hora, para os horários disponíveis, à companhia Vendéenne por 52,5€, ida e volta.
Noite tranquila com despertador para as 7.30h, para estar no cais às 8.00h.


5º dia, 24 de Agosto.
Antes do telemóvel fazer qualquer toque ou vibração, estávamos já a pé e comidos, lavados e vestidos, a passo estugado, rumo ao porto, a 10m do parking, para apanhar o barco para uma travessia de 45 minutos na companhia de um livro que nunca mais acabo de ler (As cruzadas vistas pelo Oriente, de Amin Maalouf).
Um dia criador (Ein Gottfull tag) diria uma amizade antiga, bem digno da Ile de Dieu. Chegados, depois da travessia, ao café do cais, e com croissant, é que confirmámos ao António a chegada, e assim foi a pé desde o porto (foto da feira do Port Joinville) que seguimos pelo passeio marítimo a Ker Châlon (praia e lugar do mesmo nome) a casa dos Cantin. Um quarto de hora pedestre, e estamos nos abraços amigos. Divisão de tarefas imediata...como os barcos estão cheios, e o nosso de regresso é às 16.45h, vamos os dois dar uma volta de carro pela ilha com o António, e a Marianne faz o almoço com atum branco (especialidade local).
Lá fomos de Twingo, primeiro ao extremo da ilha da Pointe des Corbeaux, depois à vista da Praia des Vieilles, (foto) a seguir ao Port de la Meule...a não perder, à outra ponta, dita Pointe du But, com vista dos Cailloux Blancs para as traiçoeiras ilhotas e correntes de Les Chiens Perrins, a travessia de Port-Joinville, e outra vez Ker Châlon...almoço, salada, patês, atum, torta, queijos e vinho, companhia, cinco estrelas. Conversa arrastada até ao limite do possível, estar no cais às 16.30h. Antes ainda uma último copo numa das esplanadas do porto e depois, o adeus, o barco, mais 45 minutos, mais umas páginas dos cruzados ao contrário.
A auto caravana lá estava e bem, e pelas 18h o rearranque para a meia volta a França. De facto que se podia fazer àquela hora naquele pequeno porto? Com o semovente disponível, um fim de dia ameno e claro, de sol, a estrada continha o apelo à viagem, e isso, com norte a Saint Michel, seguimos pelas auto estradas gratuitas da Vendée, da Bretanha e da dobradiça para a Normandia, que é aquele mítico sítio sagrado. Nantes, pela D 758, Rennes pela N 137, transvertida de auto-estrada gratuita, nem se viram, ficaram sempre à distância da placa que indicava a direcção seguinte. Problema só na saída da circular de Rennes, parte seguimos pela N 137, de duas vias, para St Malô, mas depois inflectimos, já escuro, para a D 175 directos ao monte se St Michel.
Chegámos já tarde, pela D 976, mas o almoço de Yeu foi mantimento para tal jornada. E a visão de Saint Michel de noite, toda iluminada, era um alimento aos olhos, e não só. Já tínhamos estado no local mas de dia, resta acrescentar que é uma mais valia a chegada de noite, e com a visita de dia. A não perder. Ficámos no estacionamento imenso, no sopé da ilhota, hoje península, na zona reservada a auto caravanas que se contavam por largas dezenas. (ver foto)

Preço 8 euros de parking, com direito a pernoita, mas à hora da chegada, já passava das 21h não havia cobradores nas bilheteiras, e por isso esta noite foi um bónus. Claro que depois de estacionados, a pé lá fomos a Saint Michel, não à catedral, fechada, mas às ruelas medievais iniciais, e ainda a tempo de um gelado e um café no restaurante Croix Blanche, no meio de uma multidão que ainda, pelas 22h, fazia romaria de sobe e desce pelas ruas.


6º dia, 25 de Agosto.
Acordar sacro e calmo. Pequeno almoço e demais ritos de passagem ao grau de acordado, na sequência solene adequada, e depois, Avranches, Caen, Deauville, com rumo a Pont L´Evêque (foto do centro) estacionamento para percorrer as ruelas, e segue-se pela D 579 a Ponte da Normandia (foto) pagante a 5 euros, mas a justificar incluindo a sucessão pela ponte do Norte a travessia do Rio Sena, quase junto à foz.
Paragem seguinte, pela D 10, em e D 925, em Fécamp, na área de auto caravanas, (ver foto) gratuita, junto ao porto, e do centro, para um almoço no semovente, e depois nova paragem, pela D 68, em Dieppe, também com “aire” junto ao porto exterior, esta com tarifa de pernoita afixada. De seguida nova paragem em Treport, chegados pela D 925, igualmente com área especial para auto caravanas ao lado do parque de campismo municipal, à saída da cidade.
Terminou a étape em Berck sur plage, a seguir a Fort-Mahon, e depois de uma visita à cidade, com a AC estacionada no parque da Gare (junto ao casino), um jantar calmo num dos cafés restaurantes próximos da praia, La Crepe Flambée, por 25.15€. A sugestão de um gendarme, na falta de informação do posto de turismo já fechado, optou-se pela dormida numa zona de estacionamento gratuito indicada para auto caravanas, junto ao passeio das dunas, próximo do farol, e portanto com uma visão espectacular da Baía do Authie, onde as marés têm amplitudes de mais de 8 metros.
Era maré vazia, e a dimensão do areal (emerso) era imprevista. Entretanto liam-se avisos de alerta para a subida das águas, (alerta na foto) e para a existência de focas marinhas, (ver notícia na foto) para cuidados a ter na navegação conforme as épocas do ano e as marés...e mudou o tempo e começou a chover. Noite debaixo de chuva.

7º dia, 26 de Agosto.
Acordados pelo tamborilar da chuva. Dia cinzento também, e fresco. Pois então, que fazer senão seguir o programa, passagem por Arras, Cambrai, Capelle, N25, D 939, N 43, e Vervins N 2, D )66 para Montcornet, D 946 para Rozoy, e Novion-Porcien e finalmente a D 925 para visita rápida a Chateau Porcien, para cumprir com a promessa de fotografar (aqui está) a Rue do amigo Nandin. Almoço em Rethel, capital do “boudin blanc”, mas que não se experimentou no restaurante do Logis, Au Sanglier des Ardennes (19,50€). O percurso seguinte passou serpentenado, por Mazagran, Vouziers, D 946, D982, para Vitry-le-François, e finalmente o Lago Der Chantecoq.
Por azar não se foi a tempo de encher o depósito com gasóleo ao preço mais baixo desta viagem ou seja 1,068 ( o máximo visto foi 1,24) mas a travessia das Ardenas e dos campos cultivo e de batalha da I e II Guerras Mundiais, fez-se sem história, mas sempre debaixo de chuva, que parecia que a levávamos às costas, até chegar ao destino previsto do Lago Der, (carvalho em celta) o maior lago artificial da França, e ao que consta da Europa, até...Alqueva aparecer.
Impressiona o desenvolvimento turístico do Lago, de que só vimos a parte sul. Só zonas de auto caravanas e gratuitas vimos três, a utilização dos serviços de electricidade (45m) de água limpa (80 litros) e de despejos custa 2,60€, de resto o parking e a pernoita, é gratuita. Foi a altura de recarregar as baterias (foto em flagrante) e fazer a higiene ao semovente. Jantar na AC, e passeio, numa pausa de chuva pela marina e demais instalações portuárias do lago.


8º dia, 27 de agosto.
Manhã chuvosa, cinzenta e fresca. Três argumentos para alterar uma hipótese inicial (plano A) de prolongar a volta a meia França, ou a meia volta a França, mais a leste, à zona da Alsácia Lorena, nas imediações de Colmar, por exemplo a Riquewhir. Mas, mais Km são sempre mais euros, e com mais Km de chuva, são ainda menos compensadores.
Assim a partir do Lago Der, impunha-se o plano B. Descer para o centro para ainda aí ponderar o plano B1, ou seja, arpoar o regresso via Languedoc e Provence, Camargue (Montpellier), ou antes o plano B2, regresso pelo Perigord, Toulouse e País Basco, Biarritz?

Passar mais tempo na zona do Lago Der, fazer o passeio de barco, a volta no comboio turístico, ou mesmo a ronda à volta do lago em auto caravana, não eram opções simpáticas, quer porque essas atracções turísticas só começavam às 11h da manhã (e às 8.30h já estávamos aprontados) quer porque a chuva o desaconselhava.
Então? Rumo a Vichy, sempre por estradas secundárias, para Bar-s-Aube D 384, e depois Chaumont pela N 19, N 74, com paragem e almoço em Dijon, capital dos Duques de Borgonha, que estão na memória da fundação pátria. Era domingo, e por isso problemas de estacionamento, mesmo no centro e gratuitamente, nenhuns. Ficam as memórias dos palácios, das igrejas, das ruas de peões e as outras embandeiradas, e de um almoço agradável e frugal mas bastante, de saladas primorosas, 19,50€ para 2 pessoas, isto na Brasserie Mayence, na rue des Forges, em Dijon. (ver foto das casas de estrutura de gaiola, e das ruas com bandeiras))
A rota seguinte deu para atravessar pela N 74, as terras de vinhas imensas de Beaune, e seguir as estradas amarelas do mapa Michelin, debruadas a verde, D 973, D 974, em direcção a Montceau, ao longo do canal (du centre) navegável. Em Paray le Monial, N 80, novas estradas contornam este “haut lieu” e assim chegámos mais rápido a Vichy, passando ainda por Donjon, D 994, e Lapalisse, D 907, ainda a tempo de encontrar o posto de turismo aberto.

Com o semovente mal estacionado em cima de um passeio, foi só o tempo suficiente para inquirir de local para os camping car estacionarem de noite, já que nas voltas dadas nem um gendarme se perfilou no horizonte. Que sim que havia mesmo ali, a escassas centenas de metros, no Quai d´Allier, junto ao rio, (ver foto) portanto, num impasse sem saída. Excelente sítio, uma BTS na gíria dos auto caravanistas, isto é um local bom, tranquilo e seguro. Já lá estavam mais quatro, e por isso escolha acertada, e por preço certo, isto é gratuito, e a dois passos do centro termal de Vichy.
Jantar no semovente e depois, passeio pelos jardins termais, pela estação termal com prova das águas ferrosas enxofradas, (ver foto das termas) e quentes ou frias, mas horríveis de paladar, e ainda deambulação pelas ruas comerciais, pelas arcarias dos aquistas.


9º dia, 28 de Agosto.
Passeio matinal ao longo das margens do rio, pequeno almoço de pão duro para os patos residentes, as fotos da praxe para ilustrar o Blog, e depois de reverificados os elementos da biblioteca itinerante, e os apontamentos prévios da viagem, toma-se a direcção D 941, Puy de Dome...mas chuva e nevoeiro não permitiram ir até ao cimo. Deu para ver Volvic, e depois nem Clermont Ferrand, não por causa da chuva que se desvanecera, mas porque os arranjos do centro da cidade deixaram pouco espaço de estacionamento para auto caravanas. Limitamo-nos a cruzar a praça central, e a dar uma volta pelas artérias principais acessíveis à AC.
Paragem seguinte, na rota Issoire, por auto-estrada gratuita, até só para almoçar na N 102, em mais um excelente restaurante Routier, Les Tilleuls, em St Georges d´Aurac, menu completo por 11 € cada, com um prato de queijos variados que só por si justificava o preço. Depois foi Puy en Velay. A não perder a parte velha, e a visão dos monumentos deste lugar sagrado da rota de Santiago de Compostela. Note-se que foi fácil estacionar a AC num dos parques pagos, à entrada da cidade, para permitir os percursos a pé, que só não se estenderam à parte mais moderna e recente.
Retomada viagem, pela estrada de via dupla, logo após um curto percurso próximo das Gorges du Tarn, na zona de Mende, retomamos a A75, gratuita e chegamos a Rodez. Estacionamento fácil muito próximo do centro, volta a pé pela cidade, pela área central da catedral, (ver foto) e mal concluída, chuva, outra vez. Opção de pernoita recaiu na área de auto caravanas, gratuita, de Rodez, à entrada da zona industrial. Mas junto a um percurso ecológico, e florestado. Só lá estava uma AC, o suficiente para evitar uma crise de solidão, e assim, janta no semovente e se passou mais uma noite tranquila sob chuva intermitente.


10º dia, 29 de Agosto.
Acordar, higiene pessoal e da auto caravana nos serviços de apoio do estacionamento de Rodez, atestada de água fresca, despejo da águas cinzentas (as do banho, e da cozinha), reposição da água no kit do WC químico, e despejo da águas sujas. Só não se fez a recarga de electricidade da 2ª bateria por falta de tomada, mas também não fez falta.

Releitura dos jornais de véspera, secção das previsões meteorológicas. Farejar o vento, descodificação da nuvens. Ir logo para sul? Inflectir para o interior em diagonal para a Costa Basca? O novo guia da Michelin “Les plus beaux detours de France”, 8ª edição, oferta do posto de turismo de Puy en Velay, (foto do espectacular capela de S. Miguel da Agulha) acabou por ditar a sorte. Decisão então de ir ao longo de mais estradas amarelas, as tais “D”, que muitas vezes, no terreno são vias duplas de separador central... e ir a norte de Toulouse, devagar, seguindo o Guia da Michelin, das Selecções do Readers Digest, e as demais indicações dos postos de turismo, enfim uma “balade”, já com sol:D 994, D 922, D 958, etc.
Assim foi, sempre com paragens, e percursos pedestres:
-Villeneuve (uma surpresa medieval), com estacionamento próprio para AC. (foto da torre e arcadas com pavimentos empedrados)
-Villefranche de Rouergue, com estacionamento para AC, no parking Serres.
-Narjac (com passagem milimétrica) na ponte do século XVIII de Blaise. (foto do posto de turismo)
-St. Antonin, com almoço no semovente, junto ao rio, com boas vistas. (ver foto)
- Montauban, a cidade do tijolo, e das arcadas. (ver foto arcadas)
-Castelsarrasin
-Auvillar, uma jóia medieval com um celeiro redondo no centro de arcadas. (ver foto)
-Lecouture, com estacionamento fácil mesmo à porta da igreja.
-Condom, com passagem pelo porto, à procura de lugar de pernoita.
Acabámos por nos decidir pela quinta da Sra. Denise Dupuy, a cerca de 5 Km de Condom, exploração agrícola (girassol) e de preparação de confits e demais conservas, com área própria para auto caravanas, preço 8 euros sem recibo. Mas a solução foi a ideal porque a parte ajardinada de estacionamento, por detrás da casa da quinta é ampla, e tem os apoios sanitários e tomadas de electricidade suficientes. Já lá estavam mais cinco clientes de AC. Jantar na semovente e o sono dos justos.


11º dia, 30 de Agosto.
Sol de despertador, azul, sem nuvens!
Arranque depois de colhidas meia dúzia de avelãs, de figos, e ainda sementes de girassol, e de malvaísco. (ver foto do relvado)
De seguida rumo a Condom, e vista do posto do turismo. Informações de passeios pelo rio...só de tarde, ou à noite com jantar incluído, fora de questão. Ficou então o passeio pela parte central, a Câmara está localizada num espectacular edifício contíguo à igreja secular e com claustros, e visita à feira semanal e mercado local. Tudo a terminar com café e croissant, a acompanhar a leitura do jornal, na esplanada mais ensolarada, e no ponto mais central da praça central.
As notícias meteorológicas são as melhores, sol à vista, temperaturas amenas, logo rumo feito a Biarritz, mas devagar, com continuação da “balade” (veja-se a foto do castelo d ePolignac. clique para aumentar) : D 15, D 626, D 933, etc.
- Larresingle, amuralhada, pequena e com um campo de batalha exterior. (foto do dito)
-Montreal (foto das arcadas com barris)
-Barbotan, vila termal, em dia de feira semanal, (foto) amplos espaços com vida.
-Labastide de Armagnac , terra de D´Artagnan (ver foto das arcadas).
-Mont de Marsan, quase incaracterística depois das visitas anteriores. (foto florida)
-Orthez, idem.
Almoço em mais um routier (Le Mille Pattes, em Pouydesseaux, ) em que o menu completo, com entradas, prato principal, sobremesa, vinho, pão e manteiga (sem queijos) custou 12 euros por pessoa, para além de um suplemento de 2 euros pelo Confit de Canard...extra menu.
O dia terminou já em Biarritz, depois de passagem por Bayonne (N 117), no espaço para auto caravanas da Praia Milady, (entre Ilbarritz e Biarritz) devidamente assinalado, e que já utilizámos há anos. Estava cheio à ida (isto é no início deste périplo) mas agora muito composto embora, tinha espaços livres. Preço 10 euros em parquímetro, e por 24h, não pago por avaria do dito.
Assim, logo após o estacionamento ida à praia, pelo túnel subterrâneo por baixo da estrada, e banho de ondas de boa temperatura às 20h. Uma maravilha de caldo devido à corrente do Golfo. Banho de dessalinização nos chuveiros de praia, muda de roupa e jantar no semovente, logo seguido na no restaurante da praia, o “Bounty”, de um café e um crepe com chantilly.
Claro que a noite foi sossegada e calma, e reparadora, depois das vistas de paisagens, e de cultura foi o tempo do “dolce farniente” do sol e praia.


12º dia, 31 de Agosto.
Acordar para mais um dia de sol. De excelente temperatura. Passeio pedestre pelas praias vazias, pois “só abrem” pelas 11h (e fecham às 19h) com a chegada dos banheiros, nadadores salvadores, e depois regresso ao parking, volante nas mãos e ala para um passeio até Hendaye, mesmo até a fronteira com a Espanha depois de uma paragem em Saint Jean de Luz, já do lado do porto de Ciboure, e volta por Socoa (forte) e toda a Corniche. Compras ligeiras no Intermarché de Bidart, e aterro, outra vez na área de Milady, agora já muito despovoada, e por isso com a chance de estacionar num dos lugares com tomada de electricidade.
Agora sim, o parquímetro ainda avariado, a praia a dois passos, praia, banho portanto até às 15h, depois regresso para almoço na AC, (ver foto...azeitonas, baguette, vinho do Aude, camarões cozidos e fritos, patê, camembert, huuummmm) e escrita do Blog no portátil. Mais para o fim do dia, praia, banho até às 19h. Depois procura de restaurante, a pé, e depois da 1ª tentativa frustrada no Panoramique, por falta de pessoal, ficámos pelo Tantina de Burgos, (place Beau Rivage, tel 0559232447) já em Biarritz, para uma excelente parrilhada de peixes (atum, sardinhas, linguado, mexilhões, salmão e mais um desconhecido..) vinho branco da casa, e ainda tarte de maçã com chantilly, pão e azeitonas, por 33,50€!
Dormida com janelas abertas de topo, que lá para as 5h da manhã com o arrefecimento e o marulho das ondas do mar de rebentação foram fechadas.


13º dia, 1 de Setembro.
Levantar pelas 8.30h, silêncio generalizado no parking e só ao longe o marulho persistente da arrebentação, céu azul, temperatura a condizer, abluções matinais, pequeno almoço, limpezas gerais da semovente, mais uma revista de olhos nos textos do Blog, início de selecção de fotografias digitais, e são 10h. Tempo para a pé fazer algum abastecimento de supermercado, no Leclerc, praia e acertar horas de saída para regresso a Portugal.
Boas e grandes ondas, (na foto ao longe um helicóptero a fazer um slavamento) bons mergulhos, boas carreiras, uma delas a esfolar dedos em pedras submersas, céu a ficar fosco, brumas a inundarem o topo da montanha da Rhune, e depois a submeterem o perfil da costa de Saint Jean de Luz, e o sol a perder-se. Ponto final na estação balnear, regresso à AC, refeição local, e depois pelas 14h, a última “toilette” à semovente, mudança de águas, despejos das cinzentas e das escuras…e rota para Portugal.
Saímos de França e entrámos em Espanha pela auto-estrada, para ser mais cómodo, mas depois, seguimos pela auto pista gratuita via Vitória, em Miranda del Ebro, (está a ser construida uma area para AC) continuamos pelas estradas nacionais, passagem pelo Monumento ao Pastor, (ver foto) para em Burgos retomarmos a auto-estrada gratuita até Portugal.
Tudo sem história e só com o registo (alguém ligará?) da tristeza que é a área de serviço de seguida a Vilar Formosa: desolada, com um aspecto deplorável (pelo menos para emigrantes e turistas) e com uma qualidade alimentar própria de cantina de refugiados do Iraque. Um pena em falta de qualidade e de apresentação, e até de preço, quando comparado com os restaurantes de estrada em França e Espanha.


14º dia (madrugada) 2 de Setembro.
Depois de um café na estação de serviço de Vila velha de Ródão, para arregalar os olhos, chegada a Alenquer pelas 24,45h, hora local, estacionamento (ver foto) na plataforma de chão vermelho das AC, instalada no interior do parque de campismo, e o sono de recuperação. End of Story.


Epílogo.
A viagem feita vem demonstrar mais uma vez que não entrando em linha de conta com o preço de aquisição ou aluguer, sequer o da amortização de uma auto caravana, que as férias neste sistema são inigualáveis quando comparadas com qualquer outro sistema de turismo, desde que: se goste de conduzir, se tenha a companhia adequada incluindo em dotes culinários. São económicas (quantos mais dias parados, mais económicas), são versáteis e flexíveis (por isso a auto caravana é semovente) e permitem aceder aos centros das vilas e cidades, cada vez mais facilitado, bem como a dormir em áreas especialmente preparadas para o efeito, quer no interior de parques de campismo, quer no seu exterior, em especial por decisão municipal. Permite desfrutar de paisagens, locais e passeios como só com um T0, mobilado, duplex, e rolante, o pode proporcionar. Daí a voga do auto caravanismo, não por moda, por ditame de novas regras de consumismo, mas sim porque constitui um meio adequado a respeitar um estado de espírito, mais ecológico, amante da natureza, e do património humano cultural.
Nestas 13 noites foram utilizados:
1 Parque de campismo comercial, o Pavillon Royal, Biarritz, preço 42 euros.
1 Área de camping car, em Biarritz, preço 10 euros
1 Quinta, Condom, 8 euros.
1 Área de camping car, em Palmyre, preço 6 euros
8 Noites gratuitas em estacionamento autorizado a auto caravanas.
O total da despesa foi de 1285 euros, para 2 pessoas, incluindo gasóleo, alimentação, portagens, estacionamentos, e ainda alguns presentes/recordações de valor simbólico.
Não se incluiu nesse valor 2 despesas extraordinárias, a compra da bateria e um acessório, e a bomba de água (168+122= 290 euros) pois, tal como o seguro, as inspecções, o selo, as revisões, etc. são despesas ou anuais, ou mesmo plurianuais, e por isso contabilizáveis mais em sede de amortizações, do que em custos directos de uma viagem.
Em síntese, por cada um do 14 dias, gastou-se 91 euros, o que aponta para um valor de referência de 100 euros diários, o que se afigura aceitável. Este valor pressupõe uma média de uma refeição fora por dia, sem excessos, e outra cozinhada na AC (além do pequeno almoço) uma média kilométrica diária, relativamente elevada (357Km), e logo um custo de combustível superior ao das refeições… e ainda uma atitude selectiva e espartana na escolha dos restaurantes (os dois mais caros custaram rigorosamente 33.50 euros cada). De notar finalmente, que a escolha do lugar de pernoita é essencial, e influi directamente também no orçamento da viagem.
Ficam a final, duas sugestões para 2007…mais, outra volta a meia França e..
- 1 mini cruzeiro marítimo, na costa basca, no Nivelle III, com partida do porto de Saint-Jean-de-Luz, ver site http://www.nivelle3.sextan.com/ em especial o cruzeiro de pesca, com a duração de 4 horas, das 8h às 12h, em que fornecem canas, anzóis, isco, e conselhos, por 25€, por pessoa.
- mini cruzeiro fluvial, no rio Blaise, a bordo do Prince Henry, com partida de Nérac, (a norte de Condom e Auch) com partida às 11h, duração de uma hora, com aperitivo a bordo, e pelo preço de 11,00€, por pessoa. Ver site http://www.croisieresduprincehenry.com/enry.com